Clássicos – Star Wars – Episódio V: O Império Contra-Ataca

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Atenção! O texto abaixo contêm spoilers! Não leia se não tiver visto o filme!

<- Praticamente todo mundo fala que este é o melhor filme da série, porém você já se perguntou por quê? Humildemente, tentarei explicar porque para mim ele é e sempre será o melhor. Para começar, o caro delfonauta tem que levar em conta que assisti ao filme pela primeira vez quando criança, numa daquelas famosas reprises na televisão. Aquele universo fantástico, cheio de criaturas estranhas e sabres-de-luz cativa qualquer um com menos de dez anos. Tudo bem, cativa adultos também, porém o impacto naquela idade era bem maior. Após destruírem a Estrela da Morte no final do Episódio IV, os rebeldes são escorraçados pelo Império e se refugiam no gélido planeta Hoth, onde Luke Skywalker (Mark Hammill) recebe do fantasma de “Ben” Obi-Wan Kenobi (Sir Alec Guinness) a missão de concluir seu treinamento Jedi com Yoda no Sistema Dagobah. E é pra lá que ele parte logo após garantir a fuga da Aliança Rebelde, que havia sido descoberta pelo temível Darth Vader (o melhor vilão da história do cinema). Enquanto isso, Han Solo (Harrison Ford), a Princesa Leia (Carrie Fisher), Chewbacca e C-3PO, enfrentam problemas com o hyperdrive da Milleniun Falcon (está me acompanhando?) e encontram um porto seguro na cidade das nuvens de Bespin. Luke, através dos ensinamentos de Yoda (um mestre de 900 anos de idade), desenvolve seus poderes da Força e prevê uma tragédia se abatendo sobre seus amigos. Numa difícil escolha, ele decide abandonar seu treinamento e ir ao resgate deles. É a partir daí que o filme se torna sensacional. Han Solo é “traído” por seu amigo Lando Calrissian (ei, ele não tinha escolha, vai me dizer que no lugar dele você encararia o tremendão Lorde Vader?) e congelado em carbonite, a ser entregue a Jabba The Hutt via Boba Fett (ainda aí?). C-3PO é atingido por um blaster e fica aos pedaços. Para terminar, a Princesa e Chewie cairiam nas mãos de Darth Vader, não fosse pela intervenção de Lando...Quantos filmes você conhece onde os mocinhos se dão tão mal? E como desgraça pouca é bobagem, há ainda o tão aguardado confronto entre Luke e Vader. Se hoje o estilo da luta está ultrapassado (graças a Matrix), pode-se dizer que sua falta de plasticidade gera uma crueza e um realismo (dentro do possível) maiores. O confronto termina com a mão de Luke Skywalker decepada e uma das maiores surpresas da história do cinema (que hoje todo mundo já conhece). Permita-me voltar aos meus tempos de infância: primeiro, como é que pode o herói do filme ser mutilado? Na minha parca experiência cinematográfica em tão tenra idade nunca tinha visto nada igual. É uma cena de grande impacto até hoje. Segundo: O quê? Darth Vader é pai de Luke Skywalker? Como? Por que? Quem? Quando? Onde? E mais importante: ele sabia que Luke era seu filho e mesmo assim cortou fora a mão dele? Maldade pura. Só nesse filme, esse é o segundo braço arrancado (o primeiro foi o do bicho do gelo, logo no início). Isso iniciaria uma longa tradição de membros extirpados com sabres-de-luz que culmina com os quilos de membros empilhados ao final do Episódio III. Mais uma vez, os rebeldes são escorraçados, num clima de derrota total, deixando várias pontas soltas, além de uma pista para outra surpresa de laços familiares que hoje em dia todo mundo já sabe para serem amarradas no Episódio VI além, é claro, do destino de Han Solo. Nunca um filme de entretenimento havia acabado de forma tão derrotista e violenta para os rapazes do bem. Foi preciso uma certa dose de coragem para arriscar de tal forma, e ainda bem que George Lucas a tinha. Agora, os seguidores de Lucas que me perdoem, mas ele tomou outra decisão acertada ao se afastar da direção e do roteiro (ele assina apenas o argumento e a produção-executiva). A direção de Irvin Kershner é mais redonda, os atores estão mais bem dirigidos e o roteiro contêm frases e diálogos menos esdrúxulos e mais profundos do que seu antecessor. Os efeitos especiais funcionam muito bem até hoje e as pequenas alterações feitas por Lucas na edição especial do filme nada influem na história. Devo dizer que tenho uma predileção por filmes onde as coisas não saem como se esperam (no sentido da história), basicamente filmes de finais nem tão felizes. Mas não é só isso que o torna tão superior. Outro ponto forte é o aparecimento de novos personagens. Yoda, na época um boneco, como o Jedi mais poderoso da galáxia (sua interação com R2-D2 é hilária) possivelmente é a melhor atuação do filme (sem sacanagem). Lando é uma boa força que vem se juntar aos rebeldes e Boba Fett (não considerando sua inclusão na edição especial do Episódio IV) tinha uma armadura tão legal que se tornou cult entre os fãs hardcore. Detratores vão dizer que o filme é simplista em sua concepção de bem e mal, porém numa fantasia intergaláctica isso não faz a menor diferença. Aqui o objetivo é diversão, não grandes questionamentos filosóficos. E diversão, este clássico do cinema tem de monte. E se você, amigo delfonauta, gostou do que leu, não perca amanhã a resenha do Episódio III (sim, nós vimos antes! Morda-se de inveja!), que tem muitos paralelos com o episódio sobre o qual escrevo. Que a Força esteja com você, meu padawan.->

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