Sabe, eu acho que joguei pelo menos um pouco de Super Meat Boy. Acho, do verbo “não tenho certeza”. De qualquer jeito, ele nunca me chamou muito a atenção. Essa ideia de um plataforma de precisão extremamente hardcore simplesmente não é algo que me apetece. Curiosamente, Super Meat Boy 3D é algo que fiz questão de jogar. E isso é uma contradição. Por definição, plataformas 3D são menos precisos do que 2D. A ideia de fazer algo extremamente punitivo com o gênero simplesmente não era promissora. Por outro, você sabe, plataformas 3D são meu gênero preferido. Que saiu disso? Continue lendo para descobrir.
REVIEW SUPER MEAT BOY 3D
Eu não esperava, mas Super Meat Boy 3D é muito bonitinho. Ele é, em partes iguais, bonitinho e violento. As cutscenes parecem animações feitas para o cinema e os personagens são uma gracinha. Mas, ao mesmo tempo, conforme você morre nas fases – e você vai morrer muito – o herói vai se machucando e perdendo pedaços. No final de cada fase, ele estará com o olho pendurado, dentes quebrados e afins.
Outra coisa “violenta”, mas que acaba funcionando como uma colher de chá, é que o herói vaza sangue enquanto corre. Isso funciona como uma marcação de por onde você passou. Pelo menos no início, serve para mostrar os caminhos seguros e que você pode repetir em vidas posteriores. No início? Pois é, conforme você morre, e tenta outras opções, o cenário inteiro vai ficando sujo de sangue, mas se não chegar a este ponto, dá para seguir o sangue das tentativas anteriores de forma relativamente segura.
SIGA O SANGUE
Duas coisas prejudicam a vontade de Super Meat Boy 3D ser um plataforma 3D de precisão. Uma delas é, como já desenvolvido, o simples fato de ser 3D. Não tem jeito, mesmo com ele marcando onde você vai cair, não dá para evitar calcular mal e despencar num abismo. Muitas vezes. Isso é exacerbado pelo fato de o jogo incentivar o speed run. Mesmo que você não se importe com o tempo, o personagem é rápido e muitas vezes o timing dos obstáculos incentiva passar pela fase correndo ao invés de calculando cada pulo. E isso não combina com precisão.
Além disso, tem dois incentivos separados, que liberam coisas separadas. Cada fase tem um curativo, que funciona como um colecionável e destrava outros personagens, com jogabilidades específicas. Além disso, vencer o relógio em cada fase destrava uma versão alternativa dela no chamado Dark World, uma versão ainda mais difícil do jogo principal. Assim, o jogo tem cinco mundos com 15 fases em cada um. Mas com o Dark World a quantidade de conteúdo de fato dobra.
O jogo também tem troféus que incentivam passar de cada fase sem morrer, o que é meio estranho e mal pensado. As fases não têm checkpoints, então na prática passar de qualquer uma envolve vencê-la sem morrer. Porém, para ganhar os troféus, o jogo quer que você saia para o menu a cada nova tentativa, para zerar as mortes registradas. Na prática, isso só aumenta muito o tempo de espera por causa dos carregamentos, e elimina o cuidado extremo dos desenvolvedores em permitir uma nova tentativa sem espera nenhuma (mas com a quantidade de mortes registrada).
SALVE A MENINA DE CARNE, SALVE O MUNDO
Eu sinceramente esperava que Super Meat Boy 3D fosse extremamente fraco. Não é. Pelo contrário, o level design e o gameplay são legais. Já que ele registra as mortes se você não sai da fase, ficaria extremamente melhor com checkpoints entre as fases. Afinal, mesmo com cada estágio durando menos de um minuto, repetir um minuto de plataforma de precisão dezenas de vezes é cansativo e chato.
Mas Super Meat Boy 3D se vende como um plataforma de precisão hardcore e é isso que ele é. Digo mais, é um bom plataforma de precisão. Poderia ser melhor, especialmente se trocasse um pouco de sua trueza por mais acessibilidade e menos repetição. Mas diante da proposta, ele se dá bem.



































