Hue

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Alguns jogos ganham a gente por quão elaborados são. Outros têm na simplicidade seu maior charme. É o caso de Hue, joguinho que chega amanhã aos consoles e PCs.

Hue em português significa “matiz”, título bem apropriado para o jogo. É também o nome do nosso protagonista, um menino que lembra bastante o de Limbo. Hue mora em um mundo cinza e sem graça, mas daí ele começa a encontrar cores pelo chão. Eu sei, quem nunca, né?

De posse das cores, ele consegue pintar o céu, e isso faz com que coisas apareçam ou desapareçam. Por exemplo, tem uma pedra azul no meio do caminho? Como já diria Drummond, “pinta o céu de azul que ela some”.

O começo é bem simples, e a soma do visual charmoso e simples com a trilha sonora de piano e a suave narração feminina dão ao jogo um gostoso clima relaxante. Logo você começa a encontrar novas cores, e isso vai complicar bastante sua vida.

Se no início você precisa apenas pular alguns buracos e empurrar alguns blocos coloridos, quando você tiver três ou mais cores no seu inventário vai precisar alternar entre elas de forma deveras habilidosa. Aí o jogo mostra a que veio.

Hue tem dois tipos de desafio. O primeiro são puzzles. Você precisa manipular as cores para conseguir movimentar blocos coloridos e passar por bloqueios ou lugares altos. Alguns puzzles são tão complexos que devo dizer que jogar antes do lançamento me fez ter uma nova apreciação pelas pessoas que fazem guias para games.

O outro tipo de desafio são típicos de plataforma. Você pode, por exemplo, ter que pular entre plataformas voadoras que se desfazem quando são pisadas. Até aí tudo bem. Quem nunca jogou um jogo assim? Mas Hue complica este desafio tradicional colocando pilares coloridos entre as plataformas, o que significa que você vai precisar alternar entre as cores de acordo para conseguir passar pelos pilares, antes que o chão se desfaça. Não ficou complicado o suficiente ainda? Pois e se as plataformas forem coloridas, o que faz com que, se o céu esteja da mesma cor que elas, elas simplesmente não fiquem sólidas? Como você deve ter reparado, Hue chega a exigir um nível de destreza nos dedos digna de quem jogava no Nintendinho.

Felizmente, cada desafio é uma tela, e o jogo salva sempre que você muda de tela, então você nunca volta muito ao morrer e pode parar de jogar a qualquer momento sem perder muito progresso.

Hue é um daqueles jogos que é puro game design. Não tem inimigos e não tem combate, mas nem por isso ele é fácil e vai desafiar até os mais exigentes jogadores. É simples de aprender, mas chegar ao final sem usar um guia é digno de bragging rights. E se você pretende usar um guia, talvez de fato não seja o jogo para você. Mas se aceitar o desafio, pode render muitas horas de diversão desafiadora, especialmente desenvolvidas para aqueles que gostam de jogos bem old-school.

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