Aposto que um dos filmes favoritos – se não for o preferido disparado – do diretor e roteirista Christian Gudegast é Fogo Contra Fogo, lançado por Michael Mann em 1995 e que, além de ser um dos melhores filmes policiais já feitos por Hollywood, também ficou famoso por ser o primeiro a juntar Robert De Niro e Al Pacino (ambos já haviam feito O Poderoso Chefão II, mas não dividiram nenhuma cena).

Digo isso porque fica bem clara a influência e inspiração para este Covil de Ladrões desde seus primeiros minutos. Mas também não é preciso ter visto o longa de Michael Mann para poder apreciar plenamente este aqui. Ele ainda se sustenta sozinho, mesmo tendo tirado bastante coisa da produção dos anos 90.

A história é a seguinte: uma gangue de assaltantes de banco altamente eficientes está assolando Los Angeles. O Gerard Butler é um policial de métodos e moral nada ortodoxos, líder de uma equipe incumbida de pegar os caras. Daí é polícia contra bandido.

Delfos, Covil de Ladrões, CartazTudo é muito parecido com o filme de Michael Mann, desde o enredo, passando pela estrutura de roteiro, ao modo como a ação e os tiroteios são tratados de forma mais realista e menos cinematográfica. Isso fica claro logo no começo, com o assalto ao carro-forte.

A parte mais espetaculosa fica a cargo de quando a gangue decide roubar o equivalente estadunidense ao Banco Central, um lugar tão vigiado e protegido que muitos já tentaram, mas ninguém conseguiu invadir com sucesso. Daí ele entra naquela pegada mais de filme de assalto, com o planejamento e a execução de um plano mirabolante.

Também vale a pena dizer que ele não é um filme de ação. Ele tem poucas sequências de ação e é muito mais focado naquela guerrinha psicológica entre o Gerardo Mordomo e o líder da gangue, com um provocando o outro esperando que o oponente cometa algum deslize.

Isso pode afastar quem quer apenas umas explosões e uns pipocos descompromissados, mas para quem curte um policial mais denso, levado pela história e pela construção de personagens, ele se encontra acima da média recente.

Pena que não resistiu a dar uma totalmente desnecessária reviravolta no final, inclusive passando de um ponto natural de desfecho. Não precisava disso e acaba indo meio que contra o tom de tudo que havia feito até então. Esse final é tão bobo que acabei obrigado a tirar meio Alfredo da nota do filme.

Delfos, Covil de Ladrões
O Gerard Butler vai pegar você!

E já que passei a resenha inteira falando das similaridades de Covil de Ladrões com Fogo Contra Fogo, taí uma coisa que ele podia ter copiado da obra de Mann, um bom final, sem viradinhas bestas e desnecessárias.

Enfim, enquanto o longa de Michael Mann já é um clássico do gênero, este aqui não vai chegar lá, mas pode ser considerado como uma homenagem de respeito, que foi a forma como eu optei por enxergá-lo. E como disse mais acima, está acima da média recente do gênero. Se você gosta deste tipo de filme, sem dúvida vale a assistida.