Predadores

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Aqui no QG delfiano tínhamos muitas expectativas para esse filme. Inclusive, algumas semanas atrás, o Alfredo chegou a aparecer por aqui usando dreadlocks e uma máscara de hockey, mas e pra convencer nosso dragão preferido de que quem usa máscara de hockey é o Jason? Acredite, dragões podem ser muito teimosos. Especialmente os vermelhos.

De qualquer forma, o Alfredão não estava tão errado assim. Afinal de contas, o principal predador deste filme é “interpretado” por Derek Mears, o mesmo sacripanta que viveu o filho da senhora Voorhees no remake de Sexta-Feira 13. Mas vamos aos Predadores de Robert Rodriguez, que na verdade não fez nada além da produção.

PREDADORES

Um grupo de oito desconhecidos acorda caindo (WTF?) em uma selva desconhecida. Todos eles são guerreiros e estão armados até os dentes (com exceção de um, que é médico), mas mesmo assim, logo vão descobrir que o ambiente é hostil. Talvez hostil demais até mesmo para as suas habilidades de sobrevivência.

Obviamente, o delfonauta é antenado e sabe do que se trata, então não preciso me esforçar aqui para não dizer que eles estão lá para serem caçados pelos Predadores, por mais que o filme mantenha isso em segredo durante o início de sua projeção. E sabe o que mais? Esse início é bom pra caramba.

O delfonauta dedicado sabe que muito me agrada esse tipo de proposta, de um bando de gente que não se bica aparecendo em um lugar desconhecido e sendo obrigado a trabalhar junto em nome da sobrevivência.

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E, por falar nisso, você já assistiu Cube? Se não assistiu e também gosta desse tipo de proposta, é extremamente recomendável e está passando massivamente na Argentina.

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É justamente nessa parte que o filme brilha. No release e em determinado momento do filme, o título é explicado mostrando que os Predadores na verdade não são os monstros caçadores, mas os humanos. Genial, amigão. E isso, embora já tenha sido muito explorado no cinema, especialmente nos filmes de zumbi, daria uma abordagem nova e muito bem-vinda à franquia dos alienígenas fãs de Bob Marley.

Infelizmente, essa ideia não é devidamente desenvolvida em nenhum momento e, por cerca de metade da projeção, essa era minha única reclamação. Predadores chegou muito perto de ganhar o Selo Delfiano Supremo, amigo delfonauta. Mas daí o bicho degringolou como se não houvesse gringos. Tudo por causa de duas pequenas palavrinhas que são justamente nosso próximo tópico:

OPORTUNIDADES PERDIDAS

Isso mesmo, meu caro amigo de dreadlocks. O roteiro de Predadores tem muitas oportunidades para fuck yeahs (porque quando o nível de pintudice é grande demais, um simples heall yeah não é o suficiente). Citemos, por exemplo, o mano-a-mano do sujeito da Yakuza com um dos Predadores. Além de ser um mano-a-mano entre um humano e um fuckin’ predador, é um duelo de espadas. Pô, permita-me fazer uma pausa para o fuck yeah coletivo em reverência.

FUCK YEAH!

Cá entre nós, é possível ser mais legal do que isso? Caramba, essa cena poderia ser a epítome de todos os filmes de macho pré-Mercenários. Poderia, mas infelizmente não é. Selecione o parágrafo abaixo por sua conta e risco se quiser saber mais.

A briga é truncada, nunca rola mais de um ataque por vez e eles ficam a maior parte do tempo andando em círculos enquanto se encaram ameaçadoramente. E o final, que me surpreendeu deveras, quase reverteu isso e me deu vontade de aplaudir. Mas daí o vencedor simplesmente cai do nada e apresunta ali mesmo, sem nenhum motivo. Afinal, se ele ainda conseguia lutar com aquele cortezinho de nada, não faz sentido nenhum ele morrer por causa dele no segundo que a luta acaba.

E o Danny Trejo, cara? O caboclo virou superstar do dia para a noite por causa de um fuckin’ trailer de mentira! Se isso não é um tremendo testemunho do carisma do sujeito, não sei o que é.

Mesmo assim, o sujeito tem menos de cinco minutos de tempo de tela e não recebe sequer uma morte on-screen, com destaque. Seu personagem é mais desenvolvido no release do que no filme, caramba!

Outro que tem o mesmo tratamento é o eterno Morpheus, Laurêncio Queima-Peixe, que tem a mesma (falta de) desenvolvimento e tempo de tela do senhor Machete.

Além disso, tem muita coisa que não é suficientemente desenvolvida. Por exemplo, fica claro que não são apenas os humanos que estão sendo caçados naquele momento, mas isso, que poderia gerar excelentes cenas de ação e de diálogos, é simplesmente ignorado e está lá só para constar.

Para piorar tudo, no terceiro ato o roteirista parece ter simplesmente desistido de criar algo e começa a matar todo mundo como se tivesse encarnado o Duke Nukem. Mas o pior mesmo será explicado no espaço abaixo. Selecione por conta própria se quiser saber.

O pior mesmo foi um dos personagens que muda completamente de personalidade e toma uma atitude simplesmente inexplicável. Cá entre nós, o que ele esperava conseguir com aquele “assassinato”? Ainda que ele seja um assassino, ele tinha muito mais chances de sobreviver com os outros do que sem eles.

UMA EXCELENTE SÉRIE DE TV

E é assim, amigo delfonauta, que se vai de um filme potencialmente Selado para um quase filme nada. Temos aqui excelentes elementos, que poderiam inclusive render uma série de TV nada menos do que fantástica – arrisco dizer que, devidamente desenvolvida, poderia ser até mesmo melhor do que Lost.

Como um filme, no entanto, o negócio não funcionou como deveria. Todas as peças que levariam à excelência estão aqui, mas a montagem simplesmente não funcionou. Mais trabalho no roteiro e um diretor mais competente sem dúvida deixariam Predadores bem melhor. Mas, ei, pelo menos não é nenhum Alien Vs. Predador.

CURIOSIDADES:

– E o troféu de nome mais difícil da história, batendo Rumpelstiltskin em pessoa, vai para Mahershalalhashbaz Ali. Fala sério, será possível que quando ele resolveu virar ator não pensou em mudar de nome para algo mais viável, tipo Steve, David ou Mdasluhdfashgbfgfbjubg?