É assim que se faz um jogo retrô de verdade, delfonauta! Esqueça gráficos pixelados e chiptunesWulverblade tem uma apresentação audiovisual impressionante, mas suas mecânicas remetem diretamente a clássicos como Streets of RageFinal Fight.

Wulverblade, Delfos
Coisa mais linda!

Explicar como ele funciona é fácil. Ande para a direita (às vezes também para a esquerda) e mate todo mundo que cruzar seu caminho. No final da fase tem um chefe. Você não se mistura com essa gentalha, então acabe com ele também.

Apertando o botão de soco e pulo ao mesmo tempo, você faz um ataque de área que pode te tirar do meio de surras de bunda, mas consome um pouquinho da sua vida. Tem também um botão de defesa e uma “magia”, que consiste em chamar lobos que matam todo mundo que estiver na tela – e fazem bastante dano nos chefes.

SIMPLICIDADE FTW!

Não há skill pointsupgradessidemissions nem nenhuma baboseira do tipo. Wulverblade é só um jogo de porrada, e se orgulha disso. Você pode escolher entre três personagens: o protagonista equilibrado, o grandão forte e lento e a mulher rapidinha. Como não há upgrades, você fica livre para trocar de personagem entre cada fase, o que é legal porque não fica preso na sua primeira escolha.

Wulverblade, Delfos
Difícil é decidir qual dos três heróis faz a melhor cara de mau!

Eu comecei jogando com o equilibrado, passei para a moça e acabei gostando mais do grandão – o que é raríssimo para mim nesse tipo de jogo, já que eu normalmente gostava mais do rapidinho.

Na verdade, enquanto jogava, eu até achei a mulher melhor. Ela ataca de forma rápida e constante, dando a sensação de que é a que tem a maior taxa de dano por segundo. No entanto, foi também com ela que eu mais morri e mais tive dificuldade de terminar a fase. Enquanto isso, o grandão mata os desafetos rapidamente, e assim se tornou meu preferido.

Wulverblade, Delfos
Sopapos na amizade.

Como é padrão no gênero desde Double Dragon, dá para jogar com um amigo e brigar por pontos. Ou então simplesmente ignorar isso e sair distribuindo uns sopapos na amizade. Claro, se você se importa com pontos, no final de cada fase vai poder colocar suas iniciais e registrá-las em uma high tech leaderboard offline.

Wulverblade, Delfos
Faz quanto tempo que você não precisava reduzir seu nome a três letras?

PORRADA HISTÓRICA

O principal diferencial de Wulverblade talvez seja o fato de que ele é inteiro baseado em fatos reais. Mais especificamente, na invasão da Bretanha por Roma. Você joga com guerreiros bretões defendendo a terra pátria dos invasores e de seus compatriotas traíras.

Até aí, relativamente normal, mas ao longo da jogatina, você vai liberando textos e vídeos falando dos eventos históricos e locais que inspiraram o jogo.

Wulverblade, Delfos
Tipo um Assassin’s Creed cartoon e mais sério.

Isso é bem legal para quem é apaixonado por história, e perfeitamente ignorável por quem só quer distribuir umas palmadas. O único lado negativo é que os vídeos têm qualidade de áudio bem baixa, provavelmente por causa da compressão feita para diminuir o tamanho do jogo.

Wulverblade, Delfos
Tem até a hora de um leap of faith.

É bem claro que houve toda uma pesquisa e cuidado com os fatos históricos no desenvolvimento. Como o que temos aqui não é um AAA, no entanto, a história é contada de forma bem simples, através de desenhos estáticos, porém muito bonitos.

Wulverblade, Delfos
Exemplo.

O jogo, no entanto, é cheio de vozes, e a atuação é excelente. Todos os personagens, heróis e inimigos, falam bastante e as cutscenes são totalmente faladas. A trilha sonora também é linda, com músicas gravadas com instrumentos reais e composições que representam bem a época em que o jogo se passa.

PORÉM…

Pois é. Pode parecer que o jogo é perfeito no que se propõe. Só que ele tem dois problemas consideráveis, que diminuem bastante a diversão. O mais triste é que ambos seriam super fáceis de resolver.

O primeiro deles é que não há configuração dos controles. Isso se torna um problema uma vez que o botão de defesa é o A e o de ataque é o Y. Simplesmente não dá tempo de você mover seu dedo do ataque para a defesa quando percebe que um inimigo vai quebrar seu combo. Pode ser que para você funcione bem, mas eu gostaria de simplesmente poder passar a defesa para o L ou o R.

Wulverblade, Delfos
Não é só a ambientação que lembra músicas do Grave Digger. Olha o texto lá embaixo.

O outro problema é a quantidade de checkpoints. Você tem três vidas e, ao perder todas, tem que voltar para o checkpoint. Cada fase tem um ponto de retorno, normalmente bem no meio dela. O problema é que, fatalmente, você vai perder sua última vida apenas nos chefes, e é bastante frustrante ter que jogar metade da fase de novo (o que não raro demora uns 20 minutos) apenas para ter outra chance.

Eu não diria que o jogo é difícil demais. Pelo contrário, acho que ele está numa dificuldade bem legal. Tivesse um checkpoint antes de cada chefe, ele estaria naquele raro balanço entre desafiador e divertido. Os chefes são legais e divertidos, e é normal morrer num chefe. O meu problema é com ter que jogar de novo algumas dezenas de minutos que eu já venci. Um gamer adulto simplesmente não tem tempo para essa repetição.

WULVERBLADE

São apenas dois problemas, mas são dois problemas consideráveis. Eu me divertia bastante com o jogo até precisar defender ou até ver que eu estava na minha última vida enquanto lutava contra um chefe.

Wulverblade, Delfos
Faça cara de mau e mate seus desafetos.

Wulverblade é uma das melhores homenagens aos beat’em ups dos 16-bit e faz isso com um audiovisual moderno. Poderia ser um jogo para levar a nota máxima por aqui, mas seus dois problemas atrapalharam o bastante para diminuir a avaliação consideravelmente. Ainda assim, é um jogo que merece ser jogado por qualquer fã do gênero.

REVER GERAL
Nota:
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Carlos Eduardo Corrales
Editor-chefe e editor de games. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).