O Juiz

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Se você me perguntasse ontem se eu assisti a O Juiz, eu teria falado que sim. É aquele filme com o Sylvester Stallone que ninguém gosta, baseado no Juiz Dredd. Pois hoje a minha resposta mudaria. Pergunte-me se eu assisti a O Juiz, e eu responderia “qual deles?”. Seja qual for, minha resposta ainda é sim, pois eu assisti aos dois. Mas apesar do mesmo título, eles são bem diferentes.

Aqui, Tony Stark (Robert Downey Jr.) cansou de defender os frascos e comprimidos e resolveu ir para o lado oposto, como um advogado que defende apenas clientes culpados e endinheirados. “Inocentes não conseguem me pagar”, diz, com orgulho, nos primeiros minutos do filme. Pois é, eu já não gostei dele logo de cara. Claro, como Roberto Deprimido Júnior é um ator um tanto limitado que sempre faz os mesmos papéis, o cara acaba sendo igualzinho ao seu personagem nos filmes da Marvel.

Acontece que a mãe dele acabou de morrer, e ele precisa ir para uma cidadezinha no interior dos States para o enterro da velha. Ele não vê seu pai (Robert Duvall) e seus irmãos há décadas, e não está ansioso para revê-los. Tudo fica ainda pior quando seu papis, que é juiz, aparentemente atropela e mata um antigo desafeto, o que pode comprometer todos seus julgamentos anteriores. Ele não se lembra de ter feito isso, mas tinha motivo e oportunidade. Que sorte que seu filho é especializado em defender culpados, né?

O Juiz ataca em duas frontes. Na primeira, e melhor, é um drama de tribunal no qual Robert Downey Jr. tem que refutar as investidas do Billy Bob Thornton. É muito legal ver os argumentos de ataque e as réplicas defendendo o meliante, bem como a preparação para o julgamento e as recusas e teimosias do pai, que não parece disposto a ajudar a si mesmo. Como ajudar um cliente que não se ajuda? Este será o maior desafio da vida do Betão Pra Baixo Jr.

A outra fronte mostra a reaproximação do protagonista à sua família e a um antigo amor da adolescência (Vera Farmiga). Ela serve para humanizar um personagem deveras desagradável, mas acaba servindo mais como enrolação. Toda vez que a bonitinha Vera Farmiga aparece, você vai ficar desejando que eles voltem logo para o tribunal.

Talvez com uma edição mais impiedosa, essas partes não esfriassem tanto o filme, que tem longos e desnecessários 141 minutos de duração. O final também se estende mais do que deveria, e convenhamos, não faz muito sentido. Aquilo nunca acontece na vida real daquela forma.

O Juiz não é um filme para todo mundo. Recomendo-o com algumas ressalvas para aqueles que, como eu, gostam bastante de dramas de tribunal. Não é o melhor do gênero, e nem tem as melhores discussões, mas entretém moderadamente. Um pouco acima de um filme nada, mas não muito.