Paranóia

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O amigo delfonauta gosta da obra do mestre do suspense Alfred Hitchcock? É chegado num suspense/terror teen? Sempre imaginou qual seria o resultado da junção do velho “Hitch” (aquele que não era um conselheiro amoroso) com o famigerado gênero cinematográfico supracitado? Então Paranóia é a resposta para essa questão. E uma boa resposta, diga-se de passagem.

Mesmo que em nenhum momento dos créditos finais apareça qualquer menção ao roteiro ser baseado no de Janela Indiscreta, de 1954, escrito por John Michael Hayes, ou ao conto de Cornell Woolrich, que foi a inspiração para o filme de Hitchcock, as felizes coincidências são tão inegáveis que se pode dizer que é praticamente uma refilmagem repaginada para as modernidades do século XXI.

Ao invés do fotógrafo de perna quebrada que espia o prédio da frente, agora temos o adolescente Kale (Shia LaBeouf, de Transformers), sentenciado a prisão domiciliar por realizar o sonho de muitos estudantes por aí: socar seu professor babaca. Entediado, Kale passa, no melhor estilo voyeur, a espionar as casas vizinhas. E entre observar a garota que acabou de se mudar para a casa ao lado (Sarah Roemer) e a família da frente, passa a suspeitar que o reservado vizinho do outro lado, o Sr. Turner (David Morse), pode ser um assassino. Mas como ele não pode sair dos limites de sua propriedade, ou vai para a cadeia, conta com a ajuda de seu melhor amigo e da vizinha nova para desvendar o mistério.

Quem já assistiu a vários filmes do gênero não vai ter nenhuma dificuldade para matar o que acontece. E o final, principalmente, é bem comunzão. Mas então por que a nota alta e o elogio do primeiro parágrafo, você me pergunta? Simples. Embora não seja nenhum primor de originalidade, o grande diferencial de Paranóia está na condução da história e em seu elenco, o que o deixa bem acima da média de outros exemplares recentes.

Kale é um típico adolescente comum. Assiste TV, joga Xbox 360 e ouve músicas no Ipod (Nota do Corrales: Pô, por essa descrição, até eu sou um adolescente comum!). Em nenhum momento você duvida que ele, bem como os outros personagens, poderia muito bem existir mesmo. Aqui não há aqueles momentos onde o sujeito toma alguma atitude inverossímil, o que sempre tira a graça desse tipo de história.

Quanto ao elenco, Shia LaBeouf é o outro grande responsável pelo bom desempenho da película. É carismático e bom ator, segurando bem um papel de protagonista onde não precisa contar com robôs alienígenas gigantes como parceiros. David Morse também manda bem, com uma performance ameaçadora, mas contida, do possível serial killer. E há também a presença de Carrie-Anne Moss (a Trinity, meu!) como a mãe de Kale.

Vale ressaltar também a segunda seqüência do filme (da qual não posso falar nada para não estragar a surpresa), muito bem orquestrada pelo diretor D.J. Caruso, cujo único ponto fraco, como já disse antes, foi mesmo ter feito um final bem genérico. Mas no fim das contas, tudo o que leva a ele é bem legal.

Então, fica o conselho, não tenha medo desses pontos fracos, pois Paranóia é a melhor pedida de filme de suspense dos últimos meses. Com certeza vai agradar tanto fãs do Alfredão Hitchcock quanto apreciadores de um bom thriller em geral. Só não vai começar a espionar os vizinhos depois, hein? Vai que eles também são assassinos.

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