A Possessão do Mal

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Os filmes de terror sobre possessões parecem ser bem populares entre o público tupiniquim. Afinal, de uns tempos para cá, aparece um desses praticamente todo mês em nossos cinemas, ou ao menos essa é a impressão que me dá. Daí, até mesmo os exemplares mais obscuros como este A Possessão do Mal encontram seu lugar ao sol em nossas telas exibidoras.

Pior que este aqui até tem uma premissa bacana. O Michael King do título original é um documentarista cuja esposa morreu. Ainda abalado, ele resolve que em seu próximo filme ele irá provar que todos e quaisquer rituais paranormais não passam de balela. Passa então a entrevistar gente do porte de demonólogos e necromantes, por exemplo, e usa a si mesmo de cobaia em seus rituais, tudo para mostrar que nada disso é real.

Só que daí não é muito difícil adivinhar que era melhor não mexer com certas coisas, pois um desses rituais dá certo e alguma entidade profana pega carona no corpo de Michael, que a partir daí passa a documentar com suas câmeras todo o processo de sua possessão.

O começo do filme é legal, promissor até, com o cético Michael entrevistando essas figuras do submundo do paranormal e se dispondo a participar dos ritos para conjurar demônios e espíritos dos mortos, gerando as passagens mais interessantes de todo o longa.

Depois que ele pega seu passageiro indesejado, no entanto, tudo descamba para um filminho de terror para lá de chumbrega, parecendo mais um refugo da série Atividade Paranormal que qualquer outra coisa. Impressionante como a ideia de susto da produção é apenas dar picos nos efeitos sonoros, algo que beira o insuportável, e “dar defeito” nas câmeras digitais do personagem sempre que a entidade se manifesta.

É um dos truques mais baratos e menos eficazes da cartilha das produções estilo found footage. E convenhamos, essa estética de imagens encontradas já deu o que tinha que dar assim que os créditos finais de A Bruxa de Blair rolaram em 1999. Eu não tenho mais paciência pra isso.

Ao menos nenhum gato pula de trás de uma porta, mas ainda assim, no quesito terror, que é o que realmente importa numa produção do gênero (acredito eu), o negócio deixa muito a dever, sendo bastante genérico, principalmente para quem já assistiu a inúmeros outros filmes sobre possessões, exorcismos e congêneres.

Assim, se você é macaco velho e não tem mais saco para produções de horror chinfrins, nem perca tempo com esse negócio. Para a molecada mais nova que cresceu com a série Atividade Paranormal e a acha algo de dar calafrios, pode até ser que este A Possessão do Mal acabe agradando. Ainda assim, talvez melhor mesmo seja esperar para ver qual filme sobre possessão estreará mês que vem. Talvez seja um exemplar mais apetitoso.

REVER GERAL
Nota
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Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.