O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

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Fãs de Tolkien, é chegada a hora. Após seis filmes divididos em duas trilogias, Peter Jackson encerra a gigantesca saga com o capítulo final de O Hobbit, que se você se lembra, iria se chamar Lá e de Volta Outra Vez, mas acabou sendo rebatizado, muito apropriadamente, por sinal, para A Batalha dos Cinco Exércitos.

Apropriado porque o novo subtítulo é também basicamente a sinopse do longa. Temos nesta terceira e última parte a guerra entre os cinco exércitos e só. Toda a história claramente se acabou em A Desolação de Smaug, e tudo que sobrou para o novo filme são uns 40 minutos de uma preparação bastante arrastada para a pancadaria, seguido da pancadaria em si, que ocupa o resto da projeção e é bem legal, enchendo a tela do cinema de excelentes efeitos especiais e sequências grandiosas que todo mundo que já viu um filme da saga pode muito bem imaginar como é.

Gosto muito da trilogia O Senhor dos Anéis, mas, para ser sincero, O Hobbit nunca passou nem perto de causar o mesmo impacto em mim. Sequer assisti ao segundo longa no cinema, de tão indiferente que essa nova trilogia me deixou. Para mim, o grande erro foi Peter Jackson tê-la assumido.

Quando Guillermo Del Toro saltou fora, Jackson devia ter procurado outro cineasta para assumir as rédeas. Desta forma, seja quem fosse poderia ter injetado um novo frescor e estilo para os filmes. Com Jackson no comando, ficou apenas como mais do mesmo, só com efeitos especiais ainda mais caprichados. Todo o resto parecia apenas repetição, sem a mesma vitalidade.

E o que mais me incomoda: ter expandido isso para três filmes de mais de duas horas e meia cada. A desculpa usada foi de que ele ia desenvolver os apêndices deixados por Tolkien ou mesmo criar partes novas para dar uma maior ligação com O Senhor dos Anéis, coisas que, verdade seja dita, ele fez. Mas mesmo com tudo isso, ainda não havia história suficiente.

YOU SHALL NOT PASS!

E A Batalha dos Cinco Exércitos é a maior prova disso. Não sobrou nada para este filme, que começa imediatamente do ponto onde o anterior havia deixado, resolvendo a situação de Smaug para logo depois engatar os preparativos para a gigantesca batalha.

Aliás, quem não conhece o livro corre o sério risco de ficar extremamente decepcionado com a utilização do dragão nessa película. Até eu, que li o negócio (mas admito, não me lembro de muita coisa) fiquei bem desapontado com a forma com que sua participação é conduzida aqui. Algo que só reforça ainda mais meu argumento de que isso jamais deveria ter sido uma trilogia.

Posto isso, é preciso dizer que, mesmo sendo A Batalha dos Cinco Exércitos uma espécie de mero terceiro ato expandido de algo que poderia ser um filme só, ou vá lá, dois longas, está no mesmo nível dos anteriores e encerra a história de modo coerente.

E não se pode dizer que não faltou adrenalina. Todas as batalhas são realmente épicas, filmadas para extrair o máximo de emoção dos admiradores da saga. E nisso é um trabalho muito bem sucedido. Há cenas realmente emocionantes. Até eu que, como já estabeleci no texto, estou longe de ser um admirador desta trilogia, fui afetado por um monte delas, ficando triste em algumas e quase pulando da cadeira e gritando hell, yeah em outras.

Peter Jackson dá umas tropeçadas em alguns momentos, usando alguns clichês melodramáticos bastante cafonas, tipo personagens falando em câmera lenta em momentos solenes ou a insistência em usar aquela voz ridícula assumida pela Galadriel quando ela usa seus poderes abertamente. Mas esses escorregões não são suficientes para afetar a qualidade geral do longa.

E apesar de dar uma boa enrolada no começo, bem mais do que o necessário, quando a ação começa essa ensebada inicial acaba perdoada. Vale destacar a presença de Legolas. Como o Corrales já disse nas resenhas anteriores, a presença do personagem aqui é mais fanservice propriamente dito do que algo necessário para a história.

Mas ainda bem que ele está aqui. Pois, para variar, ele é o cara que protagoniza as melhores sequências de ação. O truta é praticamente um ninja da Terra-Média, e bem poderia ter acabado com a guerra sozinho, se lhe dessa na telha, de tão divertidamente exageradas são as suas peripécias no campo de batalha.

MY PRECIOUS

Outro ponto positivo é que Jackson parece ter aprendido com o final de O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, e desta vez não faz um milhão de conclusões para o filme, optando por apenas um final, que encerra de maneira agridoce a saga, visto que todos sabemos como a história continua.

Seja como for, A Batalha dos Cinco Exércitos encerra não só essa nova trilogia, mas é justo dizer, também uma era. No saldo geral, O Hobbit falha em repetir o impacto e a grandiosidade que O Senhor dos Anéis teve no início dos anos 2000.

Contudo, mesmo esticando desnecessariamente a trama em três partes e tomando muito mais liberdades com o texto original, é bem sucedida em contar a história de Bilbo Bolseiro e seus camaradas anões, deixando até o mais ferrenho e purista fã de Tolkien satisfeito. E encerra bem e de vez a saga da Terra-Média nas telonas. Ou, ao menos até Peter Jackson se animar a adaptar O Silmarillion, vai saber.

CURIOSIDADE:

– A cabine do filme foi realizada na sala 4D do shopping JK Iguatemi, em São Paulo. Contudo, não usaram as funcionalidades que ela oferece (como poltronas que se mexem, por exemplo), exibindo apenas uma cópia normal em 3D do longa. Maior sacanagem.

LEIA TAMBÉM:

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada – Greatness from small beginnings.

O Hobbit: A Desolação de Smaug – Esse dragão não é páreo para o Alfredo.

The Lord of the Rings: The Return of the King – Na falta da resenha do filme, falemos do jogo que também é bem legal.

REVER GERAL
Nota
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Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.