Uma grande reclamação dos entusiastas do VR é quão raro são os jogos “de verdade”. Sim, tem um monte de coisa bacana do tipo high score chaser, como Pistol WhipSynth Riders ou o famoso Beat Saber. Mas todo mundo sente falta de games mais tradicionais. Temos Astro BotBlood & TruthHalf-Life Alyx e alguns poucos outros. E para se encaixar neste nicho, bem-vindo à nossa análise Hubris. Temos aqui um FPS/plataforma completo, com fases, história e movimentação livre.

ANÁLISE HUBRIS

Análise Hubris, Hubris. PS VR2, PS5, Delfos
Quem nunca enfiou o dedo no nariz de um NPC que atire a primeira pedra.

Hubris é bem completo em suas mecânicas. Tem, obviamente, tiroteios em terra. Mas tem também natação, combate aquático, pula-pula e escaladas. Este último bem naquele estilo de Horizon Call of the Wild. Sua história tem atores, animações próprias e até lore. Em outras palavras, Hubris é bem ambicioso. Talvez ambicioso demais para o seu orçamento.

A primeira impressão é ótima. A campanha começa com você saindo da sua nave em um lago, acompanhado por uma NPC. Logo você sai nadando, escalando, resolvendo puzzles. Combate demora um pouco mais para acontecer, mas logo você está matando a fauna local – e bem depois, outras pessoas.

Análise Hubris, Hubris. PS VR2, PS5, Delfos
Este belo cenário é um dos primeiros que você vê.

Os gráficos são legais, e o fato de você estar livre para explorar e ir para onde quiser (ainda que a campanha seja linear) ajuda muito na sensação de que este é um jogo tradicional. Ele parece um daqueles FPS de médio orçamento que rolavam de monte na geração do PS3/Xbox 360. Nunca tem a qualidade ou fidelidade de um Call of Duty, mas é um game de ação divertido, e o fato de ser um dos poucos representantes do gênero em VR ajuda muito a se destacar.

O LADO RUIM DO VR

Porém, o fato de Hubris ser totalmente controlado por movimentos também tem seu lado ruim. Coisas banais, como mexer em alavancas, são muito mais difíceis e instáveis do que deveriam ser. As escaladas, em particular, me parecem algo que o VR ainda não é capaz de fazer ser gostoso.

Análise Hubris, Hubris. PS VR2, PS5, Delfos
Alguém escalou por aqui.

Não gostei de escalar em Robinson, nem em Call of the Wild, e nem aqui. A câmera treme quando você está pendurado e qualquer movimento da mão que segura o cenário faz tudo balançar. É o mais próximo que Hubris chega de ser nauseante, ainda que seja em menor grau do que em Robinson Call of the Wild. Até porque o jogo tem muito mais coisa para fazer além de escalar.

O pula-pula funciona bem, com um pulo alto e fácil de controlar estilo Halo. O tiroteio não é dos melhores da categoria, mas é um daqueles casos que, por ser em VR, acabam ficando mais legais. Porém, também mais complicados do que o necessário.

ANÁLISE HUBRIS E O BANGUITI-BANGUITI

A princípio a jogabilidade parece ser bem planejada. É fácil sacar a arma ou itens de vida. Para recarregar, você precisa empurrar o cartucho da arma, o que é bem menos trabalhoso do que o exigido por Resident Evil Village, por exemplo. Porém, o movimento necessário faz com que um controle bata no outro, e por isso o reload nem sempre funciona como deveria. Outro problema é que, para você ver a mira, precisa segurar as armas com as duas mãos. E, de novo, ao tentar fazer isso, os controles colidem. Simplesmente não é confortável.

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O crafting é a pior coisa de Hubris.

Uma coisa que pode ser legal na teoria, mas na prática é sofrível, é o crafting exigido para os upgrades. Você precisa colocar, um a um, diversos itens na máquina de reciclagem. Daí ela solta umas cápsulas, que você precisa levar e colocar em outra máquina. Só então você pode chegar na “impressora” e mandar printar o upgrade. Seria muito mais prático que você pudesse simplesmente escolher a receita e ele tirava os itens do inventário, ao invés de ter que procurar por eles e colocá-los um a um na máquina. É, sinceramente, muito ruim. Além disso, para abrir o inventário, é necessário apertar seu punho esquerdo com a mão direita. E daí já sabe, controles colidem.

Em uma vez, eu passei vários minutos lentamente eliminando uma enorme onda de capangas contratados. Na base deles tinha uma máquina de upgrades, então resolvi parar lá para fazer um crafting. Dez minutos de crafting depois, saio dali todo pimpão com duas novas armas e um turret me mata imediatamente. O último save era antes do combate, o que significa que eu perdi todo o combate e todo o tempo que gastei planejando e montando os upgrades. Eu quase parei de jogar aí. O que me leva a outro problema: os checkpoints são inconstantes, às vezes rolando várias vezes por minuto e outras exigindo combates longuíssimos sem pausa ou espaço para errar.

ANÁLISE HUBRIS: UM FPS EM VR

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Então assim… eu tive problemas. Hubris está longe de ser uma experiência polida e agradável o tempo todo. Mas ao mesmo tempo, é uma experiência que não é comum termos em VR hoje em dia. É o tipo de jogo que esperávamos que a Activision, a Capcom e a Sony fizessem de montão, aproveitando a disponibilidade do VR para o público geral.

Porém, o VR ainda é nicho. Poucas pessoas têm, o que torna a existência de jogos de alto orçamento raríssimos. É uma situação tipo “o ovo e a galinha”. Com mais jogos assim disponíveis, teríamos mais gente comprando VR. Mas não existem mais jogos assim porque não tem jogadores suficientes em VR. Não à toa, uma das melhores experiências do PS VR1 é o Resident Evil 7, e uma das melhores do PS VR2 até o momento é Resident Evil Village. Tirando Half-Life Alyx, que eu ainda não tive oportunidade de jogar, esses jogos são quase únicos.

Hubris é um dos que tenta chegar perto disso. E eu admiro a vontade e a ambição. É um jogo com falhas, mas pode também ser uma das experiências mais impressionantes e imersivas que estão disponíveis no PS VR2. Eu recomendo. Com ressalvas, mas recomendo.