Opeth – Pale Communion

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Lançado em agosto de 2014, o décimo primeiro álbum de estúdio dos suecos do Opeth veio para aprofundar a polêmica escancarada pelo álbum anterior, Heritage (2011). A grande marca da banda ao longo de sua discografia foi a união de elementos do death metal com melodias progressivas. O Heritage provocou um racha na base de fãs ao privilegiar tão somente o som mais progressivo e soterrando a faceta extrema dos suecos.

O Pale Communion repetiu, aprofundou e aprimorou a sonoridade do Heritage. É um disco de rock progressivo, mas um rock progressivo que pode soar pesado demais para os puristas do gênero e “Pink Floyd (ou Genesis ou Yes ou Jethro Tull) demais” para os puristas do heavy metal.

A trinca de abertura Eternal Rains Will Come, Cusp of Eternity e Moon Above, Sun Below resumem a proposta de Pale Communion: vocais limpos, solos virtuosos e melodias complexas. Destaque para os teclados tanto na faixa de abertura quanto na longa Moon Above, Sun Below. A comparação com Pink Floyd e Yes é inevitável nestas duas faixas.

Cusp of Eternity foi o primeiro single deste disco lançado pela banda e seu clima soturno caberia perfeitamente na trilha sonora de um filme de suspense/terror. Os vocais de Mikael Åkerfeldt são um dos pontos fortes do álbum, em especial nesta música.

Além de mastermind, compositor e produtor do disco, Mikael é um vocalista versátil. Principalmente quando comparamos este disco aos trabalhos anteriores do Opeth.

Outra característica marcante é a coerência das faixas entre si. Ao seguir por Elysian Woes, a instrumental Goblin, River e a faixa de encerramento Faith In Others; Pale Communion se apresenta como uma só música com uma hora de duração. E digo isso em um bom sentido, no sentido The Dark Side of the Moon da coisa, no sentido “escutar o álbum sempre do início ao fim parece ser a única forma correta” da coisa.

Pale Communion nada mais é do que segunda tentativa de reinvenção do Opeth e deixa um verdadeiro ponto de interrogação sobre os próximos álbuns da banda. É um trabalho maduro o suficiente para desafiar uma fórmula tradicional sem desrespeitar o legado de clássicos como Blackwater Park (2001), Damnation (2003), Ghost Reveries (2005) e Watershed (2008) e merece figurar nas listas de melhores lançamentos de 2014.