Slain: Back From Hell

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Slain é um jogo que ganhou uma certa fama antes do seu lançamento pela proposta de ser um Castlevania heavy metal. No entanto, quando ele saiu para PC, em março deste ano, foi muito mal recebido, pois aparentemente o jogo tinha problemas bem graves.

O legal é que a desenvolvedora Wolf Brew Games atualizou o jogo gratuitamente, e a mudança foi tão grande que resolveram até dar um subtítulo bem apropriado para a nova versão: Back From Hell. Esta é a versão que chegou em 20 de setembro ao PS4 e que eu tive a oportunidade de analisar.

HAIL THE HORNED METAL GOD!

Como os jogos de outrora que o influenciaram, Slain quase não tem história. Você é Bathoryn, um guerreiro que é acordado de seu sono para… fazer algo. Seja lá o que for, este algo se encontra à direita. Ande para lá e mate tudo que se mexe. Hell, yeah!

A partir daí, a história basicamente só aparece em diálogos curtos que Bathoryn tem com cada um dos muitos chefes. Esses diálogos são muito engraçados, especialmente pela absurda trueza do herói, que faz com que cada frase proferida por ele pareça ser um trecho de uma letra do Manowar.

O visual pixelado, embora seja algo que está sendo usado demais atualmente, é atraente, com cenários épicos e inimigos bem caprichados, incluindo chefes enormes. A trilha sonora é feita por Curt Victor Bryant, que os bangers devem conhecer como o ex-baixista do Celtic Frost.

As músicas são definitivamente heavy metal, mas isso acaba sendo menos empolgante do que pode parecer. Elas são basicamente riffs de guitarra bem curtos que ficam se repetindo. Quando você entra em uma nova fase, os riffs até empolgam, mas quando você percebe que são apenas 30 segundos de música em loop começa a cansar um pouco. Além disso, a qualidade do som é baixa, sendo bastante inferior à que vemos em CDs ou mesmo em MP3, o que é um grande baque, especialmente se comparado à qualidade absurda das músicas em jogos como Forza Horizon 3.

LUTANDO COM HONRA E DIGNIDADE

O jogo em si é imediatamente reconhecível por qualquer um que viveu a época dos 8 e 16 bit. Tem bastante combate e bastante plataforma e armadilhas. Apesar de Slain citar Castlevania entre suas influências (talvez por sua temática de terror), eu diria que ele me lembrou mesmo os Ninja Gaidens de Nintendinho.

O protagonista usa uma espada. O level design segue a mesma linha (Castlevania era consideravelmente mais complexo) e, talvez mais importante, a dificuldade é altíssima. Lembra quando, em Ninja Gaiden, você está em uma plataforma, um inimigo te acerta e o ninja dá um pulinho para trás, fazendo você cair no abismo e perder uma vida? Isso acontece direto aqui.

Apesar de morrer bastante nas fases, elas são bem divertidas. No texto de divulgação de Slain, ele coloca entre suas features a frase: “no laborious levelling, no tedious grinding, no wimpy crafting!” e vou dizer que isso soou como música para meus olhos quando li a descrição na PSN, pois são três coisas que realmente vêm sendo muito abusadas nos jogos de hoje. Slain é um jogo imediato. Você coloca ele para rodar e, praticamente sem loadings, já está na ação, sem ter que ficar um tempão em menus comparando estatísticas de armas e de roupinhas ou administrando um inventário com 17 tipos de ervas que servem para fazer itens de cura levemente diferentes.

O problema principal dele acaba sendo decorrente da sua dificuldade alta. Nas fases, isso não atrapalha tanto. Você vai morrer bastante, mas cada morte é um aprendizado. Da próxima vez, você vai saber onde estão as armadilhas e como vencer os inimigos mais perigosos. Os checkpoints funcionam bem (e salvam o jogo, possibilitando parar de jogar a qualquer momento) na maior parte do tempo, mas tem alguns que parecem injustamente distantes.

O problema mesmo são os chefes. Não é que as batalhas sejam ruins, mas elas são tão longas, tão frequentes e tão difíceis que acaba cansando. Dificilmente você joga por mais de dez minutos até se encontrar com um chefe, e é comum levar mais de 30 minutos até vencer alguns dos mais complicados.

Para piorar, os checkpoints sempre ficam imediatamente antes dos chefes, o que é ótimo. O que não é tão bom é que você é obrigado a passar pelo diálogo do herói com os monstros a cada nova tentativa. Seria bem melhor se o jogo identificasse que você já leu aquele diálogo e fosse direto para a porrada nas vidas seguintes.

ASSASSINADO!

Slain é um jogo legal, mas eu diria que ele seria mais dinâmico e divertido caso tivesse a opção de uma dificuldade mais baixa. Claro, talvez isso o tornasse menos true, afinal, banger que é banger só joga no hard. E mais, como não gostar de um jogo que permite que você comemore a vitória contra um imponente chefe bangueando?

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REVER GERAL
Nota
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Editor-chefe e editor de games. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).