Tudo Vai Ficar Bem

0

Tudo Vai Ficar Bem é o novo filme dirigido pelo cultuado cineasta alemão Wim Wenders. Portanto, temos aqui um drama mais focado para um público alternativo, que prefere algo com menos explosões e um andamento mais compassado em comparação com as produções de mesmo gênero mais mainstream.

Tomas Eldan (James Franco) é um escritor passando por uma crise conjugal com a Rachel McAdams. Daí um dia ele se envolve num trágico acidente que marcaria sua vida para sempre, bem como a de Kate (Charlotte Gainsbourg), a outra parte envolvida na desgraça.

Que desgraça é essa é exatamente o tipo de coisa que é melhor você não saber de antemão, pois assim o filme fica mais forte. Basta dizer que a partir daí acompanhamos o desenrolar da vida deles ao longo dos anos, tentando superar o fato e seguir em frente normalmente.

O filme é bom e seu andamento mais lento funciona bem aqui, aliado aos muitos saltos temporais na vida dos personagens. Todos os atores estão bem, os cenários e paisagens gélidos combinam bastante com certo distanciamento emocional proposto pela narrativa e toda a condução como um todo é bem competente.

Porém, mesmo com tudo isso, não é o tipo de filme que vai ficar na sua memória depois de terminado, o que o qualifica, o delfonauta mais dedicado já sabe, como um típico filme nada. Tecnicamente bem feito, com boas atuações, uma história até interessante, que entretém moderadamente enquanto você assiste, e cuja única função é essa. Depois do fim dos créditos, ele desaparece de sua memória sem deixar vestígios.

Obviamente, para fãs mais fervorosos do diretor, isso pode ser um tanto decepcionante, visto que certamente este não está entre seus melhores trabalhos, embora também esteja longe de ser ruim.

Contudo, se você curte um drama mais alternativo, desde que vá sem qualquer expectativa, até que Tudo Vai Ficar Bem funciona. No entanto, só vale mesmo arriscar uma sessão se você se encaixa nesse grupo. Se não é o seu caso, melhor optar por outro programa.

REVER GERAL
Nota
Artigo anteriorFar Cry Primal
Próximo artigoA Série Divergente – Convergente
Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.