Eu estava esperando por isso. Por muito pouco deixei de escrever sobre o remake de Riven quando ele saiu para PC na ideia de esperar pela versão de PS5. Olha, ainda bem que esperei, porque demorou quase dois anos para esta nova edição finalmente chegar. Mas finalmente ela está aqui, em toda sua glória. E vem acompanhada de uma nova versão de Myst (vendida separadamente), ambas com os mesmos menus, opções e suporte opcional para o PS VR2. O remake de Myst já estava disponível para Windows e Xbox Series X. Já o remake de Riven tinha saído apenas para Windows e agora chega aos consoles. Chega mais.
MYST, RIVEN E O PS VR2
Eu tenho uma certa fascinação por estes jogos. Simplesmente acho a atmosfera fantástica. Eu adoro explorar este mundo, andar por ele e curtir o visual, os sons e a tecnologia selvagem apresentada. Tudo isso fica ainda melhor e mais gostoso em VR.
Por outro lado, eu odeio jogar Myst e Riven. Estes são jogos de quebra-cabeças, não walking simulators. E os quebra-cabeças representam um tipo de gamedesign que ficou no passado e nunca mais deveria ser feito. Curiosamente, estes jogos, especialmente Myst, já foram refeitos e relançados muitas vezes. Mas o gameplay nunca foi atualizado. Ou melhor, eles se tornaram jogos em primeira pessoa com exploração livre. Mas isso os tornou ainda mais complicados do que o estilo point and click dos originais.
GAMEPLAY RUIM
Basicamente, você precisa centralizar sua tela em lugares extremamente pequenos e precisos até o cursor se transformar em uma mãozinha aberta. Daí você pode interagir. Mas interagir com a maior parte das coisas não faz nada. Pelo menos não até você interagir com outra coisa. Ou com duas, três ou quatro coisas antes. Não há nenhum guia, nenhuma orientação. A tela não mostra o que mudou quando você interage com algo. Nem mesmo se mudou. Basicamente, qualquer um desses jogos exige um guia. E já tentou usar um guia enquanto joga VR? É uma atazanação enorme. Isso torna a função mais atraente destas novas versões praticamente inútil, a não ser que você já saiba os passos de cor.
Eu joguei bastante Myst e Riven quando escrevi sobre ambos no passado. O primeiro fui até o fim, com guias. O segundo tinha a mesma intenção, mas quando cheguei a um quebra-cabeça aleatório, que exigia realmente aprender outro idioma para prosseguir, desisti. Curiosamente, ao invés de tornar o jogo mais amigável para novos jogadores, esta versão de Myst (e apenas Myst) tem opção para você escolher as soluções fixas clássicas ou aleatorizar tudo. Em outras palavras, o jogo permite escolher ter a possibilidade de usar um guia ou não. E quem escolher “não” vai ter sérios problemas para avançar. Até mesmo se já decorou tudo.
Sei lá, sabe aquela história de que parece que a Cyan está com o coração no lugar errado? Estes são jogos tão bonitos e especiais. Deveriam colocar uma opção explorador, uma forma mais amigável de ver a história e avançar por seus quebra-cabeças. Não dificultar ainda mais. Mas este é o mundo atual dos games. Um mundo em que opções e facilidade são mal vistas. Myst e Riven são realmente especiais. Mas muito chatos de jogar. E isso, infelizmente, continua sendo verdade.





































