Homem Irracional

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Todo ano a gente espera por algumas coisas. A primeira, e mais importante, é o especial de melhores do ano no DELFOS. Depois disso, sempre tem um filme da Pixar, um novo Assassin’s Creed e, claro, um longa do Woody Allen. Homem Irracional, como o flerbagástico delfonauta já adivinhou, está nesta última categoria.

Aqui conhecemos um professor de filosofia sem vontade de viver, interpretado pelo Joaquin Phoenix. Ele logo faz amizade com uma de suas alunas (a Gwen Stacy) e, ao contrário do que você deve ter pensado, não é o charme da ruivinha que vai restaurar nele sua Lust for Life.

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O que faz o trabalho de animar o mancebo é algo um pouco mais sombrio do que a simples tara por ruivas (bacon!) da qual todos compartilhamos. Acontece que um dia eles ouvem uma conversa de um grupo de pessoas numa lanchonete. Trata-se de uma mulher que está passando por maus bocados, graças ao abuso de poder de um juiz que pode acabar fazendo com que ela perca a guarda dos filhos. “Tomara que ele tenha câncer”, deseja a vítima.

Desejar não faz acontecer. Se você quer algo, tem que tomar uma atitude. Porém, a mulher seria a primeira suspeita se algo acontecesse com o desgraçado. Assim, o professor resolve fazer justiça com as próprias mãos. Afinal, se ele matar o juiz, com quem nunca teve nenhum contato, ninguém vai desconfiar dele.

Antes disso, há muitas conversas filosóficas e eu inclusive achei que o filme seguiria mais por esse caminho. Devo dizer, ele se torna bem mais interessante e divertido quando a possibilidade do assassinato aparece, por mais que eu goste de longas calcados em diálogos.

Embora o longa não seja uma comédia, as melhores partes do filme são as que discutem o assassinato em si, que parecem uma partida de pôquer entre cérebros. Também são legais as justificativas morais e filosóficas que o sujeito dá para o ato e, cá entre nós, é difícil discordar dele. Afinal, com um ato ilegal, ele deixou o mundo um pouquinho melhor, coisa que não conseguiu fazer em anos de manifestações.

Como sempre no trabalho de Woody Allen, a trilha sonora acrescenta muito ao filme, com faixas bastante agradáveis e animadas, nas quais o piano é o protagonista.

Homem Irracional é uma mudança de ares no trabalho mais recente do diretor. Continua inteligente, mas é mais sério do que as comédias que costuma fazer. No entanto, ainda tem todo o jeitão nerd e desajeitado de Woody Allen, então se você é fã dele, pode ir ao cinema sem medo.