Levante a mão se você já ouviu falar de Kao the Kangaroo! É uma série de plataforma 3D com bichinhos que saiu entre 2000 e 2005. Hoje está sendo lançada uma nova aventura. É um reboot, um novo game que reinicia a história do mascote. E o nome é o mesmo do primeirão. Venha comigo nessa análise Kao the Kangaroo.

ANÁLISE KAO THE KANGAROO

Kao the Kangaroo, esta versão de 2022, pelo menos, é um jogo de mascote bem tradicional. Ele tem uma estrutura que remete a Spyro, e um gameplay que envolve pular, explorar e catar trecos. Talvez o ponto mais diferente seja o combate.

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Como previamente estabelecido na cultura pop, todo canguru fofinho deve ser um boxeador. Assim, Kao usa luvas de boxe conscientes (elas conversam com ele) e enche seus desafetos de sopapos.

Não espere aqui o combate elaborado e cheio de combos de um beat’em up, mas uma versão simplificada disso – e bem diferente do combate de um Super Mario ou Kirby. Você ataca com socos e, ao encher a barra roxa que fica embaixo dos corações de vida, pode dar um super ataque em área apertando o triângulo (no PS5).

É uma mistura interessante. Kao the Kangaroo não vai matar suas saudades de Streets of Rage. Mas ao trazer elementos desse tipo de combate a um jogo de plataforma tradicional, acaba formando uma amálgama interessante.

PLATAFORMA TRADICIONAL

E tradicional ele é, meu camaradinha. Lembra quando o comparei com Spyro? Pois é, Kao the Kangaroo não é um coletaton como Yooka-Laylee, mas tem sua progressão limitada por colecionáveis.

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Assim como Spyro, cada novo mundo é um mapa aberto cheio de coisinhas para pegar e um punhado de fases tradicionais. As fases são liberadas por runas que você pode coletar na área aberta, mas também durante as próprias fases. Para liberar o chefe final, você precisa pegar 48 das 50 runas disponíveis, então ele é bem mais exigente do que o tradicional. Porém, jogando de forma relaxada e casual, eu encontrei todas as runas sem precisar de guias e sem travar em nenhum momento. Então imagino que, com um pouco de exploração e curiosidade, dá para acabar numa boa.

As fases envolvem explorar caminhos lineares e coloridos, com muito pula-pula e bate-bate. Outra novidade que ele traz ao gênero são as “luvas elementais”. Pegando uns trocinhos espalhados pelo caminho, você carrega sua luva com coisas como fogo ou gelo. Mas peraí, deixa eu criar um novo intertítulo que o SEO tá começando a chorar.

PRONTO, SEO, PASSOU, PASSOU…

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Luvas de fogo e andando com as orelhas.

Essas luvas turbinadas servem para abrir caminhos. Muitas vezes opcionais, contendo colecionáveis, mas é comum que seja a rota principal também. Acontece com frequência de você encontrar uma porta de gelo ou uma teia de aranha que exige uma carga de fogo para passar.

Isso não afeta o combate. Um soco com a luva de fogo tem o mesmo poder da luva de gelo, que por sua vez é igual à sem elemento algum. É um gameplay usado exclusivamente para locomoção e exploração.

ANÁLISE KAO THE KANGAROO É DELICINHA?

Sim e não, amigo delfonauta. O jogo é, sim, bem gostoso. Seus cenários brilhantes e coloridos funcionam como deliciosos parques de diversão, onde você pode explorar e brincar. Porém, o gameplay não é tão redondinho e agradável quanto um jogo da Nintendo.

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Para começar, tem alguma coisa errada com o combate. Em especial com as hitboxes. É comum que a animação mostre você acertando um soco, porém o jogo não registra o ataque. Isso acontece especialmente quando você ataca coisas paradas para tirar tesouros, como as tradicionais jarras ou checkpoints. Além disso, Kao the Kangaroo é muito cru tecnicamente.

ANÁLISE KAO THE KANGAROO E A CRUEZA TECNICAL

Acontece muita coisa em Kao the Kangaroo que não devia acontecer. Por exemplo, sempre que você retorna de uma fase secreta, a música desaparece. Sempre. E não é nem o caso de termos aqui uma trilha sonora realmente especial, mas pular e pegar tesouros ouvindo uma música feliz é parte do que deixa esse gênero tão gostoso. Sem música, fica um tanto entediante.

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Isso quando não acontecem coisas mais graves. Exemplo: quando fui dar o golpe de misericórdia no chefe final, meu canguru atravessou o chão e foi parar no andar de cima. Eu dei um jeito de descer, mas fiquei preso no campo de força do chefe, sem poder atacar nem sair dali. Tive que recomeçar a batalha. Felizmente, a batalha em si não foi difícil (Kao the Kangaroo é bem fácil em geral), mas nunca é legal fazer algo pela segunda vez. Especialmente após um problema técnico que não deveria acontecer.

Em outras fases, você deve usar as luvas elementais para mover plataformas. Eu fazia isso, a carga elemental era consumida, mas a plataforma não se movia, tornando o progresso impossível. Nesses casos não tinha nada a fazer a não ser me matar e torcer para funcionar na próxima vez. E Kao the Kangaroo tem limite de vidas.

LIMITE DE VIDAS E PUNIÇÃO PARA FRACASSO

Kao the Kangaroo é bem fácil. Fácil mesmo. Ele não dá tantas vidas quanto um jogo da Nintendo, mas ao mesmo tempo você morre muito menos. Para morrer, precisa gastar todos seus corações. E cair em um buraco tira apenas um coração.

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Porém, a coisa fica um tanto frustrante. Cair em um buraco ou morrer te coloca de volta no checkpoint. O problema é que tudo que você pegou desde o checkpoint (dinheiro e diamantes) é perdido. O dinheiro não aparece mais, então é perda total. E os diamantes devem ser coletados novamente.

Esse é o tipo de coisa que não deixa o jogo mais difícil, já que o dinheiro é usado basicamente para comprar skins e alguns poucos upgrades bem baratos. Porém, faz com que cair em um buraco seja desnecessariamente frustrante, sabe? Já seria chato ter que coletar tudo de novo, como normalmente acontece no gênero. Mas tirá-las do seu inventário e ainda impedi-las de reaparecer é de uma pentelhação desnecessária. Sou da escola de design que colecionáveis devem ser permanentes. Uma vez coletados, você não os perde mais. E tem muito jogo de plataforma recente que funciona assim.

CAÔ, O CANGURU

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Aposto que você lembrou de Crash com essa imagem.

Kao the Kangaroo faz muitas coisas legais. Suas cutscenes, por exemplo, são totalmente animadas e faladas, algo realmente raro em jogos de plataforma. Temos aqui um jogo gostoso, que peca pelos seus problemas técnicos frequentes. Tenho a sensação de que tudo isso pode ser resolvido com patches, mas é aquela coisa… por que lançar antes de estar pronto?

Mesmo funcionando corretamente, não dá para dizer que Kao the Kangaroo é melhor do que SpyroCrash ou, especialmente, os feitos pela Nintendo. Mas é bom o suficiente, em um gênero com pouca concorrência. Assim, sem dúvida é algo que os fãs dos pula-pulas em 3D vão querer conhecer.