Sobrenatural: A Origem

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O primeiro Sobrenatural foi um filme de assombração inesperadamente bom. Tanto que o considero uma refilmagem de Poltergeist muito melhor do que o próprio remake oficial. Já o segundo não foi tão bom, mas serviu para fechar a história da família atormentada por fantasmas.

Só que como hoje tudo que dá dinheiro vira uma trilogia, a coisa não podia parar na parte dois. Mas com a história concluída, o que fazer? Muito simples, uma prequência, amiguinho. Agora você poderá ver em primeira mão a origem daquela velhinha médium do primeiro e como ela veio a fazer a parceria com aqueles dois caça-fantasmas engraçadões. Pois é, raspa do tacho total.

Ao mesmo tempo, ela irá ajudar uma jovem que, ao tentar contatar a mãe recém-falecida, acaba inadvertidamente convidando uma presença maligna para adentrar sua casa e se atrelar a ela. Tudo muito padrão e muito pouco interessante, e esse é o grande problema deste Sobrenatural: A Origem. Ele é muito chocho.

Me lembro de ver uma entrevista na TV com James Wan e Leigh Whannell, a dupla criadora, onde eles falavam que a inspiração para o primeiro era evitar os clichês mais desgastados do gênero. Tipo, se sua mulher fala que a casa está assombrada, e você vê coisas inexplicáveis acontecendo, você não tenta refutar, ao invés disso faz o sensato e sai imediatamente de lá, coisa que de fato acontece naquela película.

Pois se o original tinha essa louvável intenção de sair do lugar-comum do terror sobrenatural, o segundo já ficou mais preocupado apenas em amarrar a história e este aqui então não apresenta nada de diferente, ficando mais do que confortável apenas em requentar os velhos chavões do estilo, perdendo tudo de legal que o primeiro tinha e virando apenas mais um longa pra lá de comum.

Sem o diretor James Wan, ocupado em comandar Velozes e Furiosos 7, o roteirista e ator Leigh Whannell assumiu também a direção. Contudo, se ele não entrega um comando criativo, também não compromete. E, no fim das contas, o grande problema é mesmo o roteiro. Claramente fica a impressão de que não havia história para uma terceira parte e ele teve que criar qualquer coisa porque o estúdio insistiu numa trilogia.

Então estão lá os sustos genéricos (embora alguns, a bem da justiça, até que funcionam), o mistério a ser resolvido e, claro, como se encaixam os eventos que cronologicamente levam ao longa original. E também ficamos sabendo de onde saiu a dupla de caçadores de fantasmas (sendo um deles interpretado pelo próprio Leigh Whannell), responsáveis pelos melhores e mais engraçados momentos do filme. Só é pena que eles apareçam muito pouco.

Esta é uma franquia que foi perdendo força ao longo do caminho e chega ao seu final (será mesmo?) de forma melancólica, sendo apenas mais um produto genérico no mar da mediocridade do gênero. Pode ser que agrade a galerinha mais nova e quem gosta de coisas como a série Atividade Paranormal, mas no fim das contas é apenas mais um filme nada.

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Nota
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Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.