A Colina Escarlate

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O diretor Guillermo del Toro, o delfonauta bem sabe, é fãzaço de filmes de terror. Ele pode até se aventurar por outras searas, como adaptações de HQs ou blockbusters sobre robôs gigantes que enfrentam monstros titânicos, mas sempre acaba “voltando para casa”.

Embora, a bem da verdade, A Colina Escarlate seja muito mais um suspense com toques sobrenaturais do que um terror puro, ainda assim ele tem elementos suficientes do gênero para também poder ser considerado como tal. E também é o filme mais fraco do diretor mexicano até aqui.

Situado na virada do século XIX para o XX, ele é centrado em Edith Cushing (Mia Wasikowska), jovem escritora que acaba por conhecer os irmãos ingleses Thomas (Tom Hiddleston) e Lucille Sharpe (Jessica Chastain), nobres decadentes, mas que ainda mantêm a pose. Edith se engraça com Thomas e aí… Bem, basta dizer que há alguns fantasmas envolvidos.

Bom, este é o tipo de filme que não convém contar muito para não estragar, até porque a trama principal também demora a acontecer, então entrar mais na sinopse também significaria quase que contar metade do enredo, por isso vou parar por aqui mesmo.

Basta saber que o roteiro é extremamente previsível e não é difícil sacar as surpresas e reviravoltas desde os primeiros minutos de projeção. Por isso mesmo, ele foi bem tedioso para mim. Fora que é o tipo de história que já foi bastante utilizado na sétima arte.

Também devo dizer que, particularmente, eu não gosto de tramas ambientadas neste período histórico. Embora ofereça excelentes opções visuais, aquele monte de regrinhas sociais bestas do período e a forma como os personagens tinham de se comportar me irritam profundamente, num nível quase irracional. Mas isso, admito, é um problema meu. Contudo, o roteiro fraco é mesmo culpa única e exclusiva do senhor del Toro e do seu parceiro Matthew Robbins.

Visualmente o filme é muito bonito, de clara inspiração gótica (usada também na trama), com cenários suntuosos e uma fotografia macabra. Mas claro, falar do visual de um filme de Guillermo del Toro é chover no molhado. Ao menos nesse departamento ele ainda não perdeu a mão, embora eu ache que o uso de CGI para os fantasmas tenha sido uma péssima decisão, pois todos eles ficaram muito exagerados e artificiais.

Tivessem sido feitos com efeitos práticos, como maquiagem e animatrônicos, não só poderiam ter ficado realmente assustadores, como se encaixariam muito melhor na própria proposta estética do longa, que se propõe a homenagear não só a literatura gótica, como filmes de terror mais antigos, tipo os da Hammer.

O que realmente me impressionou, contudo, foram as cenas de violência. Elas são poucas e pontuais, só umas três ou quatro, se tanto, mas são extremamente bem feitas e bastante fortes. Alguém aí lembra da cena da garrafa em O Labirinto do Fauno? Pois é, são desse naipe.

Não fosse o visual caprichado, com sua ambientação realmente bonitona, este seria um filme bastante genérico, como uma infinidade de outros do gênero. Para um cara como Guillermo del Toro, que já fez tanta coisa legal e que todos sabem ser capaz de realizar muito mais do que o apresentado em A Colina Escarlate, acaba sendo bem decepcionante. Contudo, fãs mais hardcore do cara ainda podem gostar, e por conta de sua estética caprichada, vale ser visto na tela de um cinema, embora, se você for arriscar uma sessão, siga meu conselho e não espere grande coisa.