Eu até acho legal essa reimaginação recente da franquia Planeta dos Macacos. Vi os dois filmes anteriores e gostei. Só que eles não ficaram na minha cabeça. Me lembro de muito pouca coisa deles e mesmo assim não tenho vontade de revê-los.

Eu gosto mesmo é dos antigões, os quais assisti pela última vez já faz uns bons anos e mesmo assim ainda me lembro de mais coisas deles do que dos recentes. Caramba, eu gosto até do remake do Tim Burton. Pronto, falei! Talvez seja pelo aspecto mambembe da coisa, mas os velhos têm um charme que acho que falta nos novos.

Claro, estes têm o melhor da tecnologia de ponta a seu favor, e como a usam bem! Talvez a técnica de captura de performance que permite registrar movimentos e expressões faciais de um ator, substituindo-o por um personagem digital nunca tenha alcançado um estágio tão perfeito quanto neste Planeta dos Macacos: A Guerra. Mas isso é assunto para um pouco mais à frente. Antes, a sinopse:

DONKEY KONG

Após os eventos do filme anterior, humanos e macacos estão em guerra aberta, muito embora os símios, sob a liderança de Caesar, apenas rechacem os ataques das pessoas, preferindo ficar no seu canto da floresta. Só que um coronel malvadão (Woody Harrelson, canastrão) vai mudar isso e tornar a coisa pessoal para Caesar.

Big mistake. O macaco partirá numa jornada para matar o sujeito, custe o que custar. No meio do caminho, formará novas alianças e conhecerá alguns outros aspectos horríveis da guerra que não tinha vivenciado até então.Delfos, Planeta dos Macacos, Cartaz

Talvez este seja o mais humano dos três filmes da nova saga. O que mais aborde questões como traumas, família, lealdade e afins. E é óbvio que todo esse aspecto humano não vem das pessoas e sim dos macacos.

Esta é a grande força da película: ele é praticamente inteiro centrado nos símios, e não só desenvolve perfeitamente sua sociedade e as relações entre eles, como ainda faz você se importar e se emocionar com eles. Toda a simpatia está com os macacos. Tem muito filme onde os realizadores sequer conseguem fazer você se relacionar com um personagem humano sequer, este aqui consegue fazer você gostar de todos os macacos. E quando algum deles morre no conflito, realmente é algo sentido.

TAKE YOUR STINKING PAWS OFF ME, YOU DAMNED DIRTY APE!

Os humanos mal aparecem, demora um bom tempo para o núcleo do coronel ganhar algum destaque e quando isso acontece, mesmo que haja até uma boa cena de conversa expondo o lado deles do conflito, ainda assim eles são demonizados e cruéis. Não há dúvidas de quem são os vilões.

Eu sempre reclamo em filmes de monstros gigantes, por exemplo, que os realizadores teimam em fazer do núcleo humano o centro dramático da narrativa. Aqui, num longa chamado Planeta dos Macacos, pode apostar que são eles que movem toda a trama e é neles que quase todo o filme foca. Uma decisão bastante acertada.

A trama é boa, mostrando todos os horrores e sofrimentos possíveis de uma guerra, desde os colaboracionistas (que os humanos passam a chamar de jumentos), traidores da própria raça, até o tratamento dado a prisioneiros de guerra, vários aspectos são bem tratados pelo roteiro, ainda que ele não seja isento de alguns furos e problemas de lógica. Não são tão graves, mas também poderiam ser facilmente resolvidos com um tiquinho só de criatividade.

Delfos, Planeta dos Macacos: A Guerra, Andy Serkis
Adivinha quem veio promover o filme. Foto: Carlos Eduardo Corrales

O que está mesmo impecável são os macacos digitais feitos a partir da captura de performance. Caramba, eles parecem mesmo reais. Até mesmo os olhos, algo que sempre foi um grande problema para personagens digitais, estão simplesmente perfeitos e muito expressivos.

Andy Serkis está excelente como um Caesar mais velho, mais cansado, e agora ainda cheio de ódio pela humanidade, disposto até a quebrar algumas regras que ele mesmo criou. Mas quem rouba a cena é Steve Zahn como Macaco Mau (sim, este é o nome dele), dono de uma história triste, mas que funciona como o alívio cômico. Toda vez que ele está em cena, é impossível tirar os olhos dele.

A MACACADA REUNIDA

No mais, para mim A Guerra está no mesmo nível dos dois exemplares anteriores. Quer dizer, o começo dele é até melhor, mas lá para o meio ele perde o ritmo e acaba ficando na mesma média. É bom, entretém, e os efeitos especiais são excelentes, feitos para se ver na maior tela possível. Até o 3D é bem feito.

Só que, novamente, embora tenha me enchido os olhos no escuro do cinema, não creio que vá me lembrar dele mais para frente, assim como acontece com seus antecessores. Seja como for, se você gosta da franquia no geral, e sobretudo dos dois anteriores, pode ir sem medo que a diversão é garantida.