Invasão à Casa Branca

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Como criar a sinopse de um filme cujo título é Invasão à Casa Branca? Convenhamos, não dá para ser muito mais claro do que isso. O curioso é que o original em inglês cairia muito bem como um subtítulo para o game God of War III, o que diz muito sobre a forma que os estadunidenses se veem.

Bom, Invasão à Casa Branca mostra, surpresa, surpresa, uma invasão à Casa Branca (faça cara de surpreso agora!). E nada de alienígenas, aqui a coisa é bem mais séria e contemporânea: os vilões são coreanos, e são tão eficientes quanto todos os estereótipos de olhos puxados prometem.

Eles tomam a Casa Branca em uma belíssima, crível e longa cena de ação logo no início do filme, e o único agente que sobra vivo no local é o Gerard Butler. Obviamente, cabe ao solitário herói salvar o presidente, a América e a liberdade.

E sim, temos aqui uma hercúlea dose de patriotada. É difícil não simpatizar com um vilão cujo objetivo é resolver a guerra civil de seu país sem interferências externas. Aliás, eu gostaria muito de ver como os EUA reagiriam se um país do outro lado do mundo e que nada tinha a ver com a treta tivesse se metido na sua própria guerra civil.

O ufanismo é tanto que o filme termina com um discurso que não me deixou outra opção que não o de tirar meio Alfredo da nota. No entanto, como você pode constatar pela quantidade de dragões que sobraram abaixo do pôster, o negócio é bom. Muito bom. Digo mais, temos aqui o melhor filme de ação desde o testosterônico Os Mercenários 2.

Ao contrário do filme que mostrou Bruce Willis, Schwarzenegger, Stallone e Chuck Norris chutando bundas lado a lado, no entanto, este aqui não tem nada de fanfarrônico. Pelo contrário, é bem sério. Tem várias cenas que imagino que seriam bastante chocantes para os estadunidenses, pois a relação que eles têm com o seu governo é bem diferente da nossa. Acredito que você concorda que, se um filme brasileiro mostrasse o Palácio do Planalto sendo invadido, provavelmente os heróis seriam os invasores…

Para nós, no entanto, ver a Casa Branca sendo destruída tem tanto poder quanto ver a Torre Eiffel caindo ou as pirâmides do Egito explodindo. São cenas de ação legais, mas está muito longe de realmente mexer com a gente.

Isso faz com que assistir a Invasão à Casa Branca seja uma experiência bem diferente no Brasil do que nos EUA. Para o estadunidense médio, ele pode ser chocante e ousado. Para nós, trata-se de uma excelente diversão para sábado à tarde.

E excelente ela é, amigo delfonauta. A ação é quase non-stop e é bastante variada. Temos duelos aéreos, tiroteio, lutas com facas e mano a mano, tudo regado a explosões a rodo. A direção, em especial, é espetacular. Trata-se de um filme visualmente belíssimo, que consegue mostrar sua violência de forma bela, porém realista, sem cair no gore ou no fantasioso, e este é um equilíbrio muito difícil de ser alcançado.

Desta forma, temos aqui um longa altamente recomendável, que deve ser assistido por qualquer pessoa que gosta de ver coisas explodindo. E caso você também nutra alguma antipatia pelo tradicional ufanismo estadunidense, toda vez que eles falarem “America”, substitua por “Mordor” e vamo que vamo!