Pais & Filhas

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Pais & Filhas, apesar de seu título, não é a versão feminina de uma das músicas mais famosas da Legião Urbana, e sim um drama meia-boca capitaneado pelo diretor Gabrielle Muccino, mais conhecido por ter trabalhado com Will Smith em À Procura da Felicidade (2006) e Sete Vidas (2008).

Desta vez ele dispensa a parceria com Um Maluco no Pedaço, optando por dividir o tempo de tela entre o Russell Crowe e a Amanda Seyfried em duas histórias paralelas, mas que estão intimamente relacionadas.

A primeira ocorre em 1989. O escritor interpretado por Crowe acaba de ficar viúvo após um acidente e com a filha pequena para criar. No entanto, ele também ficou com sérias sequelas físicas e psicológicas e precisa superar as dificuldades para cuidar de sua pimpolha.

A segunda trama ocorre 27 anos depois e mostra a filha dele já adulta, trabalhando como assistente social com crianças problemáticas e tentando deixar para trás as marcas deixadas por sua infância, que atrapalham seu relacionamento com o Jesse Pinkman. Conseguirá ela ficar em paz com seu passado e levar seu relacionamento amoroso adiante?

Como disse lá no primeiro parágrafo, o filme no geral é bastante meia-boca. Basicamente ele é aquele tipo de drama que não é muito… bem… dramático. Falta conflito. Há poucas dificuldades a serem superadas. É quase como se o escritor gostasse demais dos personagens e por isso acabou tendo dó de colocar dificuldades para eles enfrentarem.

Claro, isso é uma mera impressão, afinal, só pela sinopse você pode sacar que as coisas não são assim. Porém, mesmo com desgraças na história, tudo parece sempre se resolver de forma apressada, sem grandes desafios, como se fossem apenas pequenos empecilhos e não situações pesadas.

A condução frouxa acentua esta falta de peso dramático. Ainda assim, não é algo ruim ou mesmo chato de se ver. Mesmo sem uma boa carga dramática, é o tipo de coisa que ainda funciona razoavelmente como passatempo, desde que você não esteja com um humor demasiadamente exigente, por isso o caracterizo como um típico filme nada.

Definitivamente não é algo que eu recomendo para se assistir no cinema. Contudo, naqueles dias em que não tem mais nada passando na televisão, Pais & Filhas até serve como opção, desde que você saiba de antemão que se trata de um programa sem muita pegada e perfeitamente esquecível.

REVER GERAL
Nota
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Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.