Crítica Noite Infeliz, Noite Infeliz, David Harbour, Delfos

Quando eu comecei o DELFOS, lá na época de outrora, em 2004, saíam muitos filmes de Natal. E eu os odiava, cobria apenas por obrigação. Estes filmes continuam sendo feitos a baciada nos States, mas a quantidade que chega aos cinemas brasileiros diminuiu muito, graças a São Nicolau. Dito isso, hoje é dia da nossa crítica Noite Infeliz.

CRÍTICA NOITE INFELIZ

E se Johnny English fosse violento? Esta parece ser a proposta da comédia de ação Noite Infeliz. E, por ser uma proposta que me apetece, achei que valia uma resenha.

Crítica Noite Infeliz, Noite Infeliz, David Harbour, Delfos
“Olha lá o que você vai falar, Corrales!”

É Natal, e que tal participar da festa de uma daquelas famílias mais ricas do que Deus? Pois essa foi a ideia do eterno Luigi John Leguizamo e sua turma. Eles foram de penetra e com objetivos escusos na reunião da família em questão. O que eles não contavam é que, justamente na hora em que invadem a mansão, ela estava sendo visitada pelo Papai Noel em pessoa (David Harbour). Agora cabe ao bom velhinho chutar umas bundas para salvar as vítimas dos bandidos malvados.

DELICIOSAMENTE BOBO

É uma proposta bem boba. E você me conhece, eu adoro humor boboNoite Infeliz assume isso, e o resultado é um filme descompromissado e divertido que, mesmo quando não faz sentido, você simplesmente pensa “ah, é só um filminho bobo”.

Apesar da sinopse acima, não entenda que o Papai Noel de Noite Infeliz é um John Wick. Na verdade, na maior parte do filme, ele fica meio que nessa posição.

Crítica Noite Infeliz, Noite Infeliz, David Harbour, Delfos
“Como assim você não sabe que eu fui o Luigi do cinema?”

Claro, esta é uma comédia de ação e, como tal, tem bastante tiroteio, porradaria e uma cena simplesmente deliciosa que parece ser uma homenagem violenta a Esqueceram de Mim.

E Noite Infeliz realmente vai fundo na violência, com cabeças decepadas, fraturas e toda essa gostosura. A questão é que é tudo tão cartunesco, e tão claramente cômico, que está mais próximo ao teor de um Comichão & Coçadinha do que de um Jogos Mortais.

Crítica Noite Infeliz, Noite Infeliz, David Harbour, DelfosÉ SÓ UM FILMINHO BOBO

Dito tudo isso, deve ter ficado claro que Noite Infeliz é um filminho bobo, que visa apenas trazer umas duas horas de diversão em um sábado à tarde. E o estou criticando como tal. Porém, mesmo bobeira precisa de criatividade. E justamente ao abraçar clichês ruins de Hollywood, a coisa acaba ficando mais sem graça do que deveria.

Em especial, o final com mortes “de mentirinha”, redenções e outros clichês, arrasta a diversão para baixo fortemente. Também incomoda o fato de que este filme se passa em um mundo no qual Papai Noel existe – e leva presente para as crianças todo ano. Porém, assim como no mundo real, ninguém acredita no velho barbudo. A contradição é que ninguém estranha o fato de presentes se materializarem em árvores do mundo inteiro. O filme até tenta abordar essa contradição, dizendo que o Papai Noel só leva presentes para quem precisa, mas mesmo pais de crianças que ganharam presentes em outros anos falam aqui que São Nicolau não existe. Ou seja, não convence, não se compromete com a própria ficção.

E é curioso, porque ele também faz coisas legais e criativas, como musicar suas cenas mais violentas com fofas canções de Natal. E, claro, a cena que remete a Esqueceram de Mim é uma das mais divertidas do ano e certamente a mais marcante do longa.

O saldo é positivo, no entanto. Noite Infeliz não vai ser o melhor filme de ação que você viu na vida, mas certamente é um dos melhores filmes de Natal dos últimos anos. Justamente por não levar o feriado e suas tradições tão a sério.