Permita-me filosofar ou, como os jovens dos anos 80 diriam, pirar na batatinha. Existem perdas de tempo e perdas de tempo. Esperar no Poupatempo para fazer um documento ou em um consultório médico até o bonitão que fez faculdade de medicina te atender é jogar o tempo fora. Já estourar plástico bolha é uma delícia. Você sabe que aquilo não é produtivo, mas por que interromper algo que te dá prazer? Onimusha Way of the Sword é o equivalente gamístico a um plástico bolha.
REVIEW ONIMUSHA WAY OF THE SWORD
Temos aqui um hack and slash realmente bom. Poderia (e vou) elaborar. Mas Onimusha Way of the Sword é um jogo bom em todos os aspectos. É bonito pra caramba. Soa bem. O combate é uma delícia, assim como a movimentação do personagem. Mas ao contrário dos remasters anteriores, ele é bem mais próximo de um Assassin’s Creed Shadows do que de um Resident Evil clássico. E muito disso se deve ao seu design de jogabilidade.
Veja bem, Onimusha Way of the Sword é um jogo de mundo aberto. Não é um mundo aberto como The Last of Us Part II, em que você pode fazer seu objetivo principal logo e continuar com a história. Não, boa parte de suas missões acontecem justamente no mundo aberto. E são aquele tipo de missões que todos conhecemos: vá até o lugar marcado, mate X, pegue o breguete Y e volte para falar com o NPC e ganhar a recompensa. E sim, além da história principal, tem um monte de missões opcionais e colecionáveis pipocando pelo mapa aberto o tempo todo.
PLÁSTICO BOLHA
Por outro lado, o mapa é menor, mais contido. Tipo um Yakuza. Eu gosto disso. Encher seu mapa de ícones separados por longos trechos de caminhada apenas denota falta de criatividade em desenvolver gameplay. E, ao contrário de Yakuza, os ícones de Onimusha não te levam a uma infinidade de minigames ou mecânicas diferentes. Aqui você é um samurai. E samurai briga. Ou pega breguetes. E é isso que você vai fazer neste mundo aberto. Nada de andar de kart ou colecionar Pokémon, graças a Tutatis.
Acima eu desenvolvi a perda de tempo que vem com o jogo. Talvez pelo mapa mais contido, ou pelos fast travels com carregamento rápido, ou talvez até pelo gameplay gostoso, eu me diverti bastante em seu mundo aberto. Daí o plástico bolha. Tipo, quando a diferença entre missões é apenas se você vai lutar com inimigos normais ou com chefes quando chega no ícone, é fácil perceber o quanto o jogo está jogando seu tempo fora. Mas também é fácil perceber que você está se divertindo. E, quando você menos espera, Onimusha vem com o prato principal.
LINEARIDADE
Onimusha Way of the Sword não é um jogo como Marvel’s Spider-Man ou Horizon Forbidden West, em que toda missão de história é uma fase. A imensa maioria do jogo acontece mesmo no mapa aberto do Leste de Kyoto. Sem exagerar, você vai passar mais de oito horas lá entre uma fase e outra. A questão é que quando essas missões aparecem, meu amigo, elas são ótimas. E são longas também. A maioria delas dura, sem exagerar, várias horas.
Elas têm um timing perfeito, uma deliciosa combinação de combate, exploração e segredos, que mostram quão maravilhoso Onimusha Way of the Sword seria se aceitasse durar oito horas ao invés de 50. Inclusive, essa necessidade de durar mais do que o necessário é seu principal ponto fraco, mais até do que o mundo aberto. Acontece que os colecionáveis e sidemissions costumam te mandar de volta para fases anteriormente já exploradas para fazer exatamente a mesma coisa, mas com objetivos diferentes. Este é o tipo de conteúdo que simplesmente não deveria existir.
FATIANDO GENMAS
Onimusha foi uma série que começou com um combate um tanto chatinho e repetitivo, em que você apenas apertava o botão de ataque. Aqui a coisa evoluiu muito. Como é padrão hoje em dia, sua intenção normalmente é acabar com o fôlego do adversário para dar um ataque devastador. Na maior parte dos inimigos, este ataque o mata. Em chefes, é justamente neste momento que você vai tirar boa parte da sua vida. A questão é que o combate vai bem além disso. Tem ataques que é melhor desviar, outros é melhor defletir. Outros, ainda, você vai querer atacar ao mesmo tempo, para uma espada bater na outra ou, melhor ainda, para eliminar uma pá de inimigos de uma vez.
Way of the Sword tem upgrades, mas a coisa é bem simples. Seu equipamento só melhora, e a imensa maioria usa itens determinados pelo equipamento. Tipo algodão vai pra melhorar sua vida, enquanto ferro melhora seu ataque. Assim, você não precisa pensar em guardar algo ou escolher no que usar. Quando dá para subir de nível, você sobe. E, apesar de ter várias armas secundárias, você pode alternar entre elas a qualquer momento, e sua arma principal é sempre a espada padrão. Nada de loot por aqui, exatamente como Odin planejou quando inventou os videogames.
O MÁXIMO DE DIVERSÃO NO MENOR TEMPO POSSÍVEL
Difícil dizer que este é o melhor combate samurai dos games recentes, mas certamente é melhor do que o de Assassin’s Creed Shadows e tão bom quanto Ghost of Yotei.
Algo que gamers adultos costumam dizer é “me dê o máximo de diversão no menor tempo possível”. Eu concordo com isso. Onimusha Way of the Sword certamente seria melhor se durasse oito horas e fosse composto apenas de fases lineares. Mas é difícil ficar bravo quando seu mundo aberto é tão delicioso quanto este. Tem filler? Tem sim. Repetir fases pra pegar breguetes ou cumprir sidemissions é jogar tempo fora. Mas é uma quantidade pequena de um jogo que, em sua maioria, é muito legal.

































