Thumper

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Thumper é um jogo descrito pelos seus desenvolvedores como um jogo de “ritmo violência”. Curiosamente, a violência em questão não parece se referir ao que rola na telinha, até porque o jogo em si não é violento. Não, a violência é feita com o jogador que, após algumas horas, vai criar bolhas nos dedos.

Funciona assim: você controla um besouro espacial que está voando a altas velocidades rumo a uma cabeça gigante. Você sabe, coisa de videogame. No seu caminho, vão aparecendo obstáculos e você deve reagir de acordo. Começa simples, apenas apertando X. Logo rolam curvas que você deve fazer, coisas que deve passar por cima e até outras faixas. Não mude de faixa na hora correta e besouro faz bum. Cada fase apresenta uma ou mais novas mecânicas e, lá pela quarta ou quinta (Thumper tem nove), você estará pedindo para ele parar de ficar cada vez mais complexo.

Até que o timing do jogo é bom, acrescentando novos desafios gradualmente e dando bastante tempo para você se acostumar antes de acrescentar outras coisas. Isso não significa que ele é fácil. Aliás, muito pelo contrário. Primeiro erro, você toma dano. No segundo erro, besouro faz bum.

O desafio proposto pela sua platina é bem simples: consiga a classificação S em todas as fases. Meu amigo, se você for capaz de tamanha proeza, terá minha eterna admiração. Aqui na terra dos noobs, eu ainda estou tentando simplesmente chegar até o final.

O visual é bonito, bem brilhante e um tanto abstrato, mas não há muita diferença de cenário ou de música entre as fases. No vídeo aí embaixo você vai ter uma boa ideia da cara e do jeitão do jogo.

As fases são divididas em vários atos curtos que servem como checkpoints (e dá para parar em cada um deles sem perder progresso). Cada ato dura, em geral, menos de um minuto. Só que lá pela terceira fase o jogo adquire tamanho grau de complexidade que exige uma destreza absurda dos seus dedos.

Para você ter uma ideia, levei 90 minutos para passar da quarta fase. Depois desse tempo, estava cansado, suado e com os dedos doendo. E na maioria dos atos eu tirei a classificação C, aparentemente a pior do jogo.

Entre os atos, rolam também alguns chefes. Infelizmente, os chefes, tais como as fases, não têm visuais variados, sendo basicamente formas geométricas ou uma caveira mal-encarada, que repete o papel de antagonista final em todas as fases.

As batalhas contra os chefes não são tão diferentes do jogo padrão. Basicamente, num trecho normal, você foca em sobreviver, então quando o bicho pega, você desvia das coisas que te machucam e abre mão daquelas que apenas dão pontos.

Já os chefes consistem em quatro sequências. Se você errar qualquer comando, pode até não morrer, mas tem que reiniciar a sequência. Pense, por exemplo, em como funciona o star power do Guitar Hero. Lembra como você não podia errar nenhuma nota na sequência para ganhar o bônus? É tipo isso. Acerte as quatro sequências sem errar e, para variar um pouco, quem faz bum é o chefão.

A comparação com Guitar Hero, aliás, não é mera coincidência, uma vez que a desenvolvedora Drool é composta de dois caras, ambos ex-funcionários da Harmonix que trabalharam em Guitar Hero e Rock Band. Thumper não é um jogo roqueiro. Na verdade nem é tão musical quanto outros jogos de ritmo, mas dá para perceber que eles usaram o que aprenderam no passado por aqui.

Uma coisa bacana é que Thumper pode ser jogado na íntegra com ou sem o PS VR. Obviamente, eu ainda não tenho o óculos, então joguei apenas na TV mesmo, mas não vejo a hora de experimentar em realidade virtual. Jogando normalmente, eu já movimentava meu corpo para fazer as curvas, imagino que com a maior imersão proporcionada pelo VR, ia ser engraçado me ver jogando isso aqui.

Thumper é um jogo divertido, apropriado para ser jogado em pequenas doses, graças à sua altíssima dificuldade. O difícil é conseguir parar. Sabe aquelas crianças que pedem pra mãe “só mais cinco minutinhos”? Pois este será você em Thumper. “Só mais uma tentativa, querida. Daí eu paro”.

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