Eu disse na resenha de Sobrenatural: A Origem que continuar a franquia após o segundo filme era a raspa do tacho. E mantenho o que falei. Esta nova iteração, Sobrenatural: A Última Chave, é tão dispensável quanto seu antecessor. A única coisa boa é que ele ao menos é superior ao malfadado terceiro longa.

E como as coisas continuam clichê também no novo filme, agora a coisa é pessoal! E é pessoal mesmo, visto que a médium Elise Rainier (Lin Shaye) e sua dupla de  assistentes engraçadões (Leigh Whannell e Angus Sampson) pegam um novo caso de atividade paranormal que ocorre justamente na casa de infância de Elise.

Assim, conhecemos um pouco mais do passado dela vendo partes de sua juventude atormentada, visto que ela já possuía seus dons de ver gente morta desde criancinha.

Delfos, Sobrenatural: A Última Chave, CartazE também sua investigação voltando à antiga casa tantas décadas depois, e se deparando com mais uma presença insidiosa, demoníaca mesmo, habitando o imóvel e que, como todo filme de terror sem imaginação que se preza, tem ligação com seu passado.

Enfim, se as tentativas de evitar clichês do gênero e tentar fazer algo diferente como era pretendido pelas duas primeiras partes, definitivamente foram para as cucuias, ao menos ele não é tão genérico quanto o terceiro.

Embora ele tenha alguns sustos puramente baseados no aumento da trilha sonora, alguns outros são mais criativos e funcionam bem. O demônio que habita a casa, feito com maquiagem e não em CGI, também tem um visual legal, só é pena que apareça tão pouco.

Contudo, é preciso dizer que ele funciona muito melhor quando abraça o humor ao invés dos sustos e da tensão. Mais uma vez a dupla de investigadores paranormais que acompanham Elise rouba a cena e garantem os momentos engraçados do filme. Na realidade, ele arranca até mais risadas do que sustos, no fim das contas.

Delfos, Sobrenatural: A Última Chave
Elise e seus assistentes/comediantes.

Ei, talvez ele não seja tão funcional assim como terror, mas é melhor garantir algumas risadas do que tirar apenas bocejos do espectador. Eu conto seu bom-humor como um ponto positivo. E eu assistiria fácil a um programa tipo Ghost Hunters estrelado por essa dupla.

Mas, voltando ao que de fato interessa, A Última Chave acaba resultando desregulado entre tentar equilibrar o lado mais criativo das duas primeiras partes com os sustos e situações mais comuns do terror mainstream, incluindo a própria terceira parte da série. Não é um filme essencial (aliás, pode ser assistido numa boa por quem nunca viu um dos anteriores), mas até que tem seus momentos. Fãs da franquia podem querer dar uma conferida, desde que tenham em mente que os melhores dias da mesma já ficaram para trás faz tempo.