A citação no pôster de Deserto o descreve como “uma resposta cinematográfica ao discurso de Donald Trump”, o que é bem apropriado para a temática do filme. Afinal, enquanto o louco presidente dos EUA segue com seu discurso de ódio contra estrangeiros, sem dúvida algumas mentes mais fracas se influenciam por tais palavras e ações.

Gael García Bernal faz parte de um grupo de mexicanos que tentam entrar ilegalmente nos EUA pelo deserto que separa os dois países, com a ajuda dos chamados Lobos (mexicanos “especialistas” em realizar essas travessias por dinheiro). Já Jeffrey Dean Morgan é um caçador estadunidense que se encontra na região matando coelhos.

Ao avistar o grupo de imigrantes ilegais entrando de fininho em sua pátria, ele decide que é seu dever cívico atirar neles e passa a perseguir os pobres muchachos implacavelmente, com a ajuda de seu fiel cachorro, o canino mais filho da p$&@ desde o Cujo.

Ao pequeno grupo de hermanos resta apenas correr por suas vidas, em algo que rapidamente vira um survival horror passado na imensidão e aridez cruel do deserto. Eles não conhecem a região, têm poucas ou nenhuma provisão, e quase nenhum lugar para se esconder das balas do sujeito psicopata.

Delfos, Deserto, Cartaz

O filme é dirigido por Jonás Cuarón, filho do mais famoso Alfonso Cuarón, e o cara faz um filme inclemente. Não só por todo ele se passar debaixo do sol escaldante do lugar, elemento valorizado pela fotografia que deixa qualquer um com sede só de assistir. Mas também por ser uma gigantesca perseguição do início ao fim.

O filme é curto, apenas 88 minutos, o que ajuda a manter o ritmo acelerado. Contudo, enquanto o personagem do Gael García Bernal é desenvolvido, e em determinado momento ele conta porque está entrando nos EUA dessa maneira, sem dúvida todo mundo gostaria de saber o que raios se passa na mente de um sujeito que atira sem a menor piedade em pessoas indefesas, incluindo mulheres e crianças.

Infelizmente, o filme não entra nessa análise de personagem, e ele acaba apenas como mais um estereótipo do caipira sádico e cruel. Tudo bem, funciona para a proposta do filme, mas seria mais interessante explorar esse lado mais psicológico, e não apenas a caçada.

Seja como for, Deserto é um bom thriller/survival horror, afinado com a atual situação entre os países. Para quem aprecia um bom filme desse gênero, ele é uma boa pedida.

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Carlos Cyrino
Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.
  • Roberto Vasconcelos Eluan

    Acho que a falta de uma análise psicológica ao perseguidor não seria um demérito do filme. Afinal, ele retrata bem o pensamento do americano médio xenofóbico. Mas acho que esse não chega no cinema da minha cidade.