Assim que vi o título original deste filme, Assassino Americano, me lembrei imediatamente de American Ninja – O Guerreiro Americano, uma das mais divertidas tosqueiras do cinema de ação B dos anos 80. Imaginava se O Assassino: O Primeiro Alvo não seguiria por este caminho. A resposta é não.

Na verdade, ele começa bastante parecido com outra famigerada série de filmes de ação oitentistas. Ele lembra muito Desejo de Matar, caso a família do Charles Bronson tivesse sido assassinada por terroristas ao invés de meliantes comuns. Afinal, é exatamente isso que acontece com o protagonista Mitch Rapp (Dylan O’Brien).

Depois que sua namorada é morta num ataque terrorista, o jovem fica com aquele perene desejo de matar. No caso, qualquer terrorista em que puder botar as mãos. Passa a treinar incansavelmente diversos tipos de lutas e manejo de armas para alcançar seu objetivo.

O cara fica tão bom que acaba recrutado pela CIA para integrar uma equipe secreta de contraterrorismo. Primeiro, no entanto, ele será treinado por ninguém menos que o Batman (Michael Keaton)! Depois, sairá em sua primeira missão, que envolve evitar que um dispositivo nuclear caia em mãos erradas.

O começo do filme é a parte mais legal. Pois dá a entender, pelo argumento absurdo, que vai ser algo mais exagerado e fanfarrão. A história de um vigilante operando por conta própria, caçando células terroristas pelo mundo, tipo um Justiceiro com mais milhas de viagem.

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Só que daí o filme comete aquele velho erro que muitos longas de ação cometem, o de se levar a sério demais. Daí ele passa para uma espécie de Jason Bourne genérico, chupado e totalmente sem graça e sem inspiração.

A trama é batida, o vilão principal tem aquela velha história de origem ligada aos mocinhos, as cenas de ação são chochas e mal filmadas e o protagonista Dylan O’Brien tem todo o carisma de uma porta. E mesmo ele estando bombado fisicamente, ainda tem uma cara de quem pode ser vencido com um simples peteleco no nariz.

Só o Michael Keaton, como o instrutor dele, tem alguma graça, ameaçando dar uma mastigada no cenário aqui e ali. Mas na maioria das vezes também não consegue fugir do arquétipo do professor militar durão.

O subtítulo em português escancara a vontade que a produção tem de virar uma franquia. Basta saber que ele é baseado num romance de uma série literária que já conta com quinze volumes. Contudo, baseado apenas no que O Assassino: O Primeiro Alvo entregou, essa vontade fica mais difícil de ser realizada.

Pode até ser que aconteça, mas se for mesmo para frente, precisa melhorar muito (e talvez até mudar para um tom mais divertido e exagerado) para de fato se tornar uma série marcante e não apenas algo muito esquecível como resultou esta tentativa inicial.