Jack Reacher: Sem Retorno

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Uma das coisas que me fez desanimar com os gibis de super-heróis é aquela tática do “tudo que você leu nos últimos 20 anos era mentira e era um plano do Duende Verde, que na verdade não morreu”.

Pois em 2013, Tom Cruise e a Paramount Brasil nos prometeram que Jack Reacher nos mostraria “o último tiro”. Três anos depois, um novo Jack Reacher nos diz que não há retorno, mas ao mesmo tempo vem recheado de tiros. Seria esta uma prequência, mostrando os penúltimos tiros?

O que sabemos é que Sem Retorno é uma história independente do filme anterior, característica que vem diretamente dos livros de Lee Child protagonizados por Jack Reacher, que podem ser lidos em qualquer ordem. Isso é até bacana, mas se o filme anterior foi uma agradável surpresa, esta continuação se mostra bem mais fraca e esquecível.

Aqui o herói que dá nome ao filme vem conversando com a Major Turner (Cobie Smulders). Pela voz, ele já percebe que a moça é bonita e resolve encontrá-la para ver se rola uma pegação. Ao chegar lá, no entanto, descobre que ela foi deposta de seu cargo por um suposto crime e aguarda investigação na cadeia.

Se tem uma coisa que todo mundo sabe é que ninguém cockblocka o Tom Cruise, então nosso herói Valete Alcançador vai fazer de tudo para provar a inocência da eterna Robin. Ah, e tem também uma menina aí que dizem ser filha dele e que ele sequer lembra de ter fabricado.

A história é até a tradicional dos filmes de ação contemporâneos, com algo que parece vir de terroristas mas que acaba sendo uma conspiração interna. Este não é exatamente o problema. O problema é que ele carece de diversão e você sabe, filme de ação que não diverte é como sexo para os católicos: se não engravidar, é pecado.

As cenas de ação são burocráticas e tirando um divertido soco através do vidro de um carro, são tiroteios totalmente esquecíveis. O primeiro filme também tinha bastante força no seu personagem principal, mas aqui Jack Reacher está muito mais contido. Menos reacher, caso você goste desse tipo de brincadeira com as palavras.

E é uma pena, pois o diretor que assumiu a série, Edward Zwick, já mandou muito bem em parceria com o Tom Cruise em O Último Samurai, mas aqui a coisa acaba não dando a liga que deu no filme que prometia nos mostrar O Último Tiro e vira mesmo um filme nada.