O Shaolin do Sertão

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Todo mundo gosta de artes marciais, é um fato provado e comprovado cientificamente. E se existe alguém que não gosta, certamente não deve ser muito bom da cabeça. E não é que uma comédia brasileira presta homenagem a elas, especialmente aos filmes de kung fu?

O Shaolin do Sertão é Aluízio Li, tão apaixonado por kung fu que treina sozinho e passa os dias devaneando ser o herói de filmes antigos. Contudo, apesar de seguir a filosofia shaolin, ele não é lá muito eficaz na hora de colocar os ensinamentos na prática. Ou seja, ele apanha até da própria sombra.

Enquanto isso, um famoso lutador de telecatch (a história se passa nos anos 1980) está em turnê pela região desafiando os cabras machos de cada cidade a subir no ringue contra ele. Aluízio acaba virando o representante de sua cidade para enfrentar o sujeito e terá de encontrar um mestre de verdade para treiná-lo para a peleja.

O filme consegue algo raro, especialmente em se tratando de cinema nacional. Ele dosa bem um humor popular, acessível a todo tipo de público, com uma temática e referências mais voltados aos fãs do cinema de pancadaria e nerds em geral. Se você gosta de filmes de artes marciais, não há como não simpatizar com este.

Ele presta uma boa homenagem ao gênero, seja com coisas pequenas, como o uso de efeitos sonoros nos golpes ou mesmo nos movimentos de mão, seja abrasileirando o treinamento de Aluízio, naquela que é a sequência mais divertida do longa. E não é que o uso das paisagens do sertão, ainda por cima, casam muito bem com as tomadas dos treinamentos?

Os diálogos lotados de gírias e expressões nordestinas deixam a mistura ainda mais engraçada, com mais uma infinidade de jeitos de chamar e provocar um sujeito para cair na porrada. Alguns diálogos me lembraram muito coisas como Os Trapalhões, o que até faz sentido, visto que o Dedé faz uma participação no filme.

Ele poderia ser ainda mais divertidão se tivesse mais referências abertas a filmes, lutadores e etcetera, mas fiquei com a sensação de que não puderam fazer isso por conta de direitos autorais, o que certamente custaria uma boa grana. E a grande luta contra o wrestler acaba nem sendo tão legal assim, e sendo ela o clímax do filme, é um problema. Sem contar que ela poderia ser encurtada facilmente.

Ainda assim, no geral o filme é bem divertido e arranca risadas em diversos momentos. É uma boa e despretensiosa Sessão da Tarde, mais que indicada para quem curte um filme de kung fu ou de pancadaria em geral, e principalmente quando as porradas são misturadas com humor. Se é o seu caso, vale uma assistida.

CURIOSIDADE:

– Quem aqui sacou a referência na chamada da resenha? Se você sabe do que estou falando, basta responder nos comentários a pergunta que não quer calar: quem é o mestre?