Jorn Lande & Trond Holter – Dracula: Swing of Death

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Localizada na região da Escandinávia, a Noruega, mesmo sendo um país pequeno, sempre trouxe ícones de importante relevância para a cena Rock/Metal. Um dos nomes mais impactantes é Jørn Lande. O viking possui um talento vocal de causar inveja em muitos, no entanto, tal “virtuosidade” lhe trouxe uma carreira conturbada, com destaques divergentes e um currículo tão heterogêneo que fica difícil definir qual o seu estilo.

Após lançamentos, entre outros, com o Masterplan, Ark, Beyond Twilight e Avantasia, Jørn dá um up na sua carreira solo com o lançamento de Dracula – Swing of Death (2015), que foi idealizado em parceria com seu guitarrista Trond Holter, que está oficialmente na banda do cantor desde 2012.

Como o próprio nome já diz, Dracula – Swing of Death é um álbum conceitual sobre o Conde Drácula, baseado no clássico de Bram Stoker. É um tema bem interessante e ao mesmo tempo um tiro no escuro, pois o que mais vemos por aí são bandas fazendo álbuns conceituais sobre histórias com zilhões de personagens, com temas intelectuais/complexos demais que acabam por deixar alguns ouvintes broxados de ter que ficar relacionando isso com aquilo para enfim entender o som.

Hands of Your God é a intro do álbum, muito parecida com My Road (do Bring Heavy Rock to the Land, de 2012), não somente pela música em si, mas por se tratar de um prelúdio para o trabalho. Com uma variedade de sons, temos a simulação de uma tempestade que é interrompida pelas primeiras notas do guitarrista Trond Holter e a maravilhosa voz de Jørn Lande. Para quem não leu a obra de Bram Stoker e assistiu ao filme, frases como: “I’ll paint the world with the blood, from the hands of your god” remetem ao início da película, onde Vlad profana um templo cristão e promete vingança.

Com um refrão digno de fazer multidões cantarem ao mesmo tempo, temos Walking on Water, que você, caro leitor, pode colocar para repetir pelos menos três vezes antes de continuar para o restante do álbum. Sim, é aquela música com efeito de lavagem cerebral, simplesmente perfeita. Podemos juntar todas as faixas do álbum The Duke (2006), um dos melhores do cantor, e sintetizar nesta perfeição.

Num clima de cabaré europeu, temos Swing of Death, canção extremamente criativa, onde pela primeira vez temos a aparição do vocal feminino de Lena Fløitmoen. Podemos encontrar (como sempre!), a influência descarada de Queen nos backing vocals durante os versos. Faixa bem animada, que ao final tem fade out com Jørn cantando como se fosse em sua primeira banda, Vagabond.

Masquerade Ball é a faixa mais emblemática do álbum e incorpora de fato todo o espirito conceitual em questão. É um encontro entre Drácula e Mina, sua amada. Enriquecido por partes com violão flamenco, a música tem acompanhamento de castanholas e uma performance absurda do cantor. No final da canção podemos ouvir Mina fugindo e em seguida, sendo atacada pelo protagonista.

A primeira audição da voz de Lena Fløitmoen pode parecer um pouco irritante, mas ao longo do álbum percebe-se que foi a escolha certa. Em Save Me, a cantora tem espaço para mostrar o seu talento cantando em dueto com Jørn, que certamente é a maior surpresa do álbum, pois o mesmo já trabalhou com diversos artistas, mas nunca gravou algo na carreira solo que fosse compartilhando os vocais. Faixa muito bacana onde a história do vampiro vai se desenrolando.

River of Tears e Queen of the Dead são faixas mais cadenciadas do álbum, que trazem refrões repetitivos e bem melodiosos, onde se pode notar a tamanha versatilidade do cantor, mesmo que esteja enferrujado pelo tempo. Interessante notar que, assim como Tobias Sammet, Jørn Lande tem uma habilidade incrível de fazer refrões. Nas duas, o refrão já vale o som todo.

O álbum é tão diferente do que estamos acostumados na carreira de Jørn Lande, que a vocalista teve a oportunidade de ter quase uma música inteira só para ela. Into the Dark é uma canção na qual Lena faz toda a interpretação necessária para o tema enquanto o Drácula (Jørn) se resguarda para cantar suas partes de forma assustadoramente perfeitas.

Truth Through Blood é a faixa instrumental do álbum, onde Trond Holter mostra toda sua habilidade como guitarrista e parece explorar diversos momentos do álbum em seus solos.

O final fica com Under the Gun, que realmente tem um ar de fim de festa e cumpre seu papel de dueto como já feito antes em Save Me e River of Tears. Ótima música com final bem bacana.

A iniciativa de Jørn Lande de se aventurar em uma quase Rock Opera foi de grande valor. Tomara que a carreira dele continue assim, constante e com novas ideias, afinal, já é hora de definir um rumo para ela: vampiro, lobo solitário, hardão, pop…