Velozes e Furiosos 8 é o primeiro filme da série feito após a morte de Paul Walker, e o segundo onde seu personagem Brian O’Conner não aparece (o outro é o terceiro). Após a despedida feita ao ator e personagem no final do longa anterior, a franquia precisava seguir em frente.

E seguir em frente foi o que ela fez. O novo filme tenta dar uma agitada nas coisas ao colocar seu grande protagonista do lado negro da força. Dominic Toretto é abordado por uma ciberterrorista (Charlize Theron, no piloto automático) que consegue persuadi-lo a passar para o lado dela e ajudá-la em seu plano nefasto que, como sempre nesse tipo de filme, não faz o menor sentido e não interessa a ninguém. Mas por que o cara fez isso? Aí só vendo o filme.

Chocados com a traição do brother, a chamada família de Dom irá se posicionar contra ele, nem que para isso precise recrutar ex-inimigos. Pois é, o Jason Statham retorna e agora passa para o lado dos mocinhos, embora ele e o personagem do The Rock continuem se provocando o tempo todo.

Se você leu minha resenha do filme anterior, sabe que eu gostei pra caramba dele, pois é um baita Testosterona Total, exagerado como todo longa do gênero deve ser. Logo, minha expectativa havia aumentado consideravelmente para este aqui. E ele simplesmente não está no mesmo nível. Para mim, Velozes 8 basicamente sofre de dois problemas.

O primeiro e mais aparente é o novo diretor. F. Gary Gray não é Justin Lin, o responsável por fazer a mudança da cinessérie dos carros tunados do início para Testosteronas Totais que por acaso também usa carros e criou muito da identidade visual da franquia. E muito menos é James Wan, que mandou muito bem em Velozes 7 e talvez seja o grande responsável pelo seu sucesso.

Assim, esqueça as cenas de ação mega-elaboradas e com ângulos de câmera diferentões. Gray, embora em um ou outro momento até faça um enquadramento mais inusitado, prefere mais se ater ao feijão com arroz. É funcional, mas perde muito do espetáculo. Não segue a regra das continuações, que demandam que elas sejam maiores e mais explosivas do que o exemplar anterior.

O outro problema é que a família está pequena. Paul Walker faz falta, mesmo com seu personagem sendo citado e recebendo mais uma homenagem. Fica claro que eles estão tentando expandir o grupo, seja trazendo o Jason Statham para o lado deles, seja com o personagem do Scott Eastwood, mas ainda não deu aquela liga, especialmente no caso do filho do Clint, onde falta carisma. Talvez em produções posteriores eles consigam se entrosar mais, mas por enquanto fica uma sensação de que algo está faltando nesse departamento.

Dentre as coisas boas, é justamente quando o filme mais exagera que ele se sai melhor. As piadas com a força descomunal e sobre-humana do agente Hobbs são muito boas. A cena de ação em Nova Iorque, que mais parece uma grande homenagem a Os Irmãos Cara-de-Pau, é um daqueles momentos tão absurdos que não há outra opção a não ser desligar o cérebro e se divertir. E o final também empolga. Pena que o filme todo não segue esses momentos mais deliciosamente sem-noção.

No todo, Velozes e Furiosos 8 é um bom filme de ação, mas perde feio na comparação com seu antecessor. Claro, a série perdeu um de seus astros, então já era de se imaginar que ela precisasse passar por um período de adaptação. Mas para seguir em frente com o máximo de qualidade, ainda precisa de mais ajustes. A família precisa crescer e voltar a se empolgar.