Batman: Return To Arkham

0

No papel, eu imaginava que Batman: Return to Arkham seria uma decepção tão grande quanto Uncharted: The Nathan Drake Collection. Vejamos, assim como em Uncharted, não temos a série completa. Aqui, faltam os jogos Arkham Origins e Arkham Origins Blackgate.

Isso é uma pena, pois embora eu lembre muito bem dos jogos que estão aqui (Arkham Asylum e Arkham City), eu não me lembro tanto do Origins e gostaria de jogá-lo de novo. Já o Blackgate, que originalmente saiu para o Vita, eu nunca joguei, então seria uma novidade muito bem-vinda. Você pode argumentar que o Origins não foi bem recebido, que o Blackgate era um jogo de portátil e que nenhum dos dois foi desenvolvido pela Rocksteady. E você estaria certo. Mas se vão lançar uma coletânea, por que não lançar uma coletânea com a história completa?

Na coleção Uncharted, eliminaram o suporte a 3D do terceiro jogo. Adivinha só, também fizeram isso aqui. Tanto Arkham Asylum quanto o City eram compatíveis com 3D. O primeiro vinha com um daqueles óculos de papel, mas o segundo era o 3D completo, que precisa de uma TV 3D e tudo. Na época do lançamento dele, eu não tinha uma TV 3D, então gostaria muito de poder jogá-lo de novo com este suporte.

É verdade, jogos em 3D hoje são raríssimos. A moda simplesmente passou. Mas se isso já estava no jogo, por que se dar ao trabalho de tirar? Isso faz com que simplesmente deixe mais difícil dizer que o que temos aqui é a versão definitiva dos jogos, uma vez que, se você jogar na geração passada, vai ter funções legais não disponíveis neste relançamento.

DECEPÇÕES À PARTE

Estes fatos fizeram com que eu já ficasse decepcionado com Return To Arkham antes mesmo de rodar o jogo. Só que aí entram dois outros fatos: o primeiro deles é que estes jogos são bons demais! Temos aqui os melhores jogos de super-herói já feitos, com um combate que é o melhor da categoria, stealth excelente e um verdadeiro feel de “seja o Batman”. Além disso, a história é simplesmente muito boa.

O outro fato, e este é específico para esta versão, é que os jogos estão lindos. Normalmente, quando eu pego um remaster, como os de Uncharted, eu imediatamente percebo quão datados os gráficos estão. Uncharted foi lindo em 2007, mas hoje ele é… estranho. No final das contas, embora os remasters teoricamente sejam mais bonitos do que os originais, eles sempre têm um visual inferior ao que tinham na minha memória.

O único remaster no qual isso não aconteceu foi em Gears of War Ultimate Edition, e isso é porque a Coalition fez um belíssimo trabalho reconstruindo boa parte dos visuais, o que colocou o jogo quase no nível de um lançamento da geração atual.

Enquanto esperava Return To Arkham baixar, resolvi jogar um pouco de Arkham Knight, até para poder ver o quanto os gráficos evoluíram quando fosse para os jogos antigos. O fato é que, quando eu de fato rodei Asylum, não me senti jogando um jogo de 2009. Na verdade, fiquei impressionado com quão bonito ele ainda é.

Sim, algumas coisas, como as animações faciais, estão datadas, mas são coisas pequenas e no geral esta versão remasterizada está deliciosamente próxima de Arkham Knight no quesito visual.

Os jogos provavelmente foram ajudados pelo fato de que, ao contrário de Uncharted, não tentam ter um visual realista. Não, a série Arkham é orgulhosamente baseada nos gibis, e tem um visual digno de quadrinhos, estilizado com proporções exageradas e tudo. Isso faz com que os gráficos envelheçam menos.

No entanto, apenas isso não seria o suficiente para que os jogos estivessem tão bonitos. Não, a Virtuos, estúdio responsável pela remasterização, realmente fez um excelente trabalho ao trazer o visual dos jogos para a nova geração, o que é um sopro de ar fresco em meio a tantos remasters preguiçosos que são lançados todo mês.

DLCS

Como já é padrão em relançamentos, Return to Arkham traz todos os DLCs existentes para os jogos em questão. Não tem nada muito relevante, no entanto. Para Arkham Asylum, temos alguns mapas de desafio extras.

Em Arkham City, pode-se jogar nos mapas de desafio com outros personagens, como o Asa Noturna e o Robin, o que devo dizer que não faz muita diferença para mim. Mais substancial é o DLC Harley’s Revenge, que traz uma pequena história (durou duas horas para mim) que acontece depois da mostrada no jogo principal.

Nesta história, você alterna o controle entre Batman e Robin e rola a Arlequina como um chefinho, que é bem parecido com a luta contra o Duas Caras na história da Mulher-Gato. O Robin é um personagem legal, mais interessante e com mais gadgets do que a Mulher-Gato.

É claro, há também o DLC da Mulher-Gato, que já era gratuito para aqueles que não compraram o jogo usado, então a maioria de nós já jogou. Este DLC, inclusive, faz parte da história principal, sendo colocado no jogo principal em momentos específicos da história, e imagino que deve ter feito bastante falta para aqueles que não tiveram acesso a ele na geração passada.

ELIZABETH ARKHAM

A coletânea não é perfeita, uma vez que faltam dois jogos e não tem mais o suporte ao 3D disponível na geração passada. Além disso, a essa altura do campeonato você provavelmente consegue comprar os quatro jogos da série Arkham para PS3 pelo preço que está sendo cobrado pelos dois remasters aqui presentes.

Apesar disso, se você ainda não jogou a série, e não tem um videogame da geração passada, esta é uma excelente chance de ver porque estes são dois dos jogos mais elogiados dos últimos anos. Eles são simplesmente fantásticos, essenciais para qualquer fã de Batman ou de videogames, e mais ainda para fãs de Batman e de videogames. Não merece o título de “coletânea definitiva”, pois faltam coisas bem importantes, mas sem dúvida merece o título de “jogos bons pra caramba”.

Galeria