Como eu já disse em outras ocasiões, eu nunca fui muito de assistir animês. Nada contra, eles apenas não me causam a mesma vontade de embarcar nessa seara do que outros aspectos da cultura pop conseguem. O que não quer dizer que eu não tenha assistido alguns ao longo dos anos.

Um desses poucos a que assisti, e aquele pelo qual tenho o maior carinho, é Yu Yu Hakusho, o qual via na minha adolescência. Ele ficou tão bem arraigado na minha memória afetiva que, muitos anos depois, do nada, me bateu a maior vontade de reassisti-lo depois de velho, principalmente porque não me lembrava se eu o tinha acompanhado até o final (não tinha).

Pois resolvi revê-lo, fazendo uma rápida viagem à Argentina atrás de um pacotão com todos os seus 112 episódios na clássica dublagem em português. E diferente de algumas outras coisas que revisitei já adulto, ele se sustentou muito bem todos esses anos depois e me diverti tanto quanto à época em que ele ia ao ar pela saudosa Rede Manchete.

Delfos, Yu Yu Hakusho

Lembro que à época comecei a vê-lo totalmente por acaso, porque era o que estava passando no horário em que geralmente eu estava de bobeira em casa e em frente à televisão. Quando menos percebi, já estava fisgado e acompanhando diariamente. Ainda que, como disse dois parágrafos acima, não tenha acompanhado até o fim.

E não me lembro porque parei de assistir antes da conclusão, visto que eu gostava pra caramba. Vai ver meus horários mudaram, ou eu simplesmente me cansei das inúmeras exibições de episódios repetidos, algo comum na televisão aberta naqueles tempos, vai saber…

Ele também foi um dos responsáveis por popularizar os animês na televisão brasileira. Chegou aqui logo na esteira do fenômeno dos Cavaleiros do Zodíaco e, embora não tenha virado uma febre como o desenho de Seiya e seus amigos, ainda é bastante lembrado e muito querido pelos fãs das antigas. Resolvi então homenageá-lo com uma caprichada resenha delfiana. Nada mais justo. Me acompanhe:

NÃO CONHECI O OUTRO MUNDO POR QUERER!

A animação é baseada no mangá criado, escrito e ilustrado por Yoshihiro Togashi e publicado na revista Weekly Shonen Jump de 1990 a 1994. E como é comum no Japão, ele ganhou uma versão animada rapidamente, ainda enquanto a HQ era publicada na terra do sol nascente.

Yu Yu Hakusho conta a história de Yusuke Urameshi, um delinquente juvenil de 14 anos cujo maior passatempo é brigar com outros jovens maus-elementos da sua escola e também de colégios rivais. Ele é considerado um demônio em sua instituição de ensino, muito embora ele não seja exatamente um bully. Ele não enche o saco de quem está quieto e só sai na mão com quem o desafia.

A história já começa de forma surpreendente, com Yusuke morrendo ao salvar um menino de ser atropelado na rua. Essa atitude é tão diferente da índole de Urameshi que pega o Mundo Espiritual completamente de surpresa. Afinal, eles não esperavam que ele morresse praticando um ato altruísta. Logo, seu falecimento não estava programado e não há lugar para ele nem lá em cima, nem lá embaixo.

Delfos, Yu Yu Hakusho

O Sr. Koenma, filho do Rei Enma Daioh, governante do Mundo Espiritual, decide dar uma segunda chance a Yusuke, e após completar algumas provações, ele é revivido. Só que passa a trabalhar para Koenma como “detetive espiritual”, responsável por resolver casos envolvendo a presença de elementos sobrenaturais no mundo dos homens.

Assim, a animação se utiliza de muitos elementos do folclore e da espiritualidade nipônicas, mais especificamente o budismo, com Yusuke se envolvendo com criaturas tanto do Mundo Espiritual quanto do Mundo das Trevas (os chamados youkais), que seria algo como o inferno, só que não. Afinal, nem todas as criaturas que habitam esse domínio são necessariamente más.

Claro que para resolver seus casos Urameshi conta com a ajuda de alguns amigos e aliados, e esse é um ótimo momento para apresentar os personagens do elenco. Mas antes, fique com a primeira abertura do seriado:

OS PERSONAGENS PRINCIPAIS

Delfos, Yu Yu Hakusho
Yusuke prestes a disparar o Leigan.

– Yusuke Urameshi: o protagonista, começa como um delinquente juvenil briguento. Mas após voltar da morte e começar sua jornada como detetive espiritual, revela sua verdadeira índole do bem. Mesmo assim, continua rebelde, teimoso ao extremo e desbocado. É capaz de canalizar sua energia espiritual (equivalente ao chi) na ponta dos dedos e atirá-la pelo indicador, num golpe especial chamado Leigan. Também possui um segundo golpe especial, o Shotgun, que lembra muito o Meteoro de Pégaso.

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Kuwabara e sua espada.

– Kazuma Kuwabara: ele começa a série como um oponente de Yusuke, que sempre perde as brigas para ele. Depois que Urameshi retorna da morte, se tornam amigos, ainda que a rivalidade permaneça. Kuwabara é sensitivo e também é capaz de concentrar sua energia espiritual numa espada chamada Leiken, que lembra muito um sabre de luz (até o barulho quando ele a conjura é o mesmo). Mais para frente ele consegue criar uma segunda espada, feita de outro tipo de energia e capaz de romper barreiras entre as dimensões. Mesmo com essas habilidades, ele é o mais fraco da turma, por ser apenas humano. Kuwabara é determinado ao extremo, sendo o único que se equipara a Yusuke em teimosia e cabeça dura, e também funciona como o alívio cômico por sua personalidade meio bobona. Por causa dessas características, é um dos personagens mais queridos dos fãs.

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Não se engane, essa rosa é mortal.

– Kurama: é um youkai em forma de raposa, exímio ladrão, que fugiu do mundo espiritual ao ser perseguido e ferido por um caçador, e se fundiu a uma criança humana no útero da mãe. Assim, seu nome humano é Shuuichi Minamino. É capaz de controlar os vegetais e transformá-los em armas, tendo um chicote feito a partir de uma rosa como arma preferida. É o mais cerebral da turma, preferindo sempre estudar o oponente primeiro antes de decidir como combatê-lo. Tanto que a maioria de suas lutas nem são tão físicas. Mas não se engane, apesar do visual delicado, com longos cabelos vermelhos e um uniforme escolar rosa, ele é extremamente poderoso e costuma despachar seus inimigos de formas bastante violentas e/ou cruéis.

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Hiei: pura marra.

– Hiei: é o baixinho folgado do grupo. Marrento, cínico, frio e de poucos amigos, é excelente na luta com a espada e também é o mais veloz deles. Controla as Chamas Negras do Inferno e possui um terceiro olho na testa. Não brinca em serviço e por isso geralmente suas lutas costumam ser as mais rápidas. Começa como vilão e, após ser derrotado por Yusuke, se junta ao grupo para auxiliá-los em suas missões como pena por seus crimes.

OUTROS PERSONAGENS IMPORTANTES

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Koenma na versão adolescente.

– Senhor Koenma: filho do Rei Enma Daioh, o governante do Mundo Espiritual, Koenma é o chefe de Yusuke e quem lhe passa as missões. Apesar de visualmente parecer uma criança, ele tem mais de 600 anos de idade e também consegue assumir a forma de um adolescente quando preciso. Nunca tira a chupeta da boca (nem em sua forma mais crescida), mas há um motivo para isso, revelado bem mais adiante.

Delfos, Yu Yu Hakusho– Botan: responsável por conduzir as almas dos mortos pelo mundo espiritual, ela serve como guia para Yusuke quando ele morre. Depois de ressuscitado, Botan vai para o mundo dos homens para ajudar Urameshi como sua assistente. Seu nome é uma brincadeira com as mangas muito longas de seu quimono, visto que a palavra japonesa botan significa mangas de roupa.

Delfos, Yu Yu Hakusho– Keiko Yukimura: amiga de infância de Yusuke e seu interesse amoroso, fica naquele vai-não-vai o desenho inteiro. Apesar de Yusuke ficar trollando ela o tempo todo, levantando sua saia e passando a mão nos seus peitos, seu amor por ele é incondicional.

Delfos, Yu Yu Hakusho– Shizuka Kuwabara: irmã mais velha de Kazuma, é sensitiva como ele e responsável por manter o mano na linha, nem que seja na base dos cascudos. Está sempre fumando e é do tipo que sempre fala a real, não importando a quem doer.

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Genkai: essa velhinha é casca de ferida.

– Mestra Genkai: uma velhinha linha dura e muito poderosa. É ela quem treina Yusuke e o ajuda a aperfeiçoar suas técnicas de luta e seu Leigan, ainda que seus métodos de treinamento se assemelhem muito a tortura. Tem uma grande participação no arco do Torneio das Trevas e toda vez que ela usa umas expressões mais modernas, tipo, “se liga, cara!”, eu racho de rir.

 

TÔ NA ÁREA, DERRUBOU É PÊNALTI!

A série equilibra muito bem a ação com humor. Embora ela comece meio devagar, desenvolvendo os personagens e a ambientação, tendo um tom mais de aventura, logo ela parte para a porradaria propriamente dita.

Yusuke e seus amigos têm de vencer a maioria das ameaças ao mundo dos homens no braço mesmo. Aí vale notar que, diferente de um Cavaleiros do Zodíaco, por exemplo, onde as lutas costumam durar vários episódios com um golpe aplicado por capítulo, aqui a coisa é muito mais dinâmica.

As lutas são resolvidas sem muita enrolação e não há muitos episódios de encheção de linguiça. Geralmente apenas os que servem como epílogo a um arco e os que começam o próximo são os mais paradões e desinteressantes, mas felizmente são poucos.

A qualidade técnica da animação também é muito boa e continua assim mesmo vários anos depois. Os traços são bacanas, os golpes especiais são vistosos e os cenários são bem detalhados e cheios de easter eggs. Nesse sentido, ele não envelheceu.

Delfos, Yu Yu Hakusho
A turma na versão fofinha que aparecia nos intervalos dos episódios.

O humor, em alguns aspectos, não envelheceu tão bem. Hoje em dia as coisas que Yusuke apronta com Keiko são assédio puro e simples, ao invés de algo mais inocente de moleque como pretendido originalmente. Por outro lado, sendo Urameshi um sujeito meio sem noção e errado, faz sentido com a sua personalidade.

Outro grande trunfo do desenho é sua dublagem e adaptação brasileira. Até hoje ele é tido como um dos melhores serviços de tradução de um desenho japonês para o português, cortesia do estúdio Audio News, e a escolha por utilizar gírias e expressões populares à época no Brasil se revelou bastante acertada e deixa o desenho ainda mais hilário.

Embora eu particularmente sempre prefira traduções o mais próximas possível do material original, aqui abro uma exceção, pois essa decisão por abrasileirar as coisas funcionou tão bem que elevou a animação a outro nível.

Seja o Sr. Koenma chamando o diabo azul que é seu assistente de chupacabra, seja a torcida no estádio durante o Torneio das Trevas entoando um “ah, eu sou Toguro!” em cima do “ah, eu tô maluco” que era febre nos estádios brasileiros nesse período, é impossível não rir com essas adaptações. Veja o vídeo abaixo, que compila algumas das adaptações mais engraçadas:

TÁ PENSANDO QUE BERIMBAU É GAITA?

Infelizmente, nem só de coisas boas vive Yu Yu Hakusho, e ele também tem alguns pontos negativos. Talvez o principal seja que seu auge, o melhor arco narrativo, seja o segundo. Há outros dois depois que simplesmente não possuem o mesmo impacto.

Isso talvez se explique porque é comum no Japão, quando um mangá faz sucesso e está vendendo bem, que os editores pressionem o autor a continuar produzindo, indo além do desfecho natural da história. Algo parecido com o que acontece com as séries de TV estadunidenses. Se está dando audiência, continuará sendo feito, mesmo que isso prejudique a qualidade e passe do ponto onde deveria terminar.

Parece ser o caso aqui. O Torneio das Trevas é a grande saga do desenho, com a maior carga dramática e os conflitos mais épicos. Seria o grande desafio a ser superado pelos personagens. E se acabasse aí, seria perfeito.

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Toguro: o grande vilão da série.

Só que há mais dois arcos posteriores, e não só eles são menores, como possuem diversos problemas de desenvolvimento. Coisas relevantes que entram muito tarde, explicações a respeito das origens de outros personagens que entram mais tarde ainda. Mas o principal é que eles simplesmente não são tão emocionantes quanto o que já havia sido feito antes.

Dessa forma, a série atinge seu pico na metade. E tudo que vem depois, embora não seja exatamente ruim, não chega aos pés desse melhor momento. Assim, acaba resultando num todo irregular. Principalmente quando assistido numa grande tacada, com vários episódios de uma vez, como eu fiz ao rever a série recentemente.

Não chega a tirar os méritos da animação, mas é inegável que deveria ter se encerrado antes de onde foi concluído. E já que estamos falando disso, passemos então aos arcos da história, que costumam ser divididos em quatro grandes sagas. E daqui para frente há grandes spoilers. Portanto, considere-se avisado!

SAGA DO DETETIVE ESPIRITUAL

É o começo do desenho, com Yusuke tendo de cumprir algumas tarefas para poder ganhar a chance de voltar à vida e, posteriormente, já revivido, resolvendo seus primeiros casos.

No primeiro deles ele precisa recuperar alguns artefatos roubados do Mundo Espiritual. É aí que ele conhece Kurama e Hiei, que junto com outro cara, foram os responsáveis pelo roubo. Acontece que Kurama, na realidade, tinha um objetivo nobre e só queria usar um deles, um espelho mágico, para curar sua mãe humana que estava sofrendo de uma doença terminal. Já Hiei foi um páreo duro e precisou ser derrotado em combate.

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O time Toguro.

Depois, Yusuke tem de evitar que Lando, um youkai malvado, receba a doutrina da Mestra Genkai, que procura um sucessor. Para isso, Yusuke e Kuwabara precisam vencer os desafios da velhinha até que reste apenas um, a quem ela irá acolher como discípulo. Obviamente, Yusuke ganha a parada, mas é durante essa aventura que Kuwabara manifesta a Leiken pela primeira vez.

A seguir, a turma tem de ir até o Mundos das Trevas para enfrentar quatro monstros que estão causando problemas no mundo dos homens e chantageando Koenma para que ele retire a barreira que impede que eles venham para o nosso plano. Kurama e Hiei são incumbidos a ajudar Yusuke e Kuwabara na missão como forma de penitência pelo roubo dos objetos espirituais.

Por fim, a turma tem de resgatar Yukina, irmã de Hiei e uma mulher de gelo, cujas lágrimas se transformam em pedras preciosas. Ela foi sequestrada por um inescrupuloso empresário e está sendo torturada para gerar as pedras e enriquecer ainda mais o canalha. É aqui que os grandes vilões da série, os irmãos Toguro, são apresentados.

SAGA DO TORNEIO DAS TREVAS

A grande saga da série. A turma de Yusuke é intimada a participar do tal torneio, organizado por homens ricos para divertimento e lucro e disputada por seres sobrenaturais querendo provar sua força.

As lutas são disputadas em equipes de cinco lutadores e Genkai completa o time Urameshi junto de Yusuke, Kuwabara, Kurama e Hiei. Os confrontos são épicos, cheios de tensão e carga dramática e um monte de acontecimentos tremendões.

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O grande confronto entre Yusuke e Toguro.

Kuwabara mostra toda sua determinação e persistência para enfrentar youkais muito mais fortes do que ele. A verdadeira forma de Kurama, chamada Kurama Youko é revelada e é ainda mais poderosa que sua forma humana. E Hiei lança suas Chamas Negras do Inferno ainda sem dominá-las totalmente e desintegra um adversário, mutilando seu próprio braço no processo. Também é revelado uma grande treta do passado de Genkai e o Toguro caçula, explicando as motivações do vilão e tornando-o o melhor adversário da série.

Tudo culmina no esperado confronto entre Yusuke e Toguro, um sujeito que anuncia a porcentagem de sua força que ele está usando e vendeu sua alma por seu descomunal poder físico, tornando-se um monstro no processo. Tudo isso torna essa a  grande saga da série em termos de história e emoção.

SAGA DO CAPÍTULO NEGRO

Surge uma nova ameaça, Shinobu Sensui, antecessor de Yusuke no posto de detetive sobrenatural. Após anos desaparecido, ele retorna com o intuito de abrir um buraco entre o mundo humano e o das Trevas para que as criaturas mais poderosas consigam invadir o mundo dos homens e acabar com tudo.

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Sensui, o vilão da Saga do Capítulo Negro.

Yusuke e seus amigos precisam impedir que o buraco seja aberto e deter Sensui e seus comparsas no processo. Para quem venceu Toguro no Torneio das Trevas seria moleza, só que Sensui se revela ainda mais poderoso.

Embora até introduza novos companheiros para a turma de Yusuke e alguns conceitos interessantes, como os inimigos criarem “territórios” onde seus poderes podem ser plenamente utilizados, há muitos problemas.

O principal é que muito sobre Sensui é revelado muito tarde e nem sequer possui qualquer importância narrativa (como o fato dele ter sete personalidades distintas, por exemplo). A luta final entre ele e Urameshi também se estende além da conta. E depois do que eles passaram no Torneio das Trevas, os seis capangas de Sensui são simplesmente muito fracos para a turminha.

SAGA DOS TRÊS REIS

Durante a luta final contra Sensui é revelado que Yusuke possui genes youkai. Acontece que Raizen, um figurão do Mundo das Trevas, numa época em que os monstros andavam entre os humanos, andou de graça com uma bruxa humana e esses eram os ancestrais de Urameshi. Assim, Raizen se considera o “pai” de Yusuke. Isso explica o enorme poder de Urameshi. E ele até assume uma aparência de youkai durante a luta contra Sensui.

Também é explicado que o Mundo das Trevas está dividido entre territórios comandados pelos youkais Raizen, Mukuro e Yomi e os três estão numa guerra fria pelo controle total do lugar. Raizen está enfraquecido, pois está há milênios numa greve de fome quando passou a se recusar a comer humanos!

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Yomi, um dos três reis.

Ele convoca o “filho” Yusuke para ir até o Mundo das Trevas para ajudá-lo no conflito. Por sua vez Yomi, um antigo parceiro de roubos de Kurama da época em que este era Kurama Youko, o recruta para ajudá-lo. E Mukuro chama Hiei para as suas fileiras.

No entanto, quando Raizen morre e Yusuke assume seu império, ele decide evitar a guerra aberta propondo um novo torneio para decidir quem mandará na porra toda. Quem se sagrar campeão da competição comandará o Mundo das Trevas por três anos, até que se faça um novo torneio e assim por diante. Quem dera todas as eleições fossem feitas dessa forma!

DANE-SE O MUNDO QUE EU NÃO ME CHAMO RAIMUNDO!

Mesmo o arco dos Três Reis sendo o mais curto e não tão bem desenvolvido, calhou que o final do animê acaba sendo um destaque por fugir das soluções óbvias, surpreendendo o espectador. Para começo de conversa, Kuwabara aceita suas limitações e nem participa desse último arco, pois conclui que para ele já deu, preferindo permanecer no mundo dos homens, concentrando-se nos estudos e levando uma vida normal.

A grande surpresa, no entanto, é que Urameshi perde a luta derradeira. Assim, ele decide retornar ao mundo dos homens para ficar com Keiko, cumprindo uma promessa que fez a ela. No entanto, está determinado a voltar em três anos para a revanche.

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O visual demoníaco de Yusuke.

E assim se encerra um dos animês mais bacanas a passar em nossas telinhas, que marcou minha tenra juventude e me entreteve em igual medida já com muitos anos a mais. Para quem já viu, uma revisitada não faz feio. E para quem nunca viu, sem dúvida fica a recomendação.

CURIOSIDADES DE YU YU HAKUSHO:

– O título da série pode ser traduzido como Livro Branco da Melancolia ou Livro Branco Sobre Fantasmas. Também é uma brincadeira com o nome do protagonista.

– O nome Yusuke significa algo como “ajudante de fantasma”. Já o sobrenome Urameshi é uma palavra dita por espíritos mortos.

– O nome de Kuwabara é uma combinação de dois dos jogadores de beisebol favoritos de Yoshihiro Togashi.

– Já Kurama e Hiei são nomes de montanhas no Japão.

– O animê estreou na Rede Manchete em março de 1997, onde permaneceu em sua grade de programação até o fim da emissora.

– Em 2004 passou a ser exibido pelo Cartoon Network dentro de seu bloco Toonami. Contudo, ele sofreu vários cortes, eliminando muito das partes mais violentas e outras cenas que o canal julgava inapropriadas para seu público.

– Em 2005, voltou à TV aberta pela Rede 21 numa versão ainda mais cortada que a do Cartoon. Já em 2007 foi exibido pela Rede Bandeirantes e em 2008 pela PlayTV.

– Em 2005 a PlayArte lançou a série em DVD aqui no país num total de 30 volumes contendo todos os 112 episódios.

Yu Yu Hakusho gerou dois longas-metragens, ambos com histórias fechadas e não canônicos para o mangá ou o animê televisivo. O primeiro, intitulado simplesmente Yu Yu Hakusho, foi produzido em 1993. E o segundo, Yu Yu Hakusho: Meikai Shito Hen – Hono no Kizuna, é de 1994.

– O mangá que originou a animação também foi publicado por aqui pela editora JBC, reunido em 19 números.