Perc3ption – Reason And Faith

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Hoje em dia, parece que vivemos em uma nova guerra santa, pelo menos na intenet. Basta entrar em alguma rede social ou fuçar a seção de comentários de grandes portais de notícias que você não demorará para encontrar uma mensagem de algum internauta pregando fervorosamente aos quatro ventos que o ateísmo é a salvação ou alguém falando, com a mesma paixão, que o mundo está assim porque as pessoas não têm mais Deus no coração.

Em não muito tempo, ambos os lados começarão uma batalha de argumentos baseados em opiniões extremamente pessoais e fatos impossíveis de serem comprovados. Outros internautas se juntarão à briga e formarão uma gigantesca discussão que não vai levar ninguém a lugar nenhum e acabará em uma saraivada de ofensas pessoais. É claro que se essas pessoas se encontrassem cara-a-cara a conversa provavelmente seria muito menos exaltada.

Veja bem, apesar de ser um niilista chorão não ter uma religião definida, não vejo problema em seguir uma. Também não vejo problema algum em questionar a existência de um ser superior ou, caso você for religioso, alguns mistérios que cercam a sua crença. “De onde viemos?”, “estamos sozinhos no universo?”, “meu nascimento foi aleatório ou Deus quis assim?”. Essas e muitas outras dúvidas são, na minha opinião, muito dignas de serem pensadas e debatidas, mas sempre com educação e respeito.

E foram nestas tão delicadas questões que os paulistas do Perc3ption se basearam para compor o seu álbum de estreia, produzido por ninguém menos que o vocalista do Almah e ex-integrante do Angra, Edu Falaschi, ao lado de Brendan Duffey e Adriano Daga.

Reason And Faith é um álbum que mistura power metal e metal progressivo de uma maneira balanceada e competente, que provavelmente vai agradar aos fãs de ambos os estilos. Aliás, balanço é a palavra-chave aqui. Os guitarristas Glauco Barros e Rick Leite são bastante virtuosos, mas não abusam de riffs fritados na velocidade da luz. Já a bateria de Peferson Mendes e o baixo de Wellington Consoli são mais contidos, mas têm os seus momentos de brilho. E o vocalista Luiz Poleto faz um trabalho muito bacana com seus vocais que, embora sejam cantados em tons médios, segura muito bem as notas e cativa tanto quanto qualquer vocal histérico ou grave.

As quatro primeiras faixas, Trust Yourself, Nonexistence (que lembra muito o estilo do Gamma Ray), Surrender e Dead Man In Me, são as melhores canções do álbum e abrem ele com uma energia que faz você erguer seus punhos no ar. Particularmente, eu acho que estas canções ficarão muito legais ao vivo.

Infelizmente, as demais faixas não são tão legais assim. Não que elas sejam ruins ou genéricas, longe disso, mas é que eu simplesmente não senti a mesma energia das quatro primeiras músicas nesta segunda parte do disco e isto realmente faz diferença. As músicas nesta segunda parte também são um pouco mais longas e algumas vezes eu fiquei com a sensação de que elas se arrastavam um pouco. Talvez se se as primeiras músicas estivessem mais distribuídas ao longo do disco isto poderia ter um efeito menor, mas não é o caso.

Apesar disso, Reason And Faith é um ótimo álbum e que com certeza merece uma atenção especial. Quem sabe após ouvi-lo e prestar atenção a suas letras, você não consiga algumas respostas (ou uma compreensão melhor) para as suas dúvidas existenciais?

CURIOSIDADES:

– A capa do álbum foi feita pelo baixista Wellington Consoli, que também é designer gráfico. Particularmente, eu achei que ela ficou do baralho!

– Eu sei o que você deve estar se perguntando, amigo delfonauta, e a resposta é não. Eu não faço ideia de porquê o nome da banda é escrito com um três, mas como os próprios integrantes escrevem assim em seus anúncios oficiais, eu resolvi manter.