Ben-Hur

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Em 1959, o filme Ben-Hur foi lançado e fez todo mundo pirar na batatinha. Trata-se de um épico deveras épico em sua epicidade, com três horas e meia de duração e aquela que viria a ser uma das cenas mais famosas do cinema. Você sabe, aquela que provavelmente é a responsável por você e eu sabermos o que diabos são bigas.

A influência do filme e da cena em questão é imensurável, e a obra acumulou prêmios, incluindo 11 Oscars. Até o sempre referenciado Star Wars fez uma referência para chamar de sua à cena do clássico. Ou vai dizer que você não lembra da corrida de pods?

Considerando que hoje em dia até filmes recentes como Homem-Aranha e Capote já ganharam seus remakes, diria que demorou para ganharmos uma nova versão de um clássico de tamanha importância.

BROTHERS OF METAL

Aqui conhecemos a história de Judah (Jack Huston), o Ben-Hur do título. Ele é um judeu de família nobre, e tem uma amizade muito forte com o irmão adotivo Messala (Toby Kebbell). Messala, no entanto, não se sente confortável com as diferenças sociais da relação e resolve se juntar ao exército romano para fazer seu pé de meia. “Eles pagam bem”, exclama no diálogo de despedida com seu bro.

Os anos se passam. Messala cresce nos rankings dos guerreiros romanos e Judah abre mão de sua nobreza para casar com seu amor de infância. O clima político é tenso como o Brasil de 2016, pois Roma está invadindo e dominando boa parte do mundo, o que obviamente gera muitos rebeldes lutando para preservar sua cultura e suas terras.

Finalmente, o exército comandado por Messala chega à cidade e fofoca vai, fofoca vem, Judah é acusado de traição e separado de sua família. Anos depois, ele volta, levando o Morgan Freeman a tiracolo e nutrindo um desejo de vingança muito forte não apenas contra os romanos, mas contra aquele que um dia chamou de irmão.

DRINK TO YOUR BROTHERS, WHO ARE NEVER TO FALL

A história não traz novidades. Ela segue direitinho todos os caminhos que você acha que vai seguir, mesmo que não tenha assistido ao clássico dos anos 50 e nem lido o livro no qual ele foi baseado.

Além disso, e mais grave ainda, ele se utiliza com frequência de cenas que todos nós já vimos muitas vezes. Da famosa “de virada é mais gostoso” àquela tradicional em que um personagem fala que se não fizerem o que ele fala vai dar errado, e daí é claro que dá errado, a sensação é de que já vimos este filme antes.

Para completar, ele se utiliza daquela forma narrativa que já critiquei muitas vezes aqui, de começar pelo final. No caso, a primeira cena dá um gostinho da corrida de bigas que só vai aparecer no clímax do filme. Fico pensando, se fizéssemos um novo remake de Psicose hoje em dia, será que o filme ia começar com a cena do chuveiro? Seria ao mesmo tempo triste e óbvio.

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No entanto, apesar de um roteiro sem novidades, em nenhum momento Ben-Hur parece ser um filme ruim. Pelo contrário, aliás. É tudo tão épico, tão grandioso, tão cheio de espetáculo, que é difícil não se divertir.

Quando finalmente chega a hora da corrida de bigas, o bicho realmente pega. A corrida é visceral, muito mais violenta e perigosa do que eu sempre imaginei que fosse. É uma cena longa e muito bem construída, que empolga e finaliza o filme da forma épica que ele merece, em mais um excelente trabalho de direção do sempre estiloso Timur Bekmambetov (de O Procurado).

AMAI-VOS UNS AOS OUTROS

O filme também conta, em segundo plano, parte da história de Jesus Cristo (interpretado pelo brasileiro Rodrigo Santoro), que parece bastante solta e sem importância para a trama principal, apesar de ele se encontrar com os protagonistas em alguns momentos.

Considerando que estamos assistindo a mais um filme sobre vingança, à história de um fulano que quer matar um ciclano, é fácil imaginar como o filme termina, especialmente a julgar pela forma sem surpresas que a história foi contada.

Pois o final dá uma viradinha tão incomum em blockbusters hollywoodianos que acaba dando a tudo que veio antes um bem-vindo frescor, encerrando a história de uma forma realmente legal. Vou evitar fazer comparações com o original aqui para manter a resenha livre de spoilers, mas delfonautas mais escolados já podem ter sacado do que gostei tanto.

Desta forma, temos no novo Ben-Hur um blockbuster hollywoodiano sem muita criatividade, mas com um final legal e um audiovisual estiloso. Se o filme lhe interessa, recomendo assistir em uma sala de tela enorme e alta qualidade de som.