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Lá na época de outrora, e me refiro a uma outrora bem antiga, anos 30 e tal, a Universal ficou famosa por fazer filmes de monstros. O visual clássico do Frankenstein, por exemplo, veio dali, assim como filmes clássicos com atores do porte de Bela Lugosi e o próprio Boris Karloff. Desde então, eles continuaram fazendo muitos filmes de monstros, até mesmo com alguns que juntaram vários personagens conhecidos.

Porém, com o sucesso do universo cinemático da Marvel, os engravatados da Universal pensaram em fazer algo mais ambicioso com seus personagens clássicos. Em outras palavras, pegaram a fórmula utilizada pelos filmes da Marvel e resolveram começar um universo de monstros e deuses, que batizaram de Dark Universe. A Múmia é o primeiro filme desta nova série, e é um início assaz promissor.

UMA DIVERTIDA AVENTURA

O início do filme me remeteu diretamente a Uncharted. O tom divertido e descompromissado, as cenas de ação exageradas e os próprios personagens Nick Morton (Tom Cruise) e Chris Vail (Jake Johnson), ladrões em busca de relíquias históricas para ganho pessoal, lembram bastante o jogo da Naughty Dog.

As coisas logo ficam diferentes, no entanto. Afinal, se em Uncharted as relíquias costumam aparecer no final da história, aqui não tarda para nossos novos amigos fazerem uma descoberta deveras pintuda. Como você já deve imaginar, eles mexem no que não devem, e acabam liberando a múmia de uma princesa que fez um pacto com Set, o deus da morte egípcio, e que visa trazer o cramunhão para o nosso mundo. E veja só, ela escolheu o Tomas Cruzeiro para incorporar o cão.

A partir daí, o filme segue pelo seu próprio caminho, mas ainda mantendo o tom de uma aventura divertida e descompromissada. A verdade é que ele não traz nada de novo a uma fórmula tão antiga quanto o cinema, mas ao mesmo tempo é um resumo de tudo que o cinema tem de bom. É engraçado, a história é interessante e o visual transborda espetáculo, cheio de efeitos especiais e músicas potentes. É cinema hollywoodiano da melhor qualidade, destilando tudo que é legal em blockbusters em uma obra competente e, acima de tudo, divertida.

Por ser o primeiro filme deste novo universo, é uma história basicamente independente, mas é claro que há muitas sementinhas para o desenvolvimento de outros filmes conectados a este. O personagem do Russel Crowe, por exemplo (que eu não vou falar aqui quem é, embora você possa conseguir esta informação facilmente se desejar), tem toda a cara de que vai ter um papel nestes filmes no estilo Nick Fury, trazendo todo mundo junto para um eventual evento que transborda epicidade e que deve sair daqui a uns quatro anos.

O final conclui a história de forma satisfatória e apropriada, sem um cliffhanger pentelho, mas deixando claro que a história pode continuar, e que muito mais pode ser explorado neste universo.

O maior acerto, no entanto, foi o tom. Por ser um universo de monstros, o caminho mais tradicional a ser seguido seria o terror, mas isso não abriria as mesmas possibilidades. Escolhendo um caminho mais pipoca, mais focado na aventura e com temas explorando mistérios e misticismo, a coisa se tornou extremamente rica, e me deixou empolgado para as possibilidades.

O Dark Universe tem tudo para ser um novo universo de super-heróis, um criado especialmente para o cinema, e com temas que abordam história e misticismo, com influências de Indiana Jones. E isso muito me agrada.

Difícil vai ser esperar até 2019, quando o próximo filme deste universo, A Noiva de Frankenstein, chegará aos cinemas. E esta ansiedade pelo que vem por aí é a maior prova que a turma da Universal fez um excelente trabalho nesta introdução para o seu novo universo.