Últimos Dias no Deserto

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Ewan McGregor barbudo e cabeludo caminha pelo deserto vestindo uma longa túnica. Contudo, em Últimos Dias no Deserto seu nome não é Obi-Wan Kenobi e ele não se encontra em Tatooine, mas na boa e velha Terra, perto de Jerusalém, onde atende por Jesus Cristo.

O longa conta o período de quarenta dias que Jesus, ou Yeshua como ele é chamado aqui, passou no deserto jejuando e orando em busca de iluminação espiritual. A partir dessa premissa, o filme toma liberdades criativas ao contar uma história que não está nas escrituras.

Enquanto é tentado pelo Cramunhão em pessoa, também interpretado por Ewan McGregor, JC conhece uma família que mora naquelas terras ermas e passa a ajudá-los, como se o destino deles estivesse ligado diretamente ao que buscava quando iniciou sua peregrinação por aquele terreno árido.

Religião definitivamente não é comigo. Logo, filmes com essa temática também não me atraem nem um pouco, mesmo que neste caso ele apenas se utilize de uma figura religiosa e de uma premissa bíblica para explorar uma história “não oficial” e fazer uma viagem pelo psicológico de Jesus e de suas dúvidas, representadas pelas provocações do Coisa-Ruim.

O filme em si é bem parado, cheio de cenas de Ewan McGregor olhando contemplativo para a imensidão da paisagem desértica. As interações dele com o homem, a mulher e o filho deles também são pouco interessantes, mas ao menos a relativa pouca duração do filme não o torna ainda mais arrastado do que poderia ser.

As melhores partes, como você já deve imaginar, são as conversas entre Jesus e o Capiroto, que injetam um pouco de intensidade e até certo humor na coisa toda. E eu que sou espiritualmente muito errado ou tudo que o Tinhoso fala no filme faz todo o sentido? Hum…

Últimos Dias no Deserto é aquele tipo de filme que vai do nada a lugar nenhum e se usa de elementos do cinema de arte (longas tomadas abertas, grandes momentos de silêncio) para tentar dar mais profundidade do que ele realmente tem. Ainda pode desagradar os mais religiosos por tomar certas liberdades com a “história oficial”. Não é necessariamente ruim, apenas medíocre, mas desse jeito fica difícil de recomendar para alguém.

REVER GERAL
Nota
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Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.