Presságios de um Crime

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A vida não anda fácil ultimamente para diretores brasileiros que se aventuram pela mágica terra de Hollywood. Dizer que tiveram sua criatividade tolhida e ficaram reféns das regras, ordens e palavra final dos estúdios é chover no molhado. Recentemente, tivemos os casos de Heitor Dhalia com 12 Horas (2012) e, claro, José Padilha com o remake de RoboCop.

Pois o último a tentar a sorte no esquemão da indústria cinematográfica estadunidense foi Afonso Poyart, que havia comandado o bacana 2 Coelhos. A exemplo de seus antecessores, contudo, as coisas também não deram certo para ele e seu primeiro trabalho importado. Presságios de um Crime, que chega agora aos nossos cinemas, também não vai ficar na memória.

Trata-se de um thriller policial centrado numa dupla de agentes do FBI interpretados por Abbie Cornish e Jeffrey Dean Morgan (também conhecido como o Javier Bardem estadunidense), que está atrás de um serial killer. Acontece que eles não conseguem entender as motivações para os assassinatos do meliante, então recorrem a um médium (Anthony Hopkins) para ajudá-los na investigação e achar o matador.

A princípio, o negócio começa como um típico suspense estilo Supercine. Não é muito bom, você certamente já viu vários parecidos antes, mas até que dá para assistir. Contudo, à medida que a história vai se desenrolando, o roteiro vai ficando cada vez mais absurdo e estapafúrdio, o que o faz cair do posto de filme nada para um trabalho deveras irregular.

O estilo visual do diretor, que tanto impressionou em 2 Coelhos, aqui está praticamente sumido. No maior estilão “operário padrão”, poderia ser qualquer um no comando. E, mais para o final, quando comete algumas estripulias visuais mais… errr… vistosas, a coisa é toda chupada daquele filme do astro das multidões Nicolas Cage, O Vidente (2007), o qual por sinal possui uma trama com muitas similaridades com este aqui.

Até mesmo o bom elenco é desperdiçado. Sejamos francos, todos sabemos que Anthony Hopkins é um baita ator, mas há tempos que ele “dá um migué” em filmes chinfrins emprestando seu fino sotaque britânico para conferir algum charme a personagens sem qualquer profundidade, como ocorre desta vez também.

Mas o pior mesmo talvez seja o caso do pôster brasileiro, que estampa Hopkins ao lado de Colin Farrell. Eu até entendo a decisão de marketing de substituir o pouco conhecido pelo grande público Jeffrey Dean Morgan, esse sim um dos protagonistas da película, por um nome mais famoso.

Contudo, embora o personagem de Colin Farrell também seja importante para a trama, ele demora tanto a aparecer que, muito embora eu soubesse de antemão que ele estava no filme, eu cheguei a me esquecer disso e tive a maior surpresa quando ele “popa” na tela. Aí não dá

Presságios de um Crime não é uma porcaria, mas sofre pelo roteiro ruim e pela cara de produto genérico de massa que muitos filmes do estilo apresentam. Quem assistiu a seu primeiro longa brasileiro, sabe que o diretor é capaz de muito mais do que mostrou aqui, o que novamente demonstra que o esquemão hollywoodiano pode ter podado suas intenções. Da forma como ficou, temos um filme bem esquecível. Não vale a pena pegar uma sessão e, mesmo na TV, só vale uma assistida se não tiver nada melhor passando. O que, convenhamos, é algo bem difícil de acontecer.