Manairons é um plataforma 3D gostosinho. Mas não é realmente especial.  Embora o design de seus personagens seja bonitinho, o mundo e os gráficos são bem simples. O combate também está presente apenas para constar, já que acrescenta muito pouco ao jogo. Porém, o ato de pular, explorar e atravessar o jogo como um todo é suficientemente prazeroso.

REVIEW MANAIRONS

Aqui você escolhe controlar um gnomo ou uma gnoma. O principal charme do jogo é que, como os gnomos da vida real, eles são pequenininhos, e vivem no mundo dos humanos. Assim, tudo é grandão. As armadilhas, por exemplo, podem ser ratoeiras, enquanto simples galinhas são perigosas de verdade.

O poder dos gnomo vem de sua flauta. Afinal, ele pode usá-la para encher os gnomos do mau e os chefes de porrada. Mas também é um instrumento musical. Talvez este seja o ponto mais negativo do jogo para mim, alguém que tem memória diagnosticada medicalmente como fraca. Afinal, você aprende uma pá de músicas ao longo da campanha, cada uma com funções específicas, como mover coisas pesadas ou ligar máquinas.

O problema é que, no estilo Helldivers, cada uma dessas músicas exige uma combinação de botões específica. Elas até ficam marcadas no seu menu, mas não aparecem na tela em que você precisa apertar os botões. Assim, é necessário decorar a combinação da música que deseja no menu e repeti-la ao voltar para o jogo. Quando você escolhe uma música errada ou erra a combinação, precisa voltar ao menu para escolher outra. Fica bem desagradável e repetitivo. Pelo menos para mim. Uma forma de resolver isso e aumentar a acessibilidade seria você poder ativar no menu a música que deseja, e ou ela toca automaticamente, ou pelo menos mostra os botões na partitura. Talvez podiam seguir o estilo Helldivers e colocar todas as combinações na tela quando você escolhe tocar. Mas nada disso acontece até o momento.

PODERES DE GNOMO

Manairons, Jandusoft, Delfos

Apesar de não gostar de ativar estes poderes, o uso deles é até interessante. Um que libera próximo ao final, por exemplo, possibilita voar para partes mais altas das fases. Obviamente, como um jogo lançado em 2026, vários colecionáveis ficam escondidos até você ter os poderes que possibilitam chegar a eles. O jogo também traz sidemissions. Eu prefiro jogos sem sidemissions, mas Manairons coloca elas da melhor forma possível. O sistema de fast travel te diz onde elas moram e, se teleportando para lá, você consegue acesso a uma área da fase anteriormente indisponível. Então de fato está jogando algo novo, mesmo não fazendo parte da história.

O que me leva a um ponto curioso: Manairons é um plataforma 3D com influência de soulslike. Os saves são em pufes que dublam de fogueiras. Ou seja, eles recuperam seus recursos, vida e itens de cura, ao mesmo tempo revivem todos os inimigos. Também servem de fast travel. Como Manairons é uma aventura basicamente linear, isso não faz muita diferença, mas demonstra o nível de influência da From Software atualmente, mesmo em gêneros totalmente diferentes.

UP THE AIRONS

Manairons é um jogo que, devido à sua variação de gameplay, vai do delicinha ao irritante muito rápido. Quando foca em ser um plataforma 3D, é muito gostoso de jogar. Mas quando começa a flertar com outros gêneros, como na área de stealth em que você precisa andar sem ser visto por uma estátua gigante, é pentelho e irritante.

Como um todo, o veredicto ainda é positivo. Manairons é certamente uma boa recomendação para quem está faminto por mais plataformas 3D. Não vai ser o melhor que você vai jogar este ano, mas fãs do gênero não vão se arrepender de dar uma chance a ele.