Dexed

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Eu costumo confundir a Ninja Theory com a Team Ninja. As duas fazem jogos muito legais e têm nomes parecidos, mas devo dizer que eu sou bem mais fã da Ninja Theory. Três dos jogos mais legais da geração passada foram criados pelo estúdio inglês. Refiro-me, é claro, a Heavenly Sword, Enslaved: Odyssey to the West e DmC: Devil May Cry. Basicamente, a empresa se especializou em hack ‘n’ slashes lineares com histórias bacanas e visual impressionante e está é uma excelente receita para um jogo me agradar.

Dexed é a primeira incursão dos manos no mundo do VR e, ao contrário de seus jogos mais conhecidos, é bastante simples e casual. Trata-se de um on-rails shooter que pode ser jogado com o Dualshock ou, mais recomendado, com dois Moves.

O jogo segue aquela linha até tradicional em shooters. Você tem dois tipos de tiro: fogo e gelo, cada um designado a uma de suas mãos. Cada inimigo é fraco a um deles e resistente ao outro. Obviamente, você deve atirar corretamente para progredir e ganhar altos pontos.

A mira é no estilo lock-on. Em outras palavras, segure o gatilho e passe o cursor pelos inimigos. Quando soltar o botão, os tiros são liberados. Para melhores resultados, faça combos grandes, selecionando uma pá de desafetos de ambas as cores e soltando os botões ao mesmo tempo.

Se você atirar com o elemento errado, vai sofrer as penalidades apropriadas. Inimigos vermelhos causam uma dolorosa perda de pontos, enquanto os azuis congelam seu placar, impedindo que você faça pontos por alguns segundos. No modo normal, um tiro errado faz com que o bichinho dê um tiro em você, que pode defendê-lo apertando o botão move, assim negando o prejuízo. No difícil, por outro lado, a penalidade é imediata. Errou, perdeu, playboy!

Você enxerga os Moves dentro do jogo, e tem alguns toques bem legais, como o fato de um estar sempre pegando fogo e outro congelando. Aproxime-os do ouvido e você vai ouvir os barulhos “emitidos” pelo controle. Muito bacana.

O visual também é impressionante, com fases belíssimas e uma trilha sonora suave que torna jogar Dexed algo bem relaxante. Isso é ajudado pelo fato de que você não morre, apenas perde pontos, então não tem como perder o progresso. O gameplay é muito agradável também, especialmente as explosões dos inimigos e os barulhinhos dos seus pontos aumentando. É muito legal quando vem uma fileira com cores alternadas e você vai movimentando os braços para selecionar um a um sem fazer besteira. Você se sente um maestro, regendo uma orquestra de fogo! m/

Cada uma das fases é tematizada. Há o fundo do mar (com baleias enormes passeando), um vulcão, uma área congelada (com bonecos de neve gigantes) e uma floresta. Por fim, há um chefe final, um polvo gigante, em uma batalha muito legal.

Cada uma das fases não deve durar mais do que dez minutos, e este é exatamente o único problema de Dexed: dá para você ver tudo que ele oferece em menos de uma hora. Eu joguei todas as fases nas dificuldades normal e hard várias vezes para conseguir ganhar os troféus de pontos em todas e, ao final de umas duas horas, já estava com o jogo praticamente decorado, sabendo quais inimigos viriam de onde.

Depois disso, sobram as leaderboards e um modo zen, que nada mais é do que viajar pelas fases sem inimigos. Há também um arcade, que é basicamente um survival infinito. Cada inimigo que escapa vivo diminui sua barra de energia, veja quão longe consegue chegar. É divertidinho, mas as fases propriamente ditas são bem mais interessantes.

Eu adoro on-rails shooter e a curta duração dos jogos é uma reclamação que tenho frequentemente com o gênero. Eles me divertem muito, mas duram tão pouco que dá aquela sensação de fazer amor com o The Flash. Neste aspecto, Dexed está pau a pau com aqueles clássicos dos arcades, como Virtua Cop e The House of the Dead: é feito para você jogar tudo em uma tacada mesmo. Só não tente colocar fichas no PS4. Eu tentei e deu pau.

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Editor-chefe e editor de games. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).