Maldita Castilla EX: Cursed Castile

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Talvez a melhor característica dos jogos dos anos 80 e 90 seja a pureza da jogabilidade. Jogos clássicos precisavam ser diretos e comunicar claramente suas regras. Não existia o excesso de objetivos e bombardeio de informações que são tão comuns nos jogos atuais, e as centenas de aspectos diferentes que disputam a atenção do jogador simultaneamente.

Os jogos indie conquistaram o público nos últimos anos por serem desenvolvidos com este tipo consolidado de game design. Maldita Castilla é um deles. Lançado originalmente em 2012 para PC, em 2016 o jogo foi relançado para Xbox One e PS4 com novas fases, chefes e um subtítulo em inglês que significa exatamente a mesma coisa que o nome original em espanhol. É um pouco de humor com redundância, porque com o EX e o nome comprido, o título fica exagerado do jeito que os nomes de relançamentos da Capcom costumam ficar.

FEELIN’ GOOD OLD ARCADE

Maldita Castilla EX: Cursed Castile foi desenvolvido pelo estúdio espanhol Locomalito e possui esta leveza de jogos old-school, uma vez que é um plataforma onde você anda da esquerda para a direita, com apenas oito fases nesta versão (o original possuía seis) e totalmente linear, assim como o primeiro Castilevania. Passe de fase e você poderá jogar a próxima, mas não selecionar a anterior. O objetivo é sempre seguir em frente e, por ser um jogo extremamente curto e bastante difícil, incentiva a repetição até o jogador ter dominado perfeitamente todas as suas mecânicas, ao ponto de você conseguir terminar em 30 minutos o que originalmente levou três horas.

Em Cursed Castile, não há concessões a características de game design moderno, com exceção da conveniência de salvar o jogo: a ausência disso tornaria a experiência um pouco frustrante demais. Há checkpoints generosos em todas as fases. Se parar de jogar, é necessário recomeçar da última fase que jogou, ou seja, não é preciso começar desde o começo, como nos jogos antigos. Há ainda a possibilidade de sacrificar sua pontuação total para continuar a jogar depois de perder todas as suas vidas.

A jogabilidade é, basicamente, como o jogo Ghost ‘n’ Goblins. Não só a jogabilidade, como também os cenários e o seu personagem, Don Ramiro, parecem cópias idênticas dos elementos clássicos da Capcom. Quando você leva dano, seu personagem é empurrado para trás, sua vida é recuperada com pedaços de carne ou jarros, o ataque principal lança espadas em linha reta e não há upgrades, apenas power-ups, que oferecem adagas em três direções ou água benta, que é jogada em arco nos inimigos no melhor estilo Castilevania.

Uma característica deste jogo que não existia na maioria dos clássicos antigos é a possibilidade de atacar em quatro direções (cima, direita, esquerda e para baixo, quando pular), o que de fato traz um pouco de frescor e situações diferentes no jogo. Porém, não é possível atacar quando Don Ramiro está em escadas ou pendurado em correntes, uma mecânica básica até bastante comum e que poderia ter sido aplicada a Cursed Castile. Em uma parte da penúltima fase do jogo, algumas bolhas seguem o seu personagem e é necessário desviar delas sem poder atacá-las. Se elas encostarem em Don Ramiro, o cavaleiro é lançado para os espinhos. Cruel, esta seção exige sorte para passar e é o tipo de coisa que pode fazer muitos jogadores desistirem.

SALVE A PRINCESA! NÃO, MATE A BRUXA!

A história de Maldita Castilla é como a dos jogos do Mario: está lá apenas para criar um contexto geral para as suas ações, mas não é importante. Don Ramiro é um cavaleiro enviado pelo rei da Espanha, junto a outros três guerreiros, para impedir uma ameaça criada pelas lágrimas da bruxa Moura, que perdeu seu amor em uma guerra. O demônio Luzfarel utiliza as lágrimas para criar um portal mágico e liderar a invasão demoníaca.

O jogo é baseado em mitos e folclore espanhol, porém, é realmente difícil perceber essas influências porque os estágios, inimigos e itens são clichês de videogames, especialmente em jogos indie deste tipo. A trilha sonora e os gráficos são simples e um pouco menos memoráveis do que outros indies deste tipo.

Tudo que é feito em Maldita Castilla já foi feito várias vezes décadas atrás e, além disso, ele exige que você colete cinco lágrimas escondidas ao longo do jogo para jogar a última fase e ver o final bom, o que pode ser chato por não haver a possibilidade de retornar aos estágios antigos. Ainda assim, não há como negar que Maldita Castilla EX: Cursed Castile é bom, bem desenvolvido e executado, fácil de compreender na maior parte do tempo, e com a leveza de ser objetivo e manter o foco no próximo desafio. Pessoalmente, gosto muito deste tipo de game design.

Talvez houvesse menos espaço para jogos como Maldita Castilla EX: Cursed Castile se Ghost ‘n’ Goblins fosse remasterizado e disponibilizado facilmente a todos que têm interesse neste tipo de jogo. Ou talvez não, porque Maldita Castilla tem seu próprio charme. De qualquer forma, vou odiar sempre aquela parte das bolhas, delfonauta.

O QUE HÁ DE NOVO NA VERSÃO EX

Cursed Castile traz oito fases, 19 chefes, oito formas de visualizar a tela (tipo em widescreen ou não, com e sem scanlines), bestiário ilustrado com textos, quatro finais diferentes, áudio remixado e novas músicas.

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