Ah, os remakes de videogames. Muitas vezes, são desnecessários e apenas “pintam por cima” do que já era bom. Outras vezes são extremamente necessários, e criam praticamente um jogo novo baseado na experiência original. Por fim, tem aqueles que até têm espaço para mexer, mas se mantém com uma fidelidade assustadora à experiência originalFatal Frame II Crimson Butterfly Remake é dessa última categoria.

Mas permita-me ser claro. Eu não joguei o original, lançado em 2003. Então se você me contar nos comentários que estou errado e o jogo foi muito modificado, até acreditaria em você. Mas neste caso a dúvida que fica é: como é possível que tenham mudado tanto o jogo e ainda assim lançado um troço chato e datado?

FATAL FRAME II CRIMSON BUTTERFLY REMAKE

Crimson Butterfly Remake funciona como um jogo de mais de 20 anos atrás. Ele é chato, enrolado e pouco explicativo. Seus objetivos em geral são coisas como “encontre a chave para o cadeado X”, mas dificilmente tem alguma coisa mais clara do que isso. Sim, eventualmente, as tais borboletas escarlate aparecem e basta segui-las, mas em geral as fases são grandes e abertas demais para ser simplesmente muito fácil se perder ou ficar andando a esmo.

Mas o que mata mesmo é o combate. Este talvez seja o aspecto mais criativo da série Fatal Frame. Você sabe, ao invés de armas e instrumentos de morte, você se defende dos fantasmas tirando fotos. O problema é que as fotos tiram muito pouca vida e demoram muito para recarregar. Assim, qualquer lutinha contra um fantasma genérico acaba sendo uma maratona de 10, 15 minutos. Eu gosto de jogos de ação. Gosto de dar porrada e pipocos. Mas se cada inimigo vira um chefe, a coisa simplesmente fica arrastada demais. Eu passei a lutar apenas quando não tinha opção e, quando tinha, passava correndo por todos os fantasmas do cenário, simplesmente porque meu tempo de vida vale mais do que isso.

Curiosamente, eu joguei uns anos atrás o Maiden of the Black Water e, embora não tenha me empolgado tanto quanto esperava, consegui jogar até o final e me divertir. Mas este relançamento de um capítulo anterior é simplesmente arrastado e pentelho demais para conseguir jogar tanto, mesmo sendo relativamente curto para os padrões de hoje.

CRIMSON BUTTERFLY REMAKE

Fatal Frame II, Crimson Butterfly, Koei Tecmo, Team Ninja, Delfos
Olha esse granulado, meu!

Acredito que o gameplay e o level design se mantém exatamente como eram em 2003. Se há mudanças, devem ser pontuais e pouco relevantes. Então o visual é realmente o que ganhou o maior capricho. E sim, o jogo é visualmente bonito. Certamente parece um game moderno, se não exatamente um top de linha. Mas o visual causa estranhamento pela enorme quantidade de granulado que apresenta. Normalmente os jogos que escolhem usar granulado para simular o visual de filme colocam uma opção para desligar. Aqui, no entanto, o granulado é a primeira coisa que você percebe quando o jogo começa e simplesmente não dá para desligar.

Tirando isso, o jogo é bonito, os fantasmas são legais e eu gosto da criatividade geral apresentada no design dos personagens. O visual é muito escuro, no entanto, então para curtir sua beleza, certifique-se de subir o brilho nas opções. Mas a verdade é que não há muito aqui para chamar quem não tem uma relação afetiva prévia com o título. Fatal Frame II Crimson Butterfly Remake até pode chamar a atenção por ser um remake de um jogo que muitos querem jogar. Mas sua reverência ao material original não lhe faz favores. Muito pelo contrário.