Ted

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As duas últimas temporadas de Family Guy/Uma Família da Pesada foram tão ruins que eu simplesmente decidi abandonar a série e preservar as muitas boas memórias das temporadas mais antigas. Até por conta disso, não sabia o que esperar da estreia de Seth MacFarlane na direção de um longa-metragem live action. Poderia ser a porcaria que a série de TV virou ou poderia surpreender, com um gás novo pelo trabalho em uma mídia diferente. Felizmente, o filme corre por este segundo caminho.

Contudo, antes mesmo de apresentar a sinopse, é preciso dar um aviso: se você pretende assistir Ted, veja antes Flash Gordon (aquele com a trilha sonora do Queen). Acredite em mim, é para o seu próprio bem. Quando você assistir ao filme, saberá do que estou falando.

Agora sim, à sinopse! John Bennett era uma criança sem amigos. Daí, num passe de mágica, o urso de pelúcia que ganhou de Natal adquire vida e vira o melhor amigo que ele sempre quis. As décadas passam e agora John tem 35 anos e é interpretado pelo Mark Wahlberg, que segundo o próprio Family Guy, atua sempre como se estivesse irritado e confuso.

É bom ver que o ator levou na esportiva e aceitou trabalhar com quem tirou uma com sua cara. Mas onde eu estava mesmo? Ah, sim. John está com 35 anos, sem nenhuma perspectiva de vida e seu relacionamento de quatro anos com a Jackie do That ‘70s Show está a perigo por conta da má influência do urso Ted, que após todo esse tempo todo ainda é seu melhor amigo.

A grande graça do filme é justamente a interação entre os dois chapas. A história em si é boba e clichê, e todo o arco do Giovanni Ribisi, como o sujeito que quer o Ted para ele, é completamente desnecessário, embora renda umas duas piadas hilárias. Pense no filme como uma série de esquetes e situações entre John e Ted, pois é assim que ele funciona melhor.

O relacionamento de Ted com as outras pessoas também é bem engraçado, por todo mundo aceitar numa boa a existência de um urso de pelúcia com vida própria. E o humor, claro, é típico das séries de Seth MacFarlane em seus melhores momentos: cínico, sarcástico e politicamente incorreto. Só é pena que ele, como aparentemente todo estadunidense, também adore uma piada de peido, e coloque algumas aqui. Como você pode concluir, elas são os momentos menos engraçados do filme.

Mas nem mesmo elas conseguem estragar o clima geral da película, e a grande maioria das piadas acerta em cheio e arranca boas gargalhadas. Só as muitas referências a filmes e séries de TV já tornam este longa quase obrigatório para qualquer nerd que se preze. E eu não sei quanto a você, mas para mim, ver o Marky Mark levando uma surra de um diminuto urso de pelúcia já vale o preço do ingresso.

Parece que essa primeira incursão cinematográfica fez muito bem à capacidade cômica de Seth MacFarlane e sua equipe de roteiristas (embora não tenha surtido o mesmo efeito na criatividade da trama). Bem que MacFarlane poderia encerrar o desenho de vez e se focar mais nesse meio. Poderia ser uma jogada melhor para ele, e, consequentemente, para os fãs. Para quem, como eu, estava com saudade dos bons momentos de Family Guy, Ted é a pedida.