Doutor Estranho

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O Universo Cinematográfico Marvel continua a crescer, meu amigo delfonauta. Este ano tivemos nada menos que a Guerra Civil, que não só colocou herói contra herói naquela que talvez seja a melhor cena de ação de um longa Marvel até o momento, como apresentou mais dois heróis: o Pantera Negra e o Homem-Aranha.

Pois nada melhor que encerrar o ano apresentando mais uma peça, abrindo mais um novo caminho, e, de quebra, mais uma vez limpando o chão com a Distinta Concorrência. Doutor Estranho nos apresenta o Mago Supremo da Terra, bem como o lado místico do Universo Marvel, e é mais um bom filme solo de personagem.

BRINCANDO DE MÉDICO

Obviamente você sabe que desta vez acompanharemos a história do Dr. Estevão Estranho (ou Stephen Strange para aqueles que não gostam de brincar de Google Tradutor), um neurocirurgião tão brilhante quanto arrogante. Eis que ele sofre um acidente de carro e suas preciosas e precisas mãos são mutiladas.

Após exaurir todos os seus recursos e opções médicas para recuperar seus instrumentos de trabalho, ele fica sabendo de um lugar no Nepal que pode ajudá-lo a se curar. Ele ruma para lá, conhece a Anciã e descobre a existência de todo um mundo místico oculto e diferentes realidades com a capacidade de trazer grandes males para o nosso mundo.

À medida que passa a estudar as artes arcanas como pupilo da Anciã, terá também de enfrentar uma facção de magos dissidentes que têm o intuito de lançar um grande mal de outra dimensão na Terra. É aí que o Dr. Estranho terá de decidir se ele quer somente recuperar suas mãos e voltar à velha vidinha ou se abraçará os ensinamentos de vez e se tornará um dos protetores do planeta contra ameaças de cunho mágico.

Doutor Estranho é um filme muito bom. Estava com expectativas de ver algo no nível de um Homem-Formiga, que foi divertido, mas não exatamente embasbacante, e gostei mais do que me foi apresentado. Talvez seja um dos filmes-solo de pegada mais diferente que a Marvel já fez, e isso é bom e necessário.

Não só porque apresentar o lado místico do Universo Marvel permite umas pirações e viagens visuais, além de aumentar o escopo de seu tabuleiro (como Guardiões da Galáxia havia feito ao apresentar o lado cósmico) como ajuda a não ficar sempre naquela fórmulinha básica de história de origem.

BRINCANDO DE MAGO

Não me entenda mal, ela ainda está presente, e segue certos clichês estabelecidos desde que Tony Stark criou sua primeira armadura no já longínquo ano de 2008 e essas são as partes menos interessantes do filme. Fosse só isso, seria uma introdução de personagem pouco inspirada.

Felizmente, não se restringe apenas a isso, e, ao apresentar também toda uma nova mitologia envolvendo o bom Doutor, deixa as coisas muito mais interessantes, abrindo uma grande gama de possibilidades a serem exploradas em produções futuras, sejam aventuras solo do personagem ou mesmo produções envolvendo toda a galerinha reunida.

Algumas coisas poderiam e mereciam um pouco mais de cuidado, como os vilões, clichês e gratuitos. E mesmo a grande ameaça da bagaça, que renderia um momento muito mais grandioso, corre o risco de deixar boa parcela dos fãs decepcionada, embora a forma escolhida pelo herói para enfrentá-la fuja da caixinha e redima esse momento rápido e rasteiro.

A grande qualidade do filme, sem dúvida, é o excelente uso dos efeitos visuais. Talvez seja a produção Marvel que mais soube se aproveitar deles para ajudar na condução da história. São muito criativos, bonitos e enchem a tela. Vale a pena assistir na maior tela possível só pela beleza deles.

A primeira vez que Stephen é apresentado ao mundo místico é um dos momentos mais doidões e lisérgicos da Marvel no cinema. O resto fica numa mistura entre as sequências de sonho de A Origem (como muita gente já havia dito quando saíram os trailers) com as pinturas de Escher. Funciona que é uma beleza. De fato, o lado visual de Doutor Estranho é sua característica mais marcante e a que ajuda a diferenciá-lo dos demais.

BRINCANDO DE HERÓI

No mais, ele também é um pouquinho mais sombrio e sério que as outras produções com o carimbo Marvel Studios. Claro, mais sombrio e sério para os padrões Marvel, que fique bem claro. Ou seja, você ainda vai dar boas risadas e não vai sair do cinema deprimido, ao estilo Batman vs Superman. Mas essa pequena mudança de tom também ajuda a dar mais estilo próprio para ele.

Desde que reuniu os Heróis Mais Poderosos da Terra no primeiro Vingadores, a Marvel criou um “problema” para si mesma. Subiu o nível de tal forma com um megaevento que os filmes solo de personagens precisam se esforçar muito para chegar no nível de satisfação de um que reúna toda a galera.

Assim, pode-se dizer que ela passou a contar com grandes blockbusters e produções menores. Doutor Estranho se encaixa nessa segunda categoria. Não é dos mais marcantes do estúdio, mas tem qualidades suficientes para colocá-lo como um excelente longa desse conjunto menor dentro da filmografia da Casa das Ideias. Considerando-se tudo, não é pouco.

CURIOSIDADE:

– Diferente da esmagadora maioria das ocasiões, desta vez as duas cenas pós-créditos foram exibidas na cabine de imprensa. E a primeira delas é a mais legal e divertida.

LEIA TAMBÉM AS RESENHAS DOS FILMES QUE LEVARAM A ESTE MOMENTO:

Homem de Ferro – Onde tudo começou.
Homem de Ferro 2 – Agora com ainda mais Tony Stark.
O Incrível Hulk – Até por favelas cariocas o gigante esmeralda passou.
Thor – E não é que o deus do trovão é meio fanfarrão?
Capitão América: O Primeiro Vingador – Apresentando a última peça que faltava na fase 1.
Os Vingadores – The Avengers – O filme de super-heróis mais esperado da história.
O Hulk de Ang Lee – Não faz parte da história, mas, ei, é o Hulk!
Homem de Ferro 3 – Has he lost his mind? Can he see or is he blind?
Thor: O Mundo Sombrio – A fanfarronice está de volta.
Capitão América 2: O Soldado Invernal – O Sentinela da Liberdade está de volta. E dessa vez é pessoal.
Guardiões da Galáxia – Somos como o Kevin Bacon.
Vingadores: Era de Ultron – Toninho Stark e seus superamigos estão de volta.
Homem-Formiga – Encerrando a fase 2 da Marvel no cinema.
Capitão América: Guerra Civil – De que lado você está?

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