The Fall

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Amigo leitor, permita-me começar esta resenha com uma historinha sobre os bastidores do jornalismo.

Para podermos resenhar os últimos lançamentos dos games, estamos em contato constante com as desenvolvedoras. Normalmente manifestamos nossa vontade em escrever um review e elas nos mandam uma cópia do jogo. Em alguns casos, como a Double Fine, eles são consideravelmente mais simpáticos, e não apenas mandam jogos para analisarmos, mandam jogos até para você. Sim, você mesmo, Birimbeto, que ganhou a nossa promoção de Grim Fandango. =]

Em geral, no entanto, o que eles precisam fazer é apenas verificar que o site existe. No caso deste The Fall, no entanto, foi diferente. A desenvolvedora escreveu de volta dizendo que só enviam jogos para quem tem mais de X curtidas no Facebook e para eu enviar um link comprovando se era o caso do DELFOS.

Ora, curtidas no Facebook não significam nada a não ser que o site usa bem essa rede social específica. E eu sei, a gente aqui do DELFOS não tem a página mais animada da rede do tio Zuckerberg (uma das muitas dificuldades de ser totalmente indie e conciliar o trabalho no DELFOS com empregos de gente grande), mas por um acaso tínhamos muito mais curtidas do que eles exigiram. Aliás, tínhamos bem mais curtidas até do que a fanpage da desenvolvedora.

A atitude deles é deprimente. Lá estou eu, oferecendo divulgação gratuita para um jogo que a maioria dos sites vai simplesmente ignorar e eles ficam em dúvida se devem ou não aceitar a divulgação. Caramba, se alguém quer escrever sobre o DELFOS e solicita falar comigo, não interessa se é um estudante de jornalismo ou uma rede de televisão, eu vou atender da mesma forma e com o mesmo cuidado. Afinal, eles estão oferecendo divulgar o meu trabalho, então dane-se o uso que estão fazendo de redes sociais.

Sinceramente, considerei não responder mais a eles. Afinal, se este joguinho indie está com ares de grandeza, tem gente da WB Games ou da CD Projekt Red querendo aparecer por aqui, e uma resenha desses jogos chamam muito mais leitores.

No final das contas, nosso objetivo é cobrir a maior quantidade dos lançamentos que podem interessar ao nosso estimado público, então acabei mandando o link comprovando nossas numerosas curtidas.

VAMOS À RESENHA

The Fall tem uma premissa deveras interessante. Uma queda misteriosa faz com que um sujeito caia em uma localização desconhecida. Ele está desacordado, e isso ativa a inteligência artificial do seu traje, cujo objetivo é proteger a vida de seu piloto, que está precisando de cuidados médicos. Você controla esta IA.

Temos aqui alguma coisa entre um adventure tradicional e um jogo de exploração, com leves pitadas de ação. Basicamente, o que você vai fazer ao longo da jogatina é explorar a instalação na qual você caiu na tentativa de escapar e levar o piloto até alguém que possa prestar socorro.

Rola até uns upgrades, mas para ativá-los, você precisa colocar a vida do seu “dono” em risco. E fazer isso da forma correta acaba sendo um puzzle bem interessante por si só.

Em geral, as soluções são bem na linha dos adventures clássicos. Procure pelo que dá para interagir. Pegue tudo que conseguir. Tente usar os itens nos mais variados lugares esperando que algo aconteça.

O visual e o gameplay são sidescroller 2D, o que o deixa um tanto parecido com o relativamente recente The Cave. Já a história, de uma enorme instalação na qual algo horrível parece ter acabado com toda a vida humana por ali, lembra bastante Portal. Não espere por muito humor, no entanto. Até rolam algumas piadas, mas nada tão onipresente quanto em Portal.

Tem um computador com quem você conversa quase o jogo inteiro que é bastante simpático e acaba servindo como única companhia em um jogo cujo objetivo é fazer você se sentir isolado.

Isso é refletido no design opressor e no visual escuro, bem como num design de som minimalista e bem cuidado. Não dá para negar, The Fall não é exatamente um jogo bonito, mas ele consegue atingir seu objetivo.

Ah, e tem também momentos de ação, que envolvem se esconder atrás de objetos ou usar de camuflagem e esperar a hora certa de atirar. É bem simples e nada muito desafiador ou emocionante, mas serve para variar um pouco e dar uma acelerada em um jogo que é bem quieto e lento na maior parte do tempo.

Uma outra coisa que me chamou a atenção é que você logo recebe um objetivo: passar por oito testes, onde cada um é um elaborado puzzle. Normalmente, em jogos, quando você completa um objetivo, outro aparece e assim vai indo. Aqui o interessante é que este é basicamente seu objetivo no jogo. Terminados os oito testes, The Fall é encerrado. Com a frase “Continua…” estampada na tela, mas é encerrado.

A QUEDA

The Fall é um jogo interessante, com uma premissa forte e um design idem. No entanto, não empolga muito e está bem longe de poder ser considerado imperdível. A inexistência de um final para a história também não ajuda, mas se você gosta de resolver puzzles elaborados, vale uma investida.

PS: Já curtiu a página do DELFOS no Facebook? Curta lá e nos ajude a mandar desenvolvedoras cabeças de mamão ouvirem pagode! =]

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