Dracamar é um jogo de plataforma 3D que merece, sim, a alcunha de delicinha. Mas não se engane. Não chega ao sabor cuidadosamente temperado de algo feito pela Nintendo. Eu tinha sinceramente a sensação de que este era o primeiro jogo da desenvolvedora, mas não, eles já fizeram bastante coisa antes. Inclusive coisas analisadas aqui. Talvez seja seu primeiro game em 3D e, como sabemos, isso deixa tudo realmente mais difícil. E, apesar de os gráficos deixarem a falta de orçamento clara e o jogo estar tecnicamente um tanto cru, ele se dá bem no que realmente importa.
REVIEW DRACAMAR
Há alguma história aqui, mas ela é bem básica. Tem um malvadão corrompendo os bichinhos fofos e você precisa vencê-lo. Para isso, você pode escolher qualquer um dos três heróis, e trocar entre eles em qualquer checkpoint. Porém, são exatamente iguais, basicamente skins. Até mesmo as poucas frases que eles falam são as mesmas. Mas sinceramente, eu acho isso bom, pois você não precisa ficar alternando entre eles durante a fase, a não ser que deseje.
As fases são um tanto diferentes do jeitão Nintendo. Há apenas 15, mas são realmente longas, e têm centenas de itens para pegar (nem todos registrados na tela final). Há bastante exploração, com muitos caminhos secundários que levam a itens extras, além de upgrades que costumam estar no caminho principal. Alguns desses upgrades ficam com você para sempre, outros só podem ser usados na mesma fase.
Curiosamente, no início Dracamar não parece ser um jogo linear. Ele tem caminhos pré-estabelecidos, mas em vários momentos no início há dois ou mais caminhos com setas, que parecem levar ao final. Depois disso, ele parece começar a focar da forma que deveria: as setas mostram o caminho principal, e onde não tiver seta tem colecionável. Desnecessário dizer que meu TOC agradeceu muito essa mudança. Todos sabemos que a pior coisa que pode acontecer num jogo linear é você seguir o caminho certo acidentalmente e não ter mais como voltar.
POUCO DINHEIRO
Visualmente, Dracamar é bonito por ter cores bem vivas e desenhos bacaninhas. Mas tecnicamente ele mostra quão baixo foi seu orçamento. Os chãos, por exemplo, são da cor verde, sem texturas e detalhes. O jogo tem um estilo bastante low-poly, mas que não parece escolhido pela estética, mas por necessidade. Além disso, é um tanto quebrado, e olha que eu o joguei algumas semanas depois do lançamento.
No dia que escrevo esta resenha, 16 de maio, há um bonus game que simplesmente deixa a tela preta. Você pode voltar para o painel do Xbox e pelos sons acredito que até pode fazer alguma coisa no jogo em si, mas como eu nunca vi o jogo funcionando, não faço a menor ideia do que fazer. Quando o bonus game aparecia, eu ficava esperando ele voltar para o mapa, pois não consegui pensar em outra solução. Não, reiniciar o jogo não resolveu. Este é um problema do próprio jogo.
Outro que me incomodou, talvez até mais, é que os desenhos da cutscene final parecem ser cobertos por uma cor chapada. Você ouve a narração, mas não vê as imagens. Eu sei que está errado pois um desenho colorido e detalhado apareceu por meio segundo antes de ser coberto pela cor chapada. Nenhum desses problemas vai te impedir de jogar, terminar ou mesmo de pegar todas as conquistas, mas são coisas que incomodam. Fico realmente surpreendido por não terem visto estes problemas nos testes, já que são óbvios e acontecem sempre.
DRAGÃO DO MAR
Apesar dos problemas, Dracamar é divertido. As fases são bem legais, em especial depois que param de dividir os caminhos principais em vários. O pula-pula é bacana e o combate é inofensivo. O realmente gostoso é a movimentação, que vai muito além de pular entre plataformas. Você patina em trilhos, usa asa-deltas e guarda-chuvas. Os chefes também não cansam a paciência e seguem o estilo que eu gosto, de cair com três golpes.
Dracamar está longe de ser o melhor plataforma 3D do ano, mas certamente é gostoso o suficiente para fãs mais dedicados ao gênero se divertirem com ele.








































