Curiosidade delfiana: o título desta resenha foi feito antes mesmo de eu assistir a O Estranho que Nós Amamos. Eu criei a página no sistema e preenchi as informações imparciais, como a ficha técnica. Daí só para salvar tudo, coloquei um título temporário. Só que eu acabei me afeiçoando a ele, e fiquei com pena de mudar. Afinal de contas, este é, de fato, o primeiro filme da Sofia Coppola desde Bling Ring, de 2013.

Quatro anos depois, a Coppolinha continua fazendo filmes nada com força. O curioso é que, considerando que se trata de uma diretora que escreve seus próprios filmes, este é um remake do filme homônimo de 1971, estrelado por ninguém menos que Clint Eastwood.

Eu até consigo entender porque as bandas gravam covers, afinal, é uma música não própria em um álbum com 12. Agora o trabalho de diretor leva anos. Por que ela escolheria escrever e dirigir algo que já foi feito antes? Normalmente remakes são dirigidos por pessoas contratadas pelos estúdios para o trabalho em questão, mas este não parece ser o caso dela.

O Estranho que Nós Amamos, Delfos
Vai ver ela só queria uma festinha com as amigas.

GUERRA CIVIL

O filme se passa durante a Guerra Civil estadunidense. Um soldado ianque ferido é encontrado por uma garota que vive em um internato feminino no sul dos EUA. Ela fica sem saber o que fazer, mas não parece certo deixá-lo ali para morrer, então o jeito é levar o sujeito (aliterações rulam!) para o internato e decidir com as outras moças o que fazer com ele.

Elas resolvem cuidar dele e decidir o que fazer com o pobre diabo depois que ele melhorar. Devem simplesmente liberá-lo ou entregá-lo aos soldados do seu lado para que ele seja um prisioneiro de guerra? Este é o grande dilema das teteias. O que elas não esperavam é que o sujeito fosse tão gentil.

E assim é boa parte do filme. Basicamente vemos o Colin Farrell e as moças lideradas pela Nicole Kidman trocando gentilezas. Tem até uma frase muito legal, quando a Nicolete fala “como indivíduo, nosso inimigo não é o que pensávamos”. Ainda assim, falta tensão, faltam conflitos, falta acontecer qualquer coisa.

O Estranho que Nós Amamos, DelfosSó vai acontecer algo realmente interessante lá pelas tantas do terceiro ato. O que poderia dar a toada para toda a história são os 15 minutos finais do longa. Muito pouco, muito tarde.

SÉCULO 19

A própria ambientação não ajuda. Particularmente, obras de época do século 19 não me apetecem nem um pouco. E já que vai ser um remake, por que não dar uma atualizada? A história ficaria bem mais interessante se contasse sobre um soldado estadunidense salvo por uma família iraquiana, por exemplo.

Apesar de ter tanta coisa contra, devo dizer que não fiquei entediado. O filme entretém moderadamente e tem uma mensagem contra a guerra que me apetece. Afinal, a tensão que de fato acontece não é decorrente dos lados da guerra, mas simplesmente da condição humana.

Como diz o Cyrino, a essa altura você já sabe onde estou querendo chegar. Pois é, amigo delfonauta, estamos falando do primeiro filme nada a ser analisado no novo DELFOS. Que digam o que quiserem da Coppolinha, mas sua filmografia é bem consistente.

REVER GERAL
Nota:
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Carlos Eduardo Corrales
Editor-chefe e editor de games. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).
  • Guilherme Oliveira

    Virgens Suicidas e Encontros e Desencontros são ambos muito bons. Já Bling Ring foi um dos filmes mais chatos que já vi na vida.

    Não acho a filmografia dela nada consistente.