Logan

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Foram 17 anos e nove filmes, incluindo o tema desta resenha, interpretando o mutante que é o melhor no que faz, e o que faz não é nada bonito. Contudo, Hugh Jackman não tem o fator de cura do Wolverine e o tempo lhe alcançou no ritmo normal. Com a idade mais avançada (o ator está com 48 anos), a exigência física para o papel ficou mais difícil, podendo até prejudicar sua saúde, e ele decidiu que chegou a hora de pendurar as garras de adamantium.

Contudo, ele ainda tinha uma questão de honra a resolver: fazer um bom filme solo do mutante canadense. X-Men Origens: Wolverine é facilmente o pior dos x-filmes e Wolverine: Imortal bateu na trave, mas estragou tudo no terceiro ato. Ele queria sair por cima e entregar um bom filme do carcaju. Conseguiu. Logan é facilmente a melhor película do herói.

Com a censura mais alta, graças ao sucesso de Deadpool, finalmente podemos ver na tela grande o lado selvagem e violento do personagem, algo até então muito mais sugerido do que mostrado no cinema. Pela primeira vez temos um herói mais próximo de sua contraparte nas HQs. Prepare-se para ver bastante sangue, membros decepados e cabeças decapitadas.

SNIKT!

Mas antes de falar mais sobre o longa, convém passar a sinopse. O filme se passa no ano de 2029. Logan está trabalhando como chofer de limusine para juntar uma grana. Acontece que ele está cuidando de um nonagenário Charles Xavier, que está sofrendo de demência. E o telepata mais poderoso do mundo batendo pino é uma coisa bem perigosa. Seu plano é comprar um barco e levar Charles para algum lugar melhor do que a fronteira do Texas com o México onde eles estão.

Só que, como sempre, os problemas parecem seguir o mutante. Ele acaba, contra sua vontade, incumbido de levar a menina Laura, também conhecida como X-23, para um lugar que seria um porto-seguro para mutantes. Laura possui os mesmos poderes de Wolverine, incluindo as garras de adamantium, e também a mesma ferocidade. E ela também está sendo perseguida por um grupo de mercenários liderados por Donald Pierce (Boyd Holbrook, o agente Murphy de Narcos).

A partir daí a coisa vira um road movie e também um drama, com Wolverine tendo de lidar com uma criança que tem muito em comum com ele, até mais do que ele gostaria de aceitar. Além, claro, de ter de fugir de Pierce e seu grupo de Carniceiros (embora nunca cheguem a usar essa alcunha dos quadrinhos no filme).

O tom do filme já é estabelecido desde a primeira cena, violenta e muito sangrenta. Mas também já apresentando um quê de decadência e melancolia que permeia toda a narrativa. Sem dúvida, este é um filme muito mais adulto do que os outros da franquia mutante. Não só pela violência e uso de palavrões que a censura mais alta permite, como também pela temática.

Logan está envelhecido. Seu fator de cura está falhando e ele acredita que o adamantium injetado em seus ossos finalmente está cobrando seu preço, tendo-o envenenado por dentro. Ele tem então de encarar sua mortalidade, cada vez mais próxima, bem como o sentimento de família improvável que se forma entre ele, Xavier e Laura.

O MELHOR NO QUE FAZ

Aliás, a menina Dafne Keen impressiona como a X-23. Suas cenas de ação são tão pesadas quanto as do Wolverine. E é bem assustador ver uma menininha retalhar um bando de marmanjos com a maior ferocidade. Contudo, já lá mais para o final ela tem uma reviravolta que eu não curti muito e pra mim tirou um pouco do impacto da caracterização da personagem.

A relação entre Logan e Xavier é outro ponto forte da película. Com Wolverine agindo praticamente como um enfermeiro de Charles, retribuindo, à sua maneira peculiar, a acolhida que o professor lhe deu quando ele entrou para os X-Men. A cena do jantar, onde os três se passam por uma família, é um ótimo exemplo dessa relação, bem como da temática geral da história.

No mais, as cenas de ação são muito boas, o andamento e o ritmo da história estão no ponto, há referências a filmes anteriores e pontas de mutantes que os fãs de quadrinhos vão gostar de atentar. Só acho que podiam ter caprichado mais no visual dos Carniceiros. Como um grupo de humanos paramilitares com partes do corpo cibernéticas, poderiam dar uma variada no visual, ao invés de fazer a maioria deles com apenas uma mão biônica. Ficou um tanto genérico, e só Pierce realmente importa, mas não chega a tirar o brilho da coisa.

Ao final fica uma sensação de satisfação, por finalmente terem entregado o ótimo filme que o personagem merecia, mas também de tristeza, porque só conseguiram fazê-lo justamente na despedida de Hugh Jackman. O futuro ainda é incerto. Não se sabe se o personagem vai dar um tempo nas telonas ou se já vão substituir Jackman por um novo ator rapidamente.

Enquanto não temos mais notícias, vale ver Logan pelo que ele é: um belo filme (finalmente) do mutante mais popular de todos e uma despedida para lá de digna para seu intérprete, que o defendeu com garra (trocadilho não intencional), independente da qualidade dos filmes anteriores.

LEIA MAIS SOBRE OS X-FILMES:

X-Men: O Confronto Final – Muitos mutantes e muita história para pouco filme.

X-Men Origens: Wolverine – Tudo errado no primeiro filme solo do carcaju.

X-Men: Primeira Classe – Um novo começo.

Wolverine: Imortal – No Japão e sem fator de cura.

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido – O encontro de gerações.

Coletiva X-Men: Dias de um Futuro Esquecido: Patrick Stewart e James McAvoy – Os Professores Xavier passaram pelo Brasil.

Deadpool – O mercenário falastrão ganha o filme que merecia.

X-Men: Apocalipse – É o fim do mundo como o conhecemos.

Coletiva Logan: Hugh Jackman – Hugh Jackman se despede do carcaju no Brasil.

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