Um Limite Entre Nós

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Eu nunca gostei de teatro (pronto, falei!), mas tendo a curtir as adaptações de peças para o cinema. Não é estranho? Pois é, cada um com as suas peculiaridades. Um Limite Entre Nós, como você deve imaginar por essa introdução, é baseado numa peça de teatro.

Também é o terceiro longa dirigido pelo Denzel Washington e foi indicado a quatro Oscars, incluindo o de ator para o próprio Washington e o de atriz coadjuvante para Viola Davis. No momento em que você está lendo esta resenha, já deve saber se ele levou alguma estatueta ou não, mas daqui do passado de onde estou escrevendo, a cerimônia do Oscar ainda não aconteceu. Olha só, delfonauta do futuro, estou falando com você diretamente do passado! Creepy

Enfim, o filme é focado em Troy Maxson (Denzel), sujeito de meia-idade que trabalha duro como lixeiro para sustentar sua família na década de 1950. O núcleo familiar é formado por sua esposa (Viola Davis), seu irmão com danos cerebrais, o filho que ele trata com severidade excessiva e um filho mais velho de um relacionamento anterior. E também seu melhor amigo e colega de trabalho.

Enquanto se prepara para construir uma cerca (explicando assim o título original) no quintal, através das conversas dele com estes personagens, vamos entendendo sua personalidade e sua trajetória de vida. Manja aquele filme que aparentemente não tem história, mas diz muita coisa? Este aqui é um deles.

Qualquer um que tenha uma família certamente se identificará ao menos com alguns momentos da narrativa, independente se sua condição financeira ou cultural seja diferente da dos personagens. Desde momentos mais leves, como os “causos” absurdos que Troy conta, aos mais pesados, como os arranca-rabos com o filho legítimo, movidos por sua escolha de carreira, refletem coisas por quais muitos já passaram.

Tudo acontece no microcosmo da casa da família, tudo é centrado nos diálogos e, sobretudo, nas atuações. Todo o elenco está muito bem, e Denzel e Viola Davis de fato se destacam como o casal. Para quem gosta de histórias centradas em diálogos e nas performances dos intérpretes, é um prato cheio.

Não é o tipo de filme que eu assistiria não fosse a obrigação profissional, por isso mesmo admito que fui ver de má vontade e acabei gostando. O aspecto teatral, de centrar praticamente toda a história em um único lugar é algo que me agrada, e consegui me relacionar em vários momentos com os dramas dos personagens.

Não é algo que vai permanecer em minha memória por muito tempo, mas para quem gosta mais de dramas, um gênero que nunca figurou entre meus favoritos, Um Limite Entre Nós certamente tem potencial para agradar ainda mais do que agradou a mim.

REVER GERAL
Nota
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Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.